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Combustão custa 3,4 vezes mais que elétrico a cada 100 km

Levantamento compara gasto com litro da gasolina e tarifa do kWh residencial e expõe diferença que pesa no bolso do motorista.

Combustão custa 3,4 vezes mais que elétrico a cada 100 km

Carro a combustão pode custar mais que o triplo de um elétrico para rodar 100 km, aponta análise

A disparada dos preços dos combustíveis na Europa voltou a colocar na mesa uma pergunta que divide consumidores: quanto custa, de verdade, rodar 100 km num carro a gasóleo ou gasolina diante de um veículo elétrico? Uma conta simples divulgada pelo portal Sapo.pt mostra que o abastecimento de um automóvel movido a gasóleo pode sair por € 11,10 a cada 100 km, enquanto o mesmo percurso num elétrico carregado em casa pode custar apenas € 3,25 — uma diferença de 3,42 vezes a favor da eletricidade.

O cálculo, embora baseado em tarifas e consumos médios praticados em Portugal, ajuda a dimensionar o impacto da escolha entre um carro de combustão interna e um veículo elétrico no orçamento das famílias. No Brasil, onde a eletrificação da frota ainda engatinha mas avança com força, a lógica da economia se mantém, mesmo com preços de energia e de litro de combustível diferentes.

Como o cálculo foi feito

Para chegar ao número, o Sapo.pt utilizou premissas simples e transparentes, de modo que qualquer motorista pudesse reproduzir a conta em casa. Os parâmetros adotados foram:

  • Consumo do carro a gasóleo: 5 litros a cada 100 km.
  • Preço médio do gasóleo: € 2,22 por litro.
  • Consumo do carro elétrico: 16 kWh a cada 100 km.
  • Preço da eletricidade doméstica: € 0,2031 por kWh, com base na tarifa regulada.

Aplicando esses valores, o resultado é direto:

  • Gasóleo: 5 L × € 2,22 = € 11,10 a cada 100 km.
  • Elétrico (em casa): 16 kWh × € 0,2031 = € 3,25 a cada 100 km.

A diferença absoluta é de € 7,85 a cada 100 km percorridos, o que corresponde a uma poupança de aproximadamente 71% para quem opta pela eletricidade. Em outras palavras, segundo a análise do Sapo.pt, o motorista de um carro a gasóleo gasta hoje mais do triplo do que gastaria ao volante de um elétrico carregado na tomada residencial.

Por que os preços dos combustíveis voltaram a pesar no bolso

O cenário europeu de combustível mudou de figura desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Mesmo com o fim do conflito ainda distante e o reposicionamento gradual das cadeias de fornecimento, os preços do barril de petróleo e seus derivados dificilmente retornaram aos patamares anteriores à guerra. Relatórios do setor energético europeu já projetam valores próximos a € 3 por litro em alguns mercados em períodos de pico, o que tende a intensificar ainda mais o descolamento entre gasolina/gasóleo e eletricidade.

Esse movimento, somado ao avanço da mobilidade elétrica, ao barateamento gradual das baterias e à entrada de novos fabricantes no mercado, vem acelerando o processo de decisão de compra. Antes da guerra, a conta do combustível era um incômodo pontual; hoje, é um dos principais argumentos para repensar o tipo de veículo que vai sair da concessionária.

E no Brasil, qual é a realidade?

O cálculo original do Sapo.pt reflete a realidade portuguesa, com valores em euro e tarifas reguladas de energia. No Brasil, a equação envolve outros números, mas a tendência é semelhante: a eletricidade tende a oferecer um custo por quilômetro inferior ao da gasolina ou do etanol, especialmente quando o carregamento é feito em casa, no horário fora do pico ou com tarifas especiais.

De modo geral, no mercado brasileiro:

  • O litro da gasolina comum tem oscilado em torno de R$ 6 a R$ 7 nas principais capitais, dependendo da região e do período.
  • O preço da energia elétrica residencial gira em torno de R$ 0,75 a R$ 1,00 por kWh, considerando bandeiras tarifárias e impostos.
  • Veículos elétricos vendidos no país — de marcas como BYD, Caoa Chery, GWM e Volvo — apresentam consumo médio entre 15 kWh e 18 kWh a cada 100 km.

