Anac certifica decolagem automática da Embraer, 1ª mundial

Procedimento reduz intervenção humana e pode revolucionar o treinamento de tripulantes em todo o setor

Anac certifica decolagem automática da Embraer, 1ª mundial

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve conceder entre setembro e outubro a primeira certificação mundial para uma tecnologia de decolagem totalmente automatizada em aeronaves comerciais, desenvolvida pela Embraer. A informação foi divulgada em entrevista à Reuters pelo presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, e reproduzida pelo portal Olhardigital.com.br. O sistema, batizado de E2TS (Embraer Enhanced Take-Off System), equipa a família E2 de jatos comerciais da fabricante brasileira e promete mudar a rotina de pilotos e companhias aéreas em todo o mundo.

O que é a tecnologia E2TS da Embraer?

O E2TS é um sistema embarcado de comando de voo que assume o controle da aeronave desde o início da corrida na pista até a saída do solo, executando automaticamente a sequência completa de uma decolagem. Segundo a reportagem do Olhardigital.com.br, essa é a primeira solução do tipo em processo final de certificação por uma autoridade aeronáutica no mundo.

Na prática, o sistema gerencia aceleração dos motores, posicionamento dos flaps, aplicação de comandos de profundor e rotação da aeronave no momento exato de sustentação. O piloto segue monitorando todos os parâmetros na cabina, mas não precisa intervir manualmente nos comandos durante a fase de decolagem — a menos que identifique alguma anomalia.

A tecnologia foi projetada para reduzir a dependência de habilidade manual em uma das fases mais críticas do voo, eliminando variabilidade entre tripulantes e padronizando o desempenho da aeronave em diferentes condições de pista, vento e peso.

Como funciona o processo de certificação?

A certificação de um sistema novo em uma aeronave comercial é uma das etapas mais rigorosas da engenharia aeronáutica. A Anac precisa validar, entre outros pontos, a redundância dos comandos, a resposta do sistema em situações de falha e a integração com outros equipamentos da cabina.

De acordo com o Olhardigital.com.br, a fase final de avaliação está em andamento. “Estamos na fase final de certificação e pretendemos, em setembro ou outubro, já certificar uma aeronave da Embraer. Será um novo Embraer E2, que terá o primeiro sistema de decolagem automática do mundo”, afirmou o presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, à Reuters.

Esse caminho regulatório é o mesmo seguido por outras inovações da aviação, como o piloto automático tradicional — introduzido em 1912 por Lawrence Sperry — e os sistemas de pouso automático (autoland), hoje rotineiros em grandes aeroportos com mau tempo.

Por que o Brasil pode ser o primeiro país a autorizar a decolagem automática?

O Brasil ocupa uma posição estratégica na aviação mundial por sediar a Embraer, terceira maior fabricante de aviação comercial do planeta. A combinação entre a engenharia local e a capacidade regulatória da Anac coloca o país na dianteira do processo.

“É uma tecnologia que nasceu aqui e pode ir para o mundo. A Embraer foi a primeira a desenvolver essa tecnologia, será a primeira a ter a certificação e a Anac será a primeira autoridade certificadora do mundo”, declarou Faierstein, conforme relatou o Olhardigital.com.br.

Além disso, o Brasil integra o CMT (Certification Management Team), grupo internacional de certificação aeronáutica do qual também participam Estados Unidos, Canadá e França. Isso abre caminho para que a aprovação brasileira seja reconhecida mais rapidamente em outros mercados relevantes.

O que muda para passageiros e companhias aéreas?

A adoção de um sistema de decolagem automática traz impactos diretos na operação das companhias e, em última instância, na experiência de quem voa. Entre os benefícios esperados estão:

  • Padronização de procedimentos: redução de variações entre tripulações e minimização de falhas humanas em uma das fases mais sensíveis do voo.
  • Segurança reforçada: sistemas automatizados reagem em milissegundos a parâmetros pré-programados, especialmente em situações limites de peso ou vento.
  • Eficiência operacional: decolagens mais previsíveis podem significar melhor aproveitamento de pistas, redução de consumo de combustível e menos atrasos.
  • Menor carga cognitiva para o piloto: o profissional passa a atuar mais como supervisor da operação do que como executor de comandos manuais.

