Anitta transforma tarô em manifesto visual no filme musical de EQUILIBRIVM II
A cantora Anitta levou ao limite a fronteira entre música, moda e espiritualidade no filme musical que acompanha o recém-lançado álbum EQUILIBRIVM II. Em uma produção de mais de 30 minutos, a artista interpreta cinco cartas do tarô em uma sequência que mistura figurino autoral, referências às religiões de matriz africana e uma narrativa simbólica de transformação pessoal. Segundo o portal Abril.com.br, o trecho em que Anitta "deixa de interpretar uma personagem para encarnar cinco cartas do tarô" funciona como o eixo estético e conceitual do trabalho, transformando símbolos milenares em tendência pop.
Mais do que um capricho estético, a escolha dialoga com a onda de interesse pelo oráculo que domina as redes sociais. Leitura de cartas, vídeos de tiragens e posts sobre autoconhecimento ganharam escala nos últimos anos, e Anitta, conhecida por capturar zeitgeists antes que virem moda de massa, resolveu dar a esse fenômeno um tratamento cinematográfico — e fashion.
Por que Anitta escolheu o tarô como eixo do filme?
O tarô deixou de ser visto como prática esotérica marginal e passou a ocupar espaço no vocabulário de milhões de pessoas, principalmente mulheres jovens, que enxergam nas cartas uma ferramenta de introspecção. Plataformas digitais, podcasts e perfis especializados popularizaram tiragens rápidas, baralhos ilustrados por artistas e métodos de autoconhecimento baseados nos arcanos.
Ao incorporar o oráculo ao seu filme musical, Anitta não apenas surfou essa onda: ela a redirecionou para dentro de um projeto artístico autoral. As cartas aparecem integradas à estética da obra — rendas, véus, bordados e adornos —, sem funcionar como mero cenário exótico. O resultado é uma espécie de editorial de moda esotérico em movimento, no qual cada figurino carrega significado.
Para entender a escolha, vale lembrar que a artista já vinha costurando espiritualidade e identidade em sua carreira. Em entrevistas recentes e nas redes, ela tem falado abertamente sobre autoconhecimento, terapia e influência das religiões de matriz africana — o que torna a incursão pelo tarô menos uma surpresa e mais um desdobramento coerente de sua trajetória.
Quais são as cinco cartas que Anitta encarna no filme?
A sequência apresenta os arcanos A Sacerdotisa, Dois de Espadas, A Estrela, O Mundo e Nove de Ouros, nesta ordem. Cada um foi traduzido por uma paleta de cores e uma identidade visual próprias, compondo o que as tarólogas consultadas pela reportagem original descrevem como uma jornada de transformação.
- O Mundo e Dois de Espadas: dominados pelo branco, evocam pureza, transcendência e silêncio.
- A Sacerdotisa: vestida em azul profundo, remete ao mistério, à introspecção e ao sagrado.
- Nove de Ouros: banhado em dourado, traduz prosperidade, realização e abundância.
- A Estrela: explode em cores vibrantes, numa releitura contemporânea, luminosa e fashion da carta tradicionalmente representada por uma figura feminina nua.
A ordem não é aleatória. Ela conta uma história de dentro para fora, do silêncio à colheita.
O que cada carta significa na narrativa do filme?
Para a taróloga Marisa Solaris, a sequência desenha uma travessia completa. "A Sacerdotisa abre o caminho dessa trajetória. Ela representa a mulher que silencia para ouvir sua intuição, encara suas sombras e descobre que as respostas estão dentro de si", explica.
Na sequência, o Dois de Espadas aparece como o momento das decisões. "Ela está diante de dois caminhos. Permanecer imóvel também é uma escolha, mas chega um momento em que seguir em frente se torna necessário." É a carta da dualidade, da recusa em enxergar a realidade e da firmeza em convicções que, às vezes, viram obstáculo — daí a clássica imagem dos olhos cobertos.
A Estrela marca o renascimento depois da dor. "É a purificação, a esperança e a reconexão com a própria essência. Mesmo nas noites mais escuras, sempre existe um caminho." O visual vibrante da carta no filme dialoga com a ideia de que a vida ganha novas cores justamente pela esperança.