Esses números, combinados, costumam produzir uma economia de 50% a 70% no custo por quilômetro rodado para quem troca o motor a combustão pelo elétrico, ainda que o investimento inicial no veículo seja, em geral, mais alto.

Fatores que mudam a conta

Nenhuma análise é definitiva se ignorar variáveis importantes. Antes de fechar a compra, o consumidor deve considerar pelo menos cinco pontos:

  1. Local de carregamento: carregar em casa costuma ser a opção mais barata. Postos públicos de recarga rápida podem cobrar valores até cinco vezes maiores que a tarifa residencial.
  2. Tipo de uso: quem roda principalmente na cidade e tem como recarregar à noite aproveita melhor a economia. Viagens longas em rodovia ainda exigem planejamento de paradas e recarga.
  3. Preço de aquisição: o elétrico ainda tem entrada mais cara, mas a diferença vem caindo com a ampliação do catálogo e a produção local.
  4. Manutenção: motores elétricos têm menos peças móveis, o que reduz visitas à oficina e trocas de óleo, filtros e correias.
  5. Valor de revenda: a demanda por usados elétricos cresce no Brasil, embora o mercado ainda esteja em formação.

Quando o elétrico compensa menos?

Apesar da economia operacional, há situações em que a conta não fecha tão bem. Para o consumidor que roda poucos quilômetros por mês e não tem acesso fácil a uma tomada em garagem, o ganho de eficiência pode não compensar o investimento maior na compra. O mesmo vale para quem depende quase exclusivamente de carregadores rápidos em estrada — neles, o kWh é vendido a preços que se aproximam do litro do combustível.

Outro ponto de atenção é a depreciação: enquanto alguns modelos elétricos premium já têm mercado de usados consolidado, opções mais baratas ainda sofrem desvalorização mais acelerada, à medida que novos modelos chegam ao mercado com tecnologia superior.

O que vem pela frente

A expectativa de fabricantes e de órgãos regulatórios é que o custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) de um veículo elétrico se equipare ao de um modelo a combustão ainda nesta década. A queda no preço das baterias de íon-lítio, a ampliação da rede de recarga e a chegada de novos modelos mais acessíveis tendem a acelerar esse processo. No Brasil, programas de incentivo fiscal e linhas de financiamento específicas para eletrificados já começam a reduzir a distância entre as duas tecnologias.

Enquanto isso, contas como a divulgada pelo Sapo.pt seguem sendo úteis como termômetro: mostram que, para quem tem perfil de uso urbano e acesso à recarga domiciliar, a decisão pelo elétrico pode representar uma economia mensal relevante, com impacto direto no orçamento familiar.

Perguntas frequentes

1. Um carro elétrico realmente custa menos para rodar do que um a combustão?

Na maioria dos cenários, sim. A conta do Sapo.pt mostra que o custo por 100 km num elétrico pode ser até 3,42 vezes menor do que num carro a gasóleo, considerando recarga residencial. A proporção se mantém em diferentes mercados, embora os valores absolutos variem.

2. Carregar o carro elétrico em casa é mais barato do que em postos públicos?

Em geral, sim. A tarifa residencial costuma ser significativamente menor que o preço cobrado em carregadores rápidos públicos, que precisam cobrir custos de instalação, operação e demanda de potência.

3. Qual é a autonomia média de um carro elétrico hoje?

Modelos atuais vendidos no Brasil oferecem autonomia real entre 250 km e 500 km, dependendo da capacidade da bateria e do estilo de condução. Carregar à noite, em casa, garante o "tanque cheio" para o dia seguinte na maioria dos usos urbanos.

4. Vale a pena comprar um elétrico no Brasil em 2025?

Para motoristas que rodam bastante na cidade, têm onde recarregar em casa e pretendem manter o veículo por vários anos, a economia com combustível e manutenção tende a compensar o investimento inicial maior. Quem roda pouco ou depende de viagens longas precisa avaliar com mais cuidado.

5. Os preços da gasolina podem subir ainda mais?

Segundo análises do setor energético europeu citadas na reportagem original, não se descarta que o preço do combustível alcance patamares próximos a € 3 por litro em alguns períodos, o que reforçaria a vantagem comparativa dos elétricos.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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