Vale destacar que sistemas automatizados não eliminam a presença ou a responsabilidade do piloto. Regulamentações internacionais exigem que a tripulação esteja apta a assumir o controle manual a qualquer momento, e o E2TS foi projetado exatamente dentro dessa lógica.

A família E2 da Embraer: conheça as aeronaves que podem receber o sistema

A tecnologia E2TS foi desenvolvida para a família E2, composta pelos modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2. Esses jatos são voltados ao segmento de aviação regional e têm como principal mercado os Estados Unidos, onde alimentam rotas de menor demanda operadas por grandes companhias como a United Airlines.

Os E2 são conhecidos pela eficiência de combustível, pela baixa emissão de ruído e pelo custo operacional competitivo frente a concorrentes diretos, como os Airbus A220 e os jatos da antiga Bombardier (hoje De Havilland Canada). A introdução da decolagem automática pode reforçar esse posicionamento competitivo e abrir novas oportunidades de venda em mercados sensíveis a padrões elevados de segurança.

O que vem pela frente após a certificação?

Com a concessão da certificação brasileira, o próximo passo da Anac é negociar o reconhecimento do sistema junto às autoridades reguladoras dos Estados Unidos (FAA) e da Europa (EASA). Segundo o Olhardigital.com.br, essas conversas já estão em andamento.

A aceitação internacional é fundamental para que a tecnologia se torne viável comercialmente. Como a maioria dos aviões da Embraer é exportada, um sistema reconhecido apenas no Brasil teria alcance limitado. A estratégia de buscar validação cruzada dentro do CMT tende a acelerar esse processo.

Para a Embraer, a novidade reforça uma trajetória de investimento em avionics e automação. A empresa já vinha trabalhando em opções de cockpit cada vez mais digitais, como a Inspired by E2, projeto conceitual que reduzia o número de controles físicos da cabina. A decolagem automática pode ser vista como mais um capítulo nessa evolução.

Entenda a diferença entre decolagem automática e piloto automático

Embora os termos soem parecidos, decolagem automática e piloto automático convencional não são a mesma coisa. O piloto automático clássico atua principalmente em fases de voo cruise — depois que a aeronave já está no ar, em altitude estabilizada. Já o E2TS atua justamente na fase inicial, que é uma das que mais exige atenção dos pilotos por envolver alta velocidade, proximidade do solo e decisões em frações de segundo.

Em outras palavras, o E2TS preenche uma lacuna operacional que antes dependia exclusivamente da habilidade manual do comandante e do primeiro oficial.

Perguntas frequentes sobre a decolagem automática da Embraer

O que é o E2TS?

É o Embraer Enhanced Take-Off System, um sistema de automação que controla a decolagem completa de uma aeronave comercial da família E2, desde o início da corrida na pista até a saída do solo.

Quando a tecnologia será certificada?

A expectativa da Anac, divulgada pelo Olhardigital.com.br, é que a certificação ocorra entre setembro e outubro, em uma das aeronaves E2 da Embraer.

O piloto deixa de ser necessário?

Não. O piloto continua presente na cabina e mantém a responsabilidade final pelo voo. O sistema automatiza os comandos, mas a tripulação pode assumir o controle manual a qualquer momento.

Quais países já reconheceram o sistema?

Até o momento, nenhum país concedeu oficialmente a certificação. O Brasil, por meio da Anac, está mais avançado e já iniciou conversas com autoridades dos Estados Unidos e da Europa para que o sistema seja reconhecido internacionalmente.

Quais aeronaves Embraer podem receber a tecnologia?

De acordo com o Olhardigital.com.br, o E2TS foi desenvolvido para a família E2 de jatos comerciais, que inclui os modelos E175-E2, E190-E2 e E195-E2.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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