A travessia culmina em O Mundo, símbolo de integração e de um novo ciclo, e é recompensada pelo Nove de Ouros. "Ela passa a colher tudo o que cultivou. A abundância não é apenas material, mas representa independência, amor-próprio, consciência e soberania sobre a própria jornada", resume Marisa.
Já a taróloga Sabrina Lechugo reforça a leitura arquetípica. Para ela, A Sacerdotisa é "o arcano da espiritualidade, do oculto e da conexão com o invisível", alguém que guarda conhecimento e prefere a discrição à exposição. O Dois de Espadas, acrescenta, representa o impasse: "a pessoa permanece firme nas próprias convicções, mesmo quando isso se transforma em obstáculo." A Estrela, por fim, é "o renascimento e a coragem de acreditar novamente" — uma definição que justifica o tratamento cromático intenso dado por Anitta.
Como o figurino traduz cada arcano?
O trabalho de figurino é, por si só, uma declaração. O branco predominante em O Mundo e no Dois de Espadas não é acidental: traditionally associado à pureza e à transcendência, ele reforça a ideia de um momento de pausa e reconfiguração interna. O azul profundo da Sacerdotisa dialoga com a tradição cristã e esotérica que associa a cor à Virgem Maria e ao conhecimento oculto — uma escolha visual que dialoga com o uso de véus e camadas, frequente em representações da carta.
Já o dourado do Nove de Ouros remete à colheita, à prosperidade e ao prestígio. No baralho Rider-Waite, a carta mostra uma mulher rodeada por frutos e vestida de amarelo; Anitta atualiza a referência com uma produção mais editorial, mas mantém o ADN de abundância. Por fim, a explosão de cores em A Estrela é talvez o gesto mais pop da sequência: ao reinterpretar uma carta frequentemente associada à nudez, a artista propõe uma leitura luminosa e absolutamente contemporânea do arcano da esperança.
O tarô virou tendência mesmo ou é exagero?
A resposta curta: virou tendência, sim — e os números ajudam a explicar o fenômeno. Nos últimos anos, pesquisas de plataformas de streaming e redes sociais registraram crescimento exponencial de buscas por "tarô", "leitura de cartas" e "autoconhecimento". Aplicativos de tiragem, comunidades no TikTok e linhas de baralhos ilustrados por artistas independentes transformaram o oráculo em produto cultural.
Esse movimento dialoga com um cenário mais amplo, no which práticas antes vistas como místicas passaram a ser tratadas como ferramentas de bem-estar e saúde mental. Ao trazer o tarô para o centro de um projeto musical, Anitta dá a essa tendência um verniz de legitimidade artística e, ao mesmo tempo, abre caminho para que novas artistas explorem narrativas simbólicas em seus próprios trabalhos.
Perguntas frequentes sobre Anitta e o tarô no filme de EQUILIBRIVM II
Qual é a ordem das cartas que Anitta interpreta no filme?
A sequência segue esta ordem: A Sacerdotisa, Dois de Espadas, A Estrela, O Mundo e Nove de Ouros, compondo uma jornada do silêncio interior à colheita de conquistas.
O que significa a carta A Sacerdotisa no filme?
A Sacerdotisa representa espiritualidade, intuição e conexão com o oculto. No filme, ela é visualmente traduzida por azul profundo, véus e uma estética introspectiva.
Por que A Estrela aparece em cores vibrantes?
Segundo a taróloga Marisa Solaris, A Estrela simboliza purificação e esperança depois da dor. O visual colorido traduz o renascimento e a reconexão com a própria essência.
O figurino do filme tem relação com religiões de matriz africana?
Sim. O trabalho incorpora referências a orixás e entidades espirituais integradas à estética da obra, sem que sirvam apenas como ornamento.
Qual é o impacto cultural da escolha de Anitta?
A artista transforma uma tendência de comportamento já em alta nas redes em narrativa autoral, elevando o tarô ao status de manifesto fashion e reforçando sua capacidade de capturar zeitgeists antes que se tornem modas de massa.
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