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Argentina perde 241 mil empregos formais sob governo Milei

Austeridade fiscal e recessão derrubam postos principalmente na indústria e na construção civil argentina.

Argentina perde 241 mil empregos formais sob governo Milei

Argentina perde 241 mil empregos formais sob Milei e futuro eleitoral do presidente entra na mira

A economia argentina vive um paradoxo sob a gestão de Javier Milei: enquanto a inflação despenca, o déficit fiscal some e a atividade volta a crescer, o mercado de trabalho formal sangra. Desde a posse do presidente, em dezembro de 2023, o país perdeu cerca de 241 mil postos de trabalho assalariados registrados no setor privado, o que equivale a uma retração de aproximadamente 4% na força de trabalho formal, segundo dados compilados pelo portal Abril.com.br.

O número de empresas com empregados registrados também encolheu no mesmo intervalo, reforçando a tese de que a chamada "moto-serra" fiscal de Milei, embora tenha freado a inflação e equilibrado as contas públicas, não foi acompanhada por uma retomada equivalente do emprego de carteira assinada. O resultado é uma recuperação assimétrica, em que parte dos argentinos que deixam o mercado formal migra para a informalidade ou para o trabalho por conta própria.

Quais são os números da recuperação econômica argentina?

Para entender por que o tema se tornou politicamente sensível, é preciso lembrar o cenário herdado por Milei. No fim de 2023, a Argentina registrava inflação acumulada próxima de 211% ao ano, com projeções de crescimento dos preços ainda mais alarmantes para 2024. O país carregava déficits fiscais primários crônicos, controle de câmbio rigoroso, reservas internacionais negativas e uma das maiores dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) da história.

O programa de ajuste implementado pelo ministro da Economia, Luis Caputo, e pelo próprio Milei combinou:

  • Devalução forte do peso argentino logo nos primeiros dias de governo.
  • Corte drástico de gastos públicos, subsídios e obras.
  • Demissão em massa de funcionários e fechamento de órgãos federais.
  • Abertura comercial e tentativa de desregulamentação ampla.
  • Fim gradual do déficit fiscal primário, alcançado ainda em 2024.

Em pouco mais de um ano, a inflação mensal recuou de picos acima de 25% para patares de um dígito, o câmbio se estabilizou dentro da banda de flutuação estabelecida e a atividade econômica voltou ao terreno positivo. O governo costuma apresentar esses indicadores como prova de que o "tratamento de choque" funciona.

Por que o emprego formal continua caindo?

Ocorre que a dinâmica do mercado de trabalho responde com mais lentidão do que os índices de preços e do que as contas públicas. A retração dos 241 mil postos formais reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais que o ajuste não conseguiu neutralizar.

Entre as principais explicações estão:

  1. Queda real da demanda interna: com recessão em 2024 e salários corroídos pela inflação passada, empresas reduziram quadros.
  2. Fim de programas e postos públicos: milhares de contratados do Estado foram desligados ou tiveram contratos não renovados.
  3. Aumento dos custos de contratação formal: com a desvalorização do peso, importados ficaram mais caros, pressionando margens e incentivando cortes.
  4. Crescimento da informalidade: trabalhadores migraram para atividades por conta própria, aplicativos de entrega e comércio de pequena escala, que não aparecem nas estatísticas formais.

Esse último ponto é considerado o mais preocupante por economistas argentinos ouvidos por diferentes veículos da imprensa local: a precarização substitui a geração de empregos de qualidade, o que limita a percepção popular de melhora, mesmo com a inflação cedendo.

O que muda na vida do trabalhador argentino comum?

Para grande parte da população, o ajuste de Milei significou perda de poder de compra, especialmente nos primeiros meses. Com os preços relativamente controlados em 2025, a população passou a olhar com mais atenção para variáveis como salário real, acesso a emprego e capacidade de consumo — indicadores que a inflação altíssima antes ofuscava.

Esse deslocamento da percepção é politicamente relevante: enquanto os argentinos reclamavam do preço do pão e do tomate, a inflação dominava o debate. Agora, com o tomate estabilizado, entra em cena o debate sobre "onde estão os empregos de qualidade?". Pesquisas de opinião recentes na Argentina já mostram queda na aprovação do governo justamente nos estratos de menor renda e nas regiões mais dependentes da indústria.

Como o desemprego na Argentina afeta o Brasil?

A crise do emprego formal argentino não é um problema doméstico isolado. O Brasil compartilha com o país vizinho uma fronteira de mais de mil quilômetros, o Mercosul como bloco econômico e relações comerciais bilaterais que movimentam bilhões de dólares por ano, especialmente nos setores automotivo, agrícola e de manufatura.

