A China, que nos últimos anos consolidou liderança em energia renovável, deu um sinal de alerta: segundo o portal Xataka.com.br, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu pela primeira vez após uma década de mudanças, mas a decisão política e operacional do país parece estar em “modo de ajuste”. Em meio a condições climáticas adversas e pressões no abastecimento, o carvão voltou a ganhar espaço: entre janeiro e maio deste ano, a produção a partir de carvão e gás subiu 3,4% na comparação anual, atingindo 2,53 trilhões de kWh. No mesmo contexto, analistas citados pela Reuters indicam crescimento da geração a carvão na ordem de 1,5% a 2%.
O que está em jogo não é apenas uma métrica energética interna. A China é hoje o principal peso global em consumo de eletricidade e emissões associadas, e uma oscilação relevante na matriz pode afetar as metas climáticas — incluindo a promessa de atingir o pico das emissões antes de 2030. Para o Brasil, o tema se conecta diretamente a preços de energia, discussão sobre segurança hídrica e o debate sobre como acelerar transições energéticas sem comprometer o fornecimento.
Por que a China voltou a usar mais carvão em 2026 — e o que isso significa?
O ponto central, conforme descrito pelo Xataka.com.br com base em dados e análises de mercado, é que a “transição” não ocorre em linha reta. A combinação de fatores externos e internos empurrou o sistema elétrico chinês a recorrer a fontes fósseis por questões de capacidade disponível e estabilidade do suprimento.
Entre as explicações destacadas na reportagem estão:
- El Niño reduzindo chuvas no sudoeste da China, o que diminui a contribuição hidrelétrica em barragens da região;
- aumento do custo e dificuldade de acesso ao gás natural liquefeito (GNL) por causa do cenário geopolítico no Oriente Médio e das rotas marítimas;
- renováveis crescendo mais lentamente do que o planejado para 2025, criando uma lacuna de oferta frente à demanda.
Na prática, a China vem tentando balancear duas necessidades simultâneas: acelerar renováveis e, ao mesmo tempo, garantir eletricidade suficiente para uma economia que segue exigindo energia. Quando a geração hídrica cai e o ritmo das renováveis não acompanha a projeção, o sistema tende a buscar “combustíveis de prontidão”. É aí que o carvão aparece.
Como os números mostram essa pressão no setor elétrico?
Segundo o Xataka.com.br, com dados oficiais do Departamento Nacional de Estatísticas da China divulgados via Reuters, a geração de eletricidade a partir de carvão e gás cresceu 3,4% no período de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Esse total chegou a 2,53 trilhões de kWh.
Além disso, o texto aponta que estimativas de consultorias — como S&P Global Energy e Wood Mackenzie — sugerem crescimento da geração a carvão na casa de 1,5% a 2%. Já a Kpler, conforme reportado, calcula aumento de 3% no consumo de carvão pelo setor elétrico, totalizando 2,7 bilhões de toneladas.
Esses números ajudam a entender por que a “virada” não é totalmente linear: ainda que a China tenha reduzido o uso do carvão em um horizonte maior (uma queda após uma década, como menciona a fonte), o curto prazo pode reagir a eventos como El Niño, gargalos de gás e atrasos relativos na expansão renovável.
Por que a queda de uma década pode coexistir com aumento recente?
A aparente contradição — queda no uso do carvão ao longo de anos, mas aumento em 2026 — faz sentido quando separamos tendência estrutural de ajuste conjuntural.
Conforme o material do Xataka.com.br descreve, a década anterior foi marcada por uma expansão pesada de renováveis. Esse esforço gerou mudanças estruturais: mais capacidade instalada, redução de custos em tecnologias e melhora do planejamento de longo prazo. Porém, mesmo com megaprojetos e metas agressivas, o sistema precisa responder ao curto prazo, e isso é influenciado por clima, disponibilidade de combustíveis e velocidade de conexão de novas unidades.
Quando a hidrelétrica perde desempenho por falta de chuvas, a oferta elétrica total pode diminuir e o país “puxa” geração térmica para compensar. Se o gás estiver caro ou menos acessível, o carvão tende a ser acionado com mais frequência. É esse mecanismo de compensação que explica o recuo e o avanço em períodos diferentes.
El Niño e hidrelétricas: o elo que costuma pesar mais do que parece
O texto aponta que o El Niño reduziu as chuvas nas barragens do sudoeste da China, região relevante para a geração hidrelétrica. Em sistemas com grande participação de hidrelétricas, a redução de chuvas tem dois efeitos:
- reduz a geração direta das usinas;
- e, frequentemente, pressiona reservatórios, impactando a capacidade de manter a produção ao longo de meses.
Para estabilizar a rede, operadores recorrem a fontes despacháveis. Como o cenário de GNL foi descrito como mais caro e com acesso mais difícil, o “plano B” tende a ser o carvão e, em alguns casos, o gás a partir de rotas e contratos já existentes.
O que a geopolítica fez com o gás natural?
O Xataka.com.br relaciona o aumento de custo e dificuldade de acesso ao GNL ao conflito no Oriente Médio e às consequências de bloqueios e tensões em rotas críticas (como o Estreito de Ormuz é citado no material). Em termos práticos, isso significa que mesmo quando a China quer reduzir emissões usando gás como “ponte”, o custo e a logística podem limitar essa estratégia no curto prazo.
