Economia

BYD vende 411 mil em julho e mantém hegemonia no mercado chinês de NEV

Crescimento de dois dígitos sobre 2024 amplia a vantagem da fabricante sobre Tesla e demais rivais no setor de eletrificados.

BYD vende 411 mil em julho e mantém hegemonia no mercado chinês de NEV

O mercado chinês de veículos de nova energia (NEV) viveu em julho mais um mês de expansão, com a BYD reafirmando a liderança absoluta entre as montadoras do país, enquanto marcas de rápido crescimento, como a Leapmotor, passaram a rivalizar diretamente com tradicionais grupos estatais. Os dados, compilados pelo portal Noticiasautomotivas.com.br, mostram um setor que combina escala recorde, diversificação de portfólio e forte internacionalização.

BYD mantém hegemonia e emplaca o terceiro mês seguido de crescimento

A BYD comercializou 411.072 automóveis de passeio em julho, mantendo-se à frente de gigantes como SAIC e Geely no ranking geral do segmento de passageiros. O volume representou o terceiro mês consecutivo de crescimento em bases anuais, consolidando a recuperação da companhia após um início de ano mais irregular e reforçando a posição da marca como maior fabricante de NEV do mundo.

Além do desempenho doméstico, o resultado internacional chamou atenção: as vendas fora da China se aproximaram de 180 mil unidades no mês, estabelecendo um novo recorde para a empresa no exterior. O movimento reflete a estratégia agressiva de expansão da BYD em mercados como Brasil, Tailândia, Europa e Oriente Médio, sustentada por uma rede própria de concessionárias, fábricas locais e uma linha que vai de modelos populares como o Dolphin a utilitários premium da submarca Yangwang.

Fang Cheng Bao cresce quase 200% e ganha peso no grupo

Dentro do ecossistema BYD, a Fang Cheng Bao — submarca voltada a SUVs e veículos off-road de maior valor agregado — emplacou 41.213 unidades em julho, um salto de 190,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho confirma a aposta do grupo em segmentar a oferta, atacando um perfil de consumidor que busca produtos mais robustos e tecnológicos.

Com linhas como o Bao 5 e o Bao 8, a Fang Cheng Bao vem ganhando tração justamente em um nicho onde a BYD principal não tinha presença forte, abrindo caminho para uma disputa direta com rivais como a Fang Cheng (Great Wall) e futuros lançamentos de outras marcas chinesas focadas em utilitários 4x4 eletrificados.

Leapmotor ultrapassa Changan e rompe a barreira das 100 mil unidades

Pela primeira vez, a Leapmotor ficou acima da Changan no ranking mensal de eletrificados e, ao mesmo tempo, ultrapassou a marca simbólica de 100 mil veículos vendidos em um único mês. O movimento é relevante porque coloca uma fabricante relativamente jovem — fundada em 2015 e atualmente parceira da Stellantis — à frente de uma estatal tradicional com décadas de história e linha completa.

O resultado sugere que a lógica do mercado chinês de NEV já não é mais ditada apenas pelos grandes grupos históricos. Iniciativas com plataformas próprias, integração vertical de software e parcerias com gigantes globais, como o acordo da Leapmotor com a Stellantis, estão redesenhando a hierarquia do setor em ritmo acelerado.

O que esse movimento significa para o consumidor brasileiro?

Para o leitor no Brasil, o recado é direto: a próxima onda de carros eletrificados vendidos por aqui virá, em boa parte, da China. Marcas como BYD, GWM, Chery, Leapmotor (já com presença local via Stellantis) e MG (do grupo SAIC) já operam ou estão se estruturando no mercado brasileiro, e a escalada de produção observada em julho pressiona para baixo os preços e acelera a chegada de novos modelos.

Na prática, isso se traduz em três efeitos concretos:

  • Mais opções de eletrificados: SUVs, sedãs e hatches chineses ampliam o leque hoje restrito a poucas marcas.
  • Preços mais competitivos: a disputa por participação no maior mercado de NEV do mundo força redução de margens e favorece consumidores externos.
  • Aceleração da infraestrutura: a chegada de mais modelos elétricos e híbridos plug-in demanda — e incentiva — investimentos em recarga e售后.

Cenário macro: por que a China segue acelerando

O bom desempenho de julho não é um caso isolado. A China responde por mais de 60% das vendas globais de veículos eletrificados, impulsionada por políticas de subsídio, placas verdes com prioridade em grandes cidades e uma cadeia de baterias — em grande parte com células LFP — totalmente dominada por fornecedores locais, como CATL e BYD.

Mesmo com a redução gradual de incentivos governamentais, o mercado continua crescendo porque a eletrificação já deixou de ser projeto experimental e se tornou o eixo central das estratégias de praticamente todas as montadoras que atuam no país. Para 2025, as projeções de diferentes consultorias apontam para volumes superiores a 12 milhões de NEV vendidos na China ao longo do ano.

Como o ranking chinês se compara ao mercado global

Para dimensionar o que significa a BYD emplacar mais de 411 mil carros de passeio em um único mês, vale um parâmetro: nenhuma montadora tradicional ocidental vende, no mundo inteiro, um volume mensal sequer próximo disso em eletrificados. A Tesla, principal rival global da BYD, divulga entregas trimestrais da ordem de 400 a 450 mil unidades, distribuídas em três meses. A fabricante chinesa, portanto, opera em uma escala que nenhuma concorrente estrangeira consegue replicar.

Esse fosso de volume se traduz em capacidade de investimento, velocidade de atualização de produtos e — cada vez mais — em poder de definição de padrões técnicos para o restante da indústria, do formato das baterias ao design de motores elétricos.

Perguntas frequentes

1. O que são considerados veículos de nova energia na China?

A categoria NEV inclui veículos 100% elétricos a bateria (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e veículos elétricos de autonomia estendida (EREV). No ranking geral, porém, são considerados apenas automóveis de passeio, excluindo veículos comerciais.

2. Por que a BYD vende tão mais que as concorrentes chinesas?

A empresa combina escala industrial, integração vertical — produz suas próprias baterias e semicondutores — e uma linha que cobre do segmento de entrada ao premium, com submarcas como Denza, Yangwang e Fang Cheng Bao.

3. A Leapmotor já vende carros no Brasil?

A Leapmotor chegou ao mercado brasileiro por meio da parceria com a Stellantis, que produz e distribui modelos da marca em fábricas locais. A operação ainda é incipiente em volume, mas deve crescer nos próximos anos.

4. O que é a Fang Cheng Bao?

É uma submarca da BYD focada em SUVs e picapes de perfil off-road e tecnológico, com modelos como o Bao 5 e o Bao 8. Funciona de forma semelhante a como a Volvo e a Polestar operam dentro do grupo Geely.

5. Marcas como SAIC e Geely ainda disputam a liderança?

Sim, mas em ritmo menor no segmento NEV. A Geely mantém força por meio de marcas como Zeekr e pela própria Volvo; a SAIC compete sobretudo com a MG, que tem forte presença também no Brasil. No agregado de eletrificados, porém, a BYD continua disparada à frente.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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