Caiado oficializa candidatura à Presidência pelo PSD, mas estreia cercado de apoios pontuais e ausência de aliados-chave
A pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), à Presidência da República foi oficializada neste domingo (26), em um cenário descrito como de isolamento político. Segundo reportagem do portal Abril.com.br, o lançamento aconteceu sem o apoio nacional de nenhuma outra sigla e sem a presença de quadros importantes do próprio partido — entre os quais o governador de Minas Gerais, Romeu Zema; o candidato ao governo mineiro pelo PSD, Mateus Simões; a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; e o pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
A dez dias do fim do prazo das convenções partidárias, o cenário revela o tamanho do desafio que o governador de Goiás terá pela frente para tentar viabilizar uma campanha nacional competitiva. O vice na chapa e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, praticamente descartou a possibilidade de uma composição com outras legendas.
Quem não está com Caiado neste início de campanha?
O cenário desenhado por aliados e rivais internos do PSD mostra que a candidatura de Caiado começa sem o suporte de quatro das principais figuras do partido em estados decisivos para qualquer disputa presidencial:
- Romeu Zema (Novo/PSD em Minas Gerais): o governador de Minas Gerais, que mantém diálogo próximo com o PSD mineiro, não esteve presente no ato de oficialização.
- Mateus Simões: escolhido para suceder Zema no Palácio Tirana, é uma das apostas do partido em Minas e também não compareceu.
- Raquel Lyra: governadora de Pernambuco e uma das vozes mais expressivas do PSD no Nordeste, ficou fora do evento.
- Eduardo Paes: pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, que ainda tenta costurar apoios no estado, organizará palanques próprios com múltiplos partidos.
Esse conjunto de ausências não é apenas simbólico. Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro estão entre os colégios eleitorais mais relevantes do país e, tradicionalmente, decisivos em qualquer disputa pelo Planalto. A ausência de Paes, por exemplo, retira do palanque presidencial do PSD uma das maiores máquinas eleitorais do estado mais populoso do Sudeste.
O que disse Gilberto Kassab sobre as negociações?
Presidente nacional do PSD e vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab foi direto ao comentar o resultado das conversas com outros partidos. Segundo ele, simplesmente não houve “solo fértil” para uma aliança nacional em torno do nome do governador de Goiás.
“O União negou a candidatura para o Caiado, por isso ele está no PSD”, afirmou Kassab, em fala reproduzida pelo portal Abril.com.br. O dirigente acrescentou que as negociações com legendas menores também não prosperaram porque muitas delas estão ameaçadas pela cláusula de barreira — mecanismo que limita o funcionamento parlamentar de partidos que não atingem um percentual mínimo de votos válidos.
“Estivemos conversando com [Romeu] Zema e a mesma coisa com o Missão. Os demais estão comprometidos com o bolsonarismo e o petismo, e nós não queremos compromisso com o bolsonarismo e o petismo”, declarou Kassab, sintetizando o cálculo do PSD de se manter distante dos dois polos que polarizaram as últimas eleições.
Eduardo Paes terá palanque múltiplo, diz Kassab
Apesar do isolamento da chapa presidencial, Kassab reconheceu que o PSD terá palanques diversificados em alguns estados. Ao falar especificamente do Rio de Janeiro, disse que o palanque de Eduardo Paes “será múltiplo, porque o Brasil precisa que Eduardo Paes seja governador do Rio de Janeiro”. O mesmo raciocínio foi aplicado a Raquel Lyra, que, “por circunstâncias locais, tem eleitores de todos os partidos”.
Em outras words, Kassab sinalizou que o partido não pretende prender seus candidatos estaduais ao projeto nacional — uma estratégia que pode diluir ainda mais a identidade da candidatura de Caiado, mas que tenta preservar a competitividade do PSD nas disputas regionais.
Quem estava ao lado do governador de Goiás?
Dos governadores do PSD, apenas dois compareceram ao ato de oficialização: Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Os dois são nomes de peso dentro do partido — e foram cotados, em diferentes momentos, para serem o próprio candidato do PSD à Presidência. A escolha por Caiado, no fim, indica a tentativa da legenda de emplacar um nome com identidade mais à direita e ligação direta com o agronegócio.
A ausência de Leite e Ratinho Junior do ato poderia ter significado uma debandada; em vez disso, os dois seguiram firmes ao lado de Caiado, o que ajuda a preservar ao menos a unidade interna do partido nas regiões Sul e Sudeste.
O que explica esse isolamento? Contexto político
Para entender o tamanho do desafio de Caiado, é preciso considerar alguns fatores:
1. O PSD vive uma encruzilhada estratégica. O partido se define como centro-direita e já integrou coalizões tanto com o PT quanto com o bolsonarismo em diferentes momentos. Em 2026, Kassab optou por tentar um caminho próprio — o que, na prática, restringe o leque de aliados.
2. A cláusula de barreira pressiona os pequenos. Diversos partidos menores, em vez de se aliarem a uma terceira via, preferem negociar apoio com PT ou PL para tentar sobreviver à regra que limita acesso a recursos do fundo partidário e tempo de TV.
3. O União Brasil foi o caminho que não deu certo. A migração de Caiado do União para o PSD, em busca de uma legenda para abrigar a pré-candidatura, evidencia a dificuldade do governador de Goiás em se encaixar em qualquer agremiação maior do bloco que não seja bolsonarista ou lulista.
4. Caiado aposta no “voto rural”. Tradicionalmente ligado à bancada do agronegócio e a pautas de segurança pública, o governador de Goiás tenta repetir a fórmula que o levou ao quarto mandato em Goiás — mas o desafio agora é nacional e em um ambiente de polarização intensa.
O que está em jogo nos próximos dias
Com as convenções partidárias se encerrando em poucos dias, o relógio trabalha contra qualquer movimento de fundo. A tendência é que a candidatura de Caiado siga sem grandes aliados nacionais, mirando consolidar um perfil próprio entre o eleitorado conservador que não se identifique com o bolsonarismo, mas que também rejeite o PT.
Se essa fatia for suficiente para tirar a disputa do segundo turno entre os dois polos tradicionais é a principal pergunta que rondará a campanha do PSD nas próximas semanas.
Perguntas frequentes
Quem é Ronaldo Caiado?
Ronaldo Caiado é médico e político, governador de Goiás pelo quarto mandato consecutivo. É uma das principais vozes da bancada ruralista no Congresso e figura ligada à direita e ao agronegócio brasileiro.
Por que Caiado está isolado na corrida presidencial?
Segundo o presidente do PSD, Gilberto Kassab, as outras legendas estão comprometidas com o bolsonarismo ou com o petismo, e o partido decidiu não compor com nenhum desses blocos. Além disso, partidos menores estão buscando sobreviver à cláusula de barreira.
Eduardo Paes apoia Caiado?
Não publicamente no ato de oficialização. Kassab afirmou que Paes terá palanque múltiplo no Rio de Janeiro, com apoios de diferentes partidos, o que na prática indica independência em relação à chapa presidencial.
Quais governadores do PSD apoiam Caiado?
Apenas Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) estiveram ao lado do governador de Goiás no ato de oficialização da pré-candidatura.
Qual é o prazo das convenções partidárias?
De acordo com o calendário eleitoral, as convenções devem ser realizadas até poucos dias antes do início do período de registro das candidaturas. O texto menciona que faltam dez dias para o fim desse prazo.
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