Além disso, a reportagem menciona que a China recorre a antigos acordos com a Rússia para otimizar o uso do gás. Assim, a matriz térmica fica mais dependente do que é mais disponível e economicamente viável naquele momento.
Em que ponto as metas de renováveis estão — e por que isso importa?
A reportagem relembra que a China acelerou a transição energética: em 2020, atingiu sua meta de 1.200 GW de energia eólica e solar até 2030, seis anos antes do previsto. Também é mencionado que, em meados de 2023, as renováveis já haviam superado o carvão em capacidade instalada.
Mesmo assim, o texto aponta que, para 2025, o crescimento das renováveis teria sido mais lento do que o projetado. Esse tipo de desvio pode acontecer por fatores industriais (cadeia de suprimentos), licenciamento, atrasos de conexão e variações de demanda. Resultado: a demanda por eletricidade pode continuar subindo, enquanto a oferta renovável não entra no ritmo esperado.
Como reforço adicional, a matéria afirma que a participação do carvão na matriz teria caído para 51,4% em 2025, segundo o think tank Agora Energy. Ao mesmo tempo, o aumento de demanda por eletricidade teria desacelerado: de 7% em 2024 para 5% em 2025, segundo a fonte citada. Ou seja: há desaceleração, mas não ausência de crescimento.
Por que isso é relevante para a meta climática global?
Se a China aumenta o peso do carvão em momentos de pressão no sistema, isso pode atrasar reduções de emissões em um período crucial. O Xataka.com.br destaca que a China é a maior consumidora de eletricidade e a maior emissora de dióxido de carbono do mundo.
O texto ainda cita o Carbon Brief indicando que Índia e China respondem por mais de 90% do aumento das emissões entre 2015 e 2024. Nesse cenário, qualquer oscilação relevante na China pesa para fora das fronteiras do país.
Daí a importância da promessa de atingir o pico de emissões antes de 2030 e de reduzir gradualmente a dependência de carvão até 2026 — conforme a reportagem relata que a China anunciou.
O que esperar daqui para frente: carvão, renováveis e “segurança energética”
O conjunto de dados descrito pelo Xataka.com.br sugere que a China está em uma fase de transição com trade-offs: aumentar renováveis e, simultaneamente, manter confiabilidade do sistema diante de choques climáticos e incertezas geopolíticas.
Nos próximos passos, três movimentos tendem a influenciar o rumo:
- Gestão do impacto climático: quanto tempo o El Niño vai afetar chuvas e hidrologia no sudoeste;
- Velocidade de entrega das renováveis: se o ritmo de expansão e conexão de eólica e solar se aproxima do planejado para compensar a demanda;
- Condições de combustível: custo e disponibilidade de gás natural (GNL) e alternativas regionais.
Para quem acompanha energia, isso se traduz em uma mensagem clara: metas ambientais precisam caminhar junto com segurança do abastecimento. Caso contrário, os sistemas elétricos buscam “substitutos” que podem custar caro em emissões.
Impacto para o Brasil: o que o leitor deve observar
Embora a China esteja do outro lado do planeta, a dinâmica descrita na reportagem conversa com debates brasileiros. O Brasil também vive desafios de equilíbrio entre matrizes, custo da energia, segurança hídrica e expansão de fontes renováveis.
Entre os pontos que fazem o tema “voltar” para o noticiário nacional estão:
- variabilidade de geração (chuvas e clima) e efeito direto na necessidade de complementação;
- dependência de térmicas como mecanismo de estabilidade em cenários adversos;
- sensibilidade a custos de combustíveis e a mudanças geopolíticas na oferta global.
Em termos práticos, acompanhar a China ajuda a entender tendências que podem influenciar investimentos, discussões regulatórias e até decisões de mercado ligadas a commodities energéticas — mesmo para países com matriz majoritariamente renovável.
Perguntas frequentes
O carvão caiu ou subiu na China?
Segundo o Xataka.com.br, a geração a carvão teria caído pela primeira vez após uma década, mas em janela recente (janeiro a maio) houve aumento da geração a carvão e gás, pressionando o sistema elétrico.
Quais fatores estão por trás do aumento recente do carvão?
A reportagem aponta El Niño afetando hidrelétricas, além de custo e dificuldade no acesso ao GNL e de renováveis crescendo mais lentamente do que o projetado para 2025.
Como isso afeta as metas climáticas da China?
O Xataka.com.br indica que, por a China ser a maior emissora e consumidora de eletricidade, recorrer mais ao carvão pode comprometer a trajetória de redução e a meta de pico antes de 2030.
Qual a relação com a promessa de reduzir a dependência do carvão até 2026?
A fonte afirma que a China anunciou essa redução gradual até 2026, mas o curto prazo pode contrariar a trajetória se choques climáticos e limitações de renováveis e gás se intensificarem.
Quais são os dados econômicos usados para estimar o cenário?
O material cita dados oficiais chineses e estimativas de consultorias: S&P Global Energy, Wood Mackenzie e Kpler, com números como crescimento percentual da geração e consumo.
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