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Anitta dá as cartas: como ela fez do tarô um manifesto fashion

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Anitta dá as cartas: como ela fez do tarô um manifesto fashion

Anitta transforma tarô em manifesto fashion em filme musical de mais de 30 minutos

Quando Anitta lança um trabalho audiovisual, a expectativa em torno do que ela vai vestir — e do que vai dizer com cada peça — costuma rivalizar com a expectativa pelo som em si. Foi o que aconteceu com o filme musical de seu álbum EQUILIBRIVM II, uma produção de mais de 30 minutos em que a cantora não apenas interpreta personagens, mas encarna cinco arcanos maiores do tarô: O Mundo, Dois de Espadas, A Sacerdotisa, A Estrela e Nove de Ouros. Segundo o portal Abril.com.br, cada carta ganha uma identidade visual própria, costurada com rendas, véus, bordados e referências às religiões de matriz africana — sempre a serviço da narrativa, nunca como adorno gratuito.

O que é o filme musical de EQUILIBRIVM II?

EQUILIBRIVM II é a continuação do projeto EQUILIBRIVM, álbum de 2024 no qual Anitta já explorava dualidades entre o sagrado e o profano, o erótico e o espiritual, o pop e a tradição. O novo filme musical funciona como uma espécie de curta-metragem experimental, em que as faixas do disco são costuradas por cenas encenadas. É nesse contexto que surge a sequência do tarô, descrita como o trecho que inevitavelmente captura o olhar — pela força das imagens e pela densidade simbólica.

Ao encarnar cinco cartas, Anitta não está apenas brincando de look temático. Ela propõe uma leitura pessoal do oráculo, conectando cartas milenares a uma narrativa de autoconhecimento, escolhas difíceis, renascimento e colheita. A escolha dialoga com um movimento mais amplo: o interesse crescente pelo tarô entre jovens de 18 a 35 anos, observado em plataformas de redes sociais como TikTok e Instagram nos últimos anos, onde termos como "tarô do dia" e "leitura de cartas" viraram categorias de conteúdo viral.

As cinco cartas que Anitta encarna e o que cada uma significa

Na sequência, a ordem dos arcanos não é aleatória. Para a taróloga Marisa Solaris, consultada pela reportagem original, a sucessão forma uma jornada de transformação. A Sacerdotisa abre o caminho; o Dois de Espadas traz o impasse; A Estrela marca o renascimento; O Mundo simboliza a integração; e o Nove de Ouros recompensa a travessia com abundância. A seguir, o que cada carta representa na leitura construída pela produção de Anitta.

A Sacerdotisa — o portal da intuição

É a primeira carta da jornada. No filme, Anitta surge envolta em azul profundo — cor associada ao mistério, à introspecção e ao sagrado. Véus cobrem parte do rosto, reforçando a ideia de quem guarda conhecimento e prefere a discrição à exposição. Para Marisa Solaris, "ela representa a mulher que silencia para ouvir sua intuição, encara suas sombras e descobre que as respostas estão dentro de si". Já a taróloga Sabrina Lechugo reforça o caráter arquetípico: "A Sacerdotisa é o arcano da espiritualidade, do oculto e da conexão com o invisível".

O Dois de Espadas — a hora das escolhas

Em seguida, a cantora aparece em figurino predominantemente branco, segurando duas espadas diante do rosto — referência direta à iconografia tradicional da carta, em que uma mulher vendada segura duas lâminas cruzadas. "Ela está diante de dois caminhos", explica Marisa Solaris. "Permanecer imóvel também é uma escolha, mas chega um momento em que seguir em frente se torna necessário." Sabrina Lechugo amplia: "É o arcano da dualidade, da recusa em enxergar a realidade e da dificuldade em ceder. A pessoa permanece firme nas próprias convicções, mesmo quando isso se transforma em obstáculo." O branco da composição visual reforça a sensação de suspensão, espera e transcendência antes da decisão.

A Estrela — o renascimento luminoso

É o ponto de virada. Aqui, Anitta abandona a paleta contida e explode em cores vibrantes — uma releitura contemporânea e intencional de uma carta que, na iconografia clássica, costuma ser representada por uma mulher nua despejando água sobre a terra. A versão da artista é luminosa, abundantemente fashion e nada pudica. Para Marisa Solaris, A Estrela representa "a purificação, a esperança e a reconexão com a própria essência. Mesmo nas noites mais escuras, sempre existe um caminho". Sabrina Lechugo resume: "É o renascimento e a coragem de acreditar novamente. Ela confia na vida, no amor e na própria sorte."

O Mundo — a integração de um novo ciclo

De volta ao branco, Anitta encarna O Mundo, o vigésimo primeiro Arcano Maior do tarô, frequentemente associado à conclusão de uma fase e ao início de outra. Marisa Solaris interpreta a carta como símbolo de "integração e de um novo ciclo". É o encerramento da travessia interior proposta pela sequência, momento em que a personagem integra o que aprendeu com a Sacerdotisa, decidiu com o Dois de Espadas e renasceu com A Estrela.

