Datafolha: Cleitinho Azevedo lidera disputa pelo governo de Minas Gerais com 32% das intenções de voto
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece na frente da corrida pelo Governo de Minas Gerais na primeira pesquisa Datafolha realizada após o registro oficial das candidaturas. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (21) e feito entre os dias 18 e 21 de agosto, mostra o parlamentar com 32% das intenções de voto, uma vantagem expressiva sobre os principais adversários em um estado com mais de 16 milhões de eleitores aptos a votar.
O resultado coloca a campanha mineira no centro do debate político nacional, já que Minas é o segundo colégio eleitoral do país e costuma funcionar como termômetro para o cenário presidencial. A disputa promete ser uma das mais acompanhadas do calendário eleitoral de 2026.
Como ficou a corrida segundo o Datafolha
Os números do levantamento indicam um cenário de clara fragmentação na oposição ao favorito. Depois de Cleitinho, há um empate técnico entre dois ex-prefeitos de Belo Horizonte:
- Cleitinho Azevedo (Republicanos): 32%
- Patrus Ananias (PT): 12%
- Alexandre Kalil (PDT): 12%
- Flávio Roscoe (PL): 4%
- Gabriel Azevedo (MDB): 4%
- Mateus Simões (PSD): 4%
- Túlio Lopes (PCB): 2%
- Rafael Duda (PSTU): 1%
- Ben Mendes (Missão): 1%
- Indira Xavier (UP): 1%
- Henrique Áreas (PCO): não pontuou
Os percentuais consideram os votos válidos — ou seja, excluem brancos, nulos e indecisos —, método padrão adotado pelo Datafolha em levantamentos eleitorais. A reportagem utilizou como base os dados publicados pelo portal Abril.com.br.
Quem é Cleitinho Azevedo, o líder da disputa
Senador por Minas Gerais e conhecido pelo estilo direto e pela atuação em temas de segurança pública, Cleitinho construiu a pré-campanha com forte presença nas redes sociais e aproximação com pautas conservadoras. Aos 32% no primeiro levantamento pós-registro, ele se consolida como o nome a ser batido, embora esteja aquém dos 50% necessários para vencer no primeiro turno.
O desempenho indica que o eleitor mineiro respondeu bem à estratégia de antecipação da campanha, mas ainda há um contingente significativo de votos indefinidos que pode redesenhar o cenário até outubro.
Patrus Ananias e Alexandre Kalil disputam o segundo lugar
Patrus Ananias, do PT, é um político com longa trajetória: foi prefeito de Belo Horizonte, ministro do Desenvolvimento Social e Agrário no governo Dilma Rousseff e deputado federal. Kalil, pelo PDT, comandou a capital mineira entre 2017 e 2022 e deixou o cargo com alta aprovação, o que lhe rendeu projeção nacional — chegou a ser cogitado como possível candidato à Presidência da República.
O empate técnico em 12% sugere que ambos disputam um eleitorado com perfil semelhante no campo da centro-esquerda, o que abre espaço para uma negociação de alianças ou mesmo um acordo de apoio mútuo nas próximas semanas. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, a distância entre os dois é estatisticamente irrelevante.
O desempenho dos demais candidatos
Empatados na terceira faixa aparecem três nomes com perfis distintos:
- Mateus Simões (PSD): atual governador, tenta a reeleição com o apoio declarado do ex-governador Romeu Zema (Novo). A campanha tem apostado na apresentação de resultados da gestão.
- Gabriel Azevedo (MDB): deputado estadual em busca de espaço na corrida majoritária.
- Flávio Roscoe (PL): empresário e candidato do bolsonarismo em Minas, conta com o endosso do senador Flávio Bolsonaro, uma das principais apostas do PL para garantir palanque próprio em Minas.
Os três somam 4% cada, dentro da margem de erro do levantamento. Isso significa que a corrida pelo segundo lugar está completamente aberta, com potencial de reorganização a partir de alianças partidárias e do tempo de televisão no horário eleitoral gratuito.
O que a margem de erro diz sobre o resultado
O Datafolha entrevistou 1.204 eleitores em Minas Gerais, com margem de erro máxima de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Na prática, isso significa que:
- A diferença entre os candidatos empatados em 12% (Patrus e Kalil) pode ser apenas estatística.
- Os nomes com 4% (Simões, Gabriel e Roscoe) podem oscilar entre 1% e 7% em um novo levantamento.
- O índice real de Cleitinho pode variar entre 29% e 35%.
Esses dados reforçam a leitura de que, embora o senador esteja à frente, ainda há muito espaço de variação até a abertura das urnas.
Quando ocorre o primeiro turno em Minas Gerais?
As eleições gerais de 2026 estão marcadas para o primeiro domingo de outubro, conforme calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O segundo turno, quando houver, acontece no último domingo do mesmo mês. Minas Gerais, pelo porte do eleitorado, costuma ter campanhas longas e alto volume de propaganda no rádio e na TV — fatores que tendem a alterar significativamente o cenário desenhado nas primeiras pesquisas.
Por que essa pesquisa importa?
Este é o primeiro levantamento do Datafolha feito após o encerramento do prazo de registros de candidatura, no último dia 15. Pesquisas anteriores eram pré-registro e refletiam um cenário de pré-candidatos. A partir de agora, os levantamentos passam a medir o apoio real a nomes efetivamente homologados pela Justiça Eleitoral, o que dá maior solidez à fotografia do momento.
Outro ponto relevante é que Minas Gerais tem tradição de apresentar disputas acirradas e reviravoltas. Em 2018, por exemplo, Romeu Zema venceu no segundo turno após aparecer em posição intermediária nas primeiras sondagens. Em 2022, o estado teve disputa definida por diferença apertada. A corrida de 2026 parece seguir esse roteiro de indefinição abaixo do primeiro lugar.
Próximos passos da campanha
Com o cenário desenhado pelo Datafolha, a expectativa é que as campanhas intensifiquem as articulações políticas nos próximos dias. Janela de alianças, escolha de vices, tempo de televisão e estratégias de propaganda devem ganhar centralidade. Movimentos de apoiadores dos candidatos menores em direção aos mais competitivos podem redesenhar completamente o quadro até o início de outubro.
Perguntas frequentes sobre a pesquisa em Minas Gerais
Quantos votos são necessários para vencer no primeiro turno em Minas?
Para ser eleito governador no primeiro turno, o candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos, desconsiderados brancos, nulos e abstenções. Como Cleitinho tem 32%, uma disputa em dois turnos segue como cenário mais provável.
Quem está atrás de Cleitinho na pesquisa para governador de MG?
Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) aparecem empatados em segundo lugar, ambos com 12% das intenções de voto, segundo o Datafolha.
Mateus Simões tem chance de reeleição?
No levantamento atual, o governador aparece com 4%, empatado tecnicamente com Gabriel Azevedo (MDB) e Flávio Roscoe (PL). A campanha aposta na continuidade da gestão e no apoio de Romeu Zema para crescer até outubro.
Flávio Roscoe é o candidato do bolsonarismo em Minas?
Sim. O empresário Flávio Roscoe é o candidato do PL ao governo mineiro e conta com o apoio declarado do senador Flávio Bolsonaro, conforme destacado pelo portal Abril.com.br.
Qual a margem de erro da pesquisa Datafolha em MG?
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Foram ouvidos 1.204 eleitores em Minas Gerais entre os dias 18 e 21 de agosto.
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