Alguns efeitos práticos para o lado brasileiro:

  • Queda nas exportações industriais: com menos renda disponível e empresas fechando, a Argentina compra menos veículos, máquinas e insumos do Brasil.
  • Pressão migratória na fronteira: argentinos em busca de trabalho continuam cruzando para cidades gêmeas como Uruguaiana, Santana do Livramento e Foz do Iguaçu.
  • Concorrência em produtos agrícolas: a Argentina voltou a exportar mais trigo, milho e derivados com a desvalorização do peso, pressionando preços internos no Brasil.
  • Incerteza regulatória: mudanças em tarifas, controles sanitários e políticas de importação argentinas impactam diretamente exportadores brasileiros.

Para o consumidor brasileiro, a consequência mais visível tende a ser a volatilidade de preços de alimentos e a possível retração de investimentos argentinos no Brasil, em um contexto em que a integração regional já é marcada por tensões internas no Mercosul.

O cenário político: o emprego como nova moeda eleitoral

A reportagem do Abril.com.br destaca que a estabilização dos preços diminuiu o peso da inflação na avaliação do governo. Com isso, "emprego, renda e capacidade de consumo passaram a ganhar importância" como termômetro da gestão Milei. A próxima eleição presidencial argentina está marcada para 2027, e a janela de tempo entre agora e o pleito será decisiva para definir se o atual presidente terá fôlego para buscar a reeleição ou para manter a hegemonia de sua coalizão, a La Libertad Avanza.

Para tentar estancar a sangria, o governo tem apostado em algumas medidas como novas linhas de crédito produtivo, programas de capacitação e reforma trabalhista — esta última alvo de críticas de centrais sindicais argentinas. Paralelamente, o Congresso debate projetos que tentam retomar parte dos programas sociais cortados no início do mandato, movimento que divide a base aliada do presidente.

Internamente, o quadro se torna mais desafiador porque o peronismo, principal força de oposição, reorganizou suas fileiras e passou a explorar justamente o tema do emprego e da queda de renda como bandeira de ataque. Governadores peronistas de províncias industriais, como Buenos Aires e Santa Fe, pressionam Milei com dados regionais de fechamento de fábricas.

O que esperar dos próximos meses na Argentina?

Analistas de mercado divididos sobre o futuro apontam caminhos distintos. De um lado, os mais otimistas defendem que a estabilidade macroeconômica alcançada em 2025 criará as condições para que investimentos privados voltem e, com eles, novos postos formais. Do outro, críticos alertam que sem políticas ativas de geração de trabalho, o país pode conviver com uma "normalidade sem prosperidade", na qual os indicadores macro melhoram, mas a vida cotidiana da maioria não acompanha.

Os pontos de atenção para os próximos meses incluem:

  • Evolução dos salários reais em relação à inflação residual.
  • Comportamento do risco-país, que já deu sinais de estresse em episódios recentes.
  • Resultado das eleições legislativas de meio de mandato, que costumam funcionar como termômetro do humor eleitoral.
  • Avanço ou recuo da reforma trabalhista e dos programas de incentivo à formalização.

Perguntas frequentes sobre o mercado de trabalho na Argentina sob Milei

Quantos empregos formais a Argentina perdeu desde a posse de Milei?
Cerca de 241 mil postos de trabalho assalariados registrados no setor privado foram eliminados, o que representa aproximadamente 4% da força de trabalho formal, segundo o portal Abril.com.br.

A economia argentina está crescendo apesar da perda de empregos?
Sim. A atividade econômica voltou ao terreno positivo após a recessão de 2024, a inflação despencou de patamares de três dígitos e o governo eliminou o déficit fiscal primário, em um cenário de recuperação considerada desigual.

Para onde vão os trabalhadores que perdem o emprego formal?
Parte migra para a informalidade, para o trabalho por conta própria ou para plataformas digitais de serviços, como entrega e transporte, que não oferecem proteção previdenciária nem vínculo empregatício formal.

Qual o impacto dessa crise para o Brasil?
A retração argentina afeta exportações industriais brasileiras, pressiona preços agrícolas no Mercosul e mantém o fluxo migratório na fronteira, além de criar incerteza para investidores dos dois lados.

Quando será a próxima eleição presidencial na Argentina?
O calendário eleitoral argentino prevê a próxima votação presidencial para 2027, período em que a questão do emprego formal deve se tornar central no debate político.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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