O Nove de Ouros — a colheita da abundância

A jornada termina com o dourado — escolha cromática que dialoga com o simbolismo da carta: prosperidade, autonomia e refinamento. Para Marisa Solaris, "ela passa a colher tudo o que cultivou. A abundância não é apenas material, mas representa independência, amor-próprio, consciência e soberania sobre a própria jornada". É um encerramento que se encaixa na persona construída por Anitta nos últimos anos, em que a imagem pública se entrelaça com discursos sobre emancipação financeira, corporal e afetiva.

Por que Anitta escolheu o tarô como manifesto?

O tarô é um sistema simbólico com raízes que remontam à Europa do século XV e que, ao longo de décadas, foi apropriado por diferentes tradições esotéricas, incluindo leituras contemporâneas conectadas a movimentos feministas e de autoconhecimento. No Brasil, a familiaridade do público com práticas como o tarô, a astrologia e as religiões de matriz africana cria um terreno fértil para experimentações artísticas que misturem espiritualidade, moda e identidade — exatamente o tripé sobre o qual Anitta vem construindo sua fase mais recente.

Ao transformar cinco arcanos em roteiro de moda, a cantora não apenas embarca em uma tendência, mas oferece um grau de profundidade que diferencia seu projeto de apropriações superficiais. As cartas são lidas em sequência narrativa, com começo, meio e fim — estrutura que respeita o sistema simbólico e, ao mesmo tempo, atualiza seus significados.

O tarô como tendência cultural: por que o oráculo virou moda?

O interesse pelo tarô deixou de ser nicho e se consolidou como fenômeno cultural, impulsionado por três forças principais: a busca por ferramentas de autoconhecimento em tempos de ansiedade coletiva, a circulação de leitores e leitoras em plataformas de vídeo curto e a aproximação entre espiritualidade e estética nas redes sociais. Celebridades, influenciadores e marcas passaram a incorporar a linguagem das cartas em lançamentos, campanhas e produtos — movimento no qual Anitta se inscreve com uma das operações mais ambiciosas do mercado fonográfico brasileiro recente.

Para o leitor brasileiro, o impacto é direto: trata-se de uma referência cultural que dialoga com práticas já presentes em diferentes crenças do país — do tarô cigano ao jogo de búzios do Candomblé, das cartas mediúnicas em terreiros de Umbanda às leituras terapêuticas contemporâneas. A sequência do filme musical, nesse sentido, não é exotismo, mas tradução visual de repertórios com os quais parte do público já tem familiaridade.

Religião, identidade brasileira e figurino

Segundo o portal Abril.com.br, o filme traz ainda referências às religiões de matriz africana, aos orixás e a entidades espirituais, sempre integradas à estética da obra. A opção de não tratar esses elementos como fantasia é significativa: em um país onde a herança afro-religiosa é frequentemente apropriada de forma superficial pela indústria do entretenimento, a escolha de integrá-las ao tecido narrativo de um álbum pop confere legitimidade e cuidado simbólico.

Ao mesmo tempo, a obra amplia o repertório visual do pop nacional com figurinos que misturam rendas brancas — referência a orixás como Oxalá e Iemanjá — com adornos dourados, véus e bordados que remetem tanto à estética dos terreiros quanto à alta-costura. O resultado é uma direção de arte que fala para dentro (reconhecimento cultural) e para fora (legibilidade internacional).

Perguntas frequentes

O que é EQUILIBRIVM II, o álbum de Anitta?

É a continuação do projeto EQUILIBRIVM, lançado em 2024. O novo trabalho é acompanhado por um filme musical de mais de 30 minutos, no qual as faixas são costuradas por cenas encenadas que exploram dualidades entre o sagrado e o profano, o pop e a tradição.

Quais cartas do tarô Anitta interpreta no filme?

Cinco arcanos maiores: A Sacerdotisa, o Dois de Espadas, A Estrela, O Mundo e o Nove de Ouros. A ordem forma uma narrativa de autoconhecimento, escolha, renascimento, integração e colheita.

Por que Anitta escolheu o azul para A Sacerdotisa?

Na leitura construída pela produção, o azul profundo remete ao mistério, à introspecção e ao sagrado — qualidades atribuídas tradicionalmente a esse arcano, associado à intuição e ao conhecimento oculto.

O tarô tem relação com religiões afro-brasileiras?

O tarô é um sistema simbólico de origem europeia, mas, no Brasil, convive com práticas de matriz africana como o jogo de búzios e a consulta a orixás. A obra de Anitta integra essas referências de forma complementar, não como equivalência.

O filme musical está disponível onde?

As informações de distribuição citadas pela fonte original não especificam plataforma. Para acessar a obra, é recomendável checar os canais oficiais da artista e as plataformas de streaming habituais (ainda sem confirmação centralizada nesta reportagem).

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.