O que é o programa A360 e por que ele importa para o audiovisual brasileiro
O programa de formação em audiovisual A360 atingiu um índice de mais de 80% de vagas preenchidas por pessoas de comunidades historicamente sub-representadas no setor, segundo o portal Abril.com.br. O resultado supera a meta inicial da iniciativa, que reservava até 60% das 200 vagas a políticas afirmativas, e coloca no centro do debate a questão da diversidade na cadeia produtiva do audiovisual nacional.
Realizado pelo Instituto BR Cultural (IBRC) em parceria com a STRIMA — Associação Brasileira de Streaming, o A360 oferecerá formação gratuita em três fases, totalizando quase 800 horas de aulas teóricas e práticas. A aula magna inaugural está marcada para a próxima segunda-feira, em São Paulo, com presença confirmada de representantes de Netflix, Amazon MGM Studios e Globoplay.
Como funciona o programa A360?
O A360 foi desenhado como um percurso formativo completo, do básico ao avançado, com foco em preparar profissionais para os diferentes elos da produção audiovisual — da pré-produção à pós-produção. A carga horária total gira em torno de 800 horas, distribuídas em três etapas complementares.
As três fases da formação
- Fundamentos (72 horas, EAD): etapa inicial oferecida no formato a distância, destinada a nivelar conhecimentos básicos sobre linguagem audiovisual, narrativa e operação técnica.
- Trilhas técnicas (de 120 a 360 horas, formato híbrido): fase intermediária, com módulos que combinam aulas online e presenciais, voltados a áreas específicas como direção, produção, som, imagem, edição e outras especialidades.
- Imersão prática em sets (até 360 horas): etapa final, com experiência direta em sets de filmagem e ambientes de pós-produção, aproximando os alunos da rotina profissional.
Esse desenho modular permite que participantes de diferentes perfis e regiões consigam acompanhar o programa, ainda que a etapa presencial exija presença física em São Paulo.
Por que mais de 80% das vagas foram preenchidas por grupos sub-representados?
O índice de preenchimento chama atenção porque ultrapassou em quase 20 pontos percentuais a meta prevista para vagas afirmativas. Inicialmente, o A360 destinava até 60% das 200 vagas — ou seja, até 120 — a candidatos negros, indígenas, mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores de periferias, entre outros grupos sub-representados. O resultado final, com mais de 160 vagas ocupadas por esse perfil, sugere forte aderência do público-alvo ao formato gratuito e à proposta de qualificação.
O dado também dialoga com um gargalo conhecido do setor audiovisual brasileiro: a baixa representatividade nos cargos técnicos e criativos. Embora o Brasil seja um dos maiores consumidores de conteúdo audiovisual do mundo, a indústria ainda concentra a mão de obra em perfis socioeômicos específicos, especialmente nas funções melhor remuneradas.
O que são "vagas afirmativas" no audiovisual?
As vagas afirmativas são posições reservadas ou prioritárias para grupos que enfrentam obstáculos históricos de acesso ao mercado de trabalho. No A360, a política adotada segue uma lógica comum a editais culturais recentes: além de reservar cotas, busca-se ofertar formação integralmente gratuita para reduzir a barreira econômica de entrada.
Quem está por trás da iniciativa
A união entre o Instituto BR Cultural e a STRIMA reúne dois atores com papéis distintos na engrenagem do audiovisual brasileiro.
- Instituto BR Cultural (IBRC): organização responsável pela execução pedagógica do programa, com experiência em projetos de formação cultural e diversidade.
- STRIMA: associação que reúne os principais serviços de streaming atuantes no país, atuando como elo entre as plataformas e a cadeia produtiva nacional.
Patrocínio e financiamento
O programa conta com patrocínio direto de Netflix e Amazon MGM Studios, além de recursos de incentivo fiscal da Globoplay, captados por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo também apoia a iniciativa, o que viabiliza o uso de espaços públicos para a etapa presencial.
O uso combinado de patrocínio direto e incentivo fiscal é uma estratégia cada vez mais comum em programas de formação audiovisual, pois permite que grandes plataformas invistam em capacitação sem necessariamente assumir a gestão pedagógica.
O que muda para quem participar e para o setor?
Para os selecionados, o A360 representa uma porta de entrada qualificada em um mercado que demanda mão de obra técnica constante, mas que historicamente contrata por meio de redes de indicação e formação privada — dois filtros que excluem boa parte da população.
Para o setor, o programa se soma a outras iniciativas que tentam ampliar o repertório de profissionais disponíveis em diferentes regiões do país, especialmente em funções como:
- Assistente de direção e produção
- Operação de câmera e iluminação
- Som direto e edição
- Pós-produção de imagem e áudio
- Colorização, finalização e gestão de projetos
Impacto na empregabilidade
Programas estruturados com etapa prática em sets reais tendem a oferecer uma vantagem concreta na hora da contratação: além da certificação, o aluno sai com vivência próxima da rotina profissional, o que reduz o hiato entre formação e primeiro emprego.
Quais são os próximos passos do A360?
Com as vagas preenchidas e a aula magna marcada para a próxima segunda-feira em São Paulo, a expectativa é que as três fases do programa sejam colocadas em marcha ao longo dos próximos meses. A participação de executivos de Netflix, Amazon MGM Studios e Globoplay na cerimônia de abertura indica que as empresas patrocinadoras acompanharão de perto a evolução da turma — tanto pelo interesse em mão de obra futura quanto pelo retorno institucional de investir em diversidade.
Segundo o portal Abril.com.br, ainda não há confirmação oficial sobre a abertura de novas turmas, mas o resultado acima da meta inicial tende a reforçar a continuidade de ações semelhantes no setor.
Perguntas frequentes sobre o A360
O programa A360 é gratuito?
Sim. A formação é totalmente gratuita, com financiamento viabilizado por patrocínio direto de Netflix e Amazon MGM Studios, além de recursos de incentivo fiscal da Globoplay via Lei Rouanet.
Quantas vagas foram ofertadas?
Foram oferecidas 200 vagas no total, das quais até 60% estavam destinadas a políticas afirmativas. No fechamento das inscrições, mais de 80% das vagas foram ocupadas por pessoas de grupos historicamente sub-representados.
Qual é a carga horária do curso?
A formação soma cerca de 800 horas, divididas em três fases: 72 horas de fundamentos em EAD, de 120 a 360 horas em trilhas híbridas e até 360 horas de imersão prática em sets e pós-produção.
Quem pode participar?
O A360 é voltado a pessoas interessadas em ingressar ou se profissionalizar no audiovisual, com prioridade para candidatos de comunidades sub-representadas no setor, como negros, indígenas, mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores de periferias.
Onde acontecem as aulas presenciais?
A etapa presencial e a imersão em sets de filmagem ocorrem em São Paulo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura da capital paulista.
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