Economia

Compras na China: gastos de estrangeiros sobem 27,8%

O resultado destaca o peso crescente dos visitantes internacionais para o comércio local e para o setor de serviços.

Compras na China: gastos de estrangeiros sobem 27,8%

Estrangeiros estão gastando mais na China e transformando viagens a cidades como Xangai, Shenzhen e Guangzhou em oportunidades para comprar eletrônicos, produtos de inteligência artificial, roupas e itens de consumo. Entre janeiro e julho de 2026, os gastos de visitantes internacionais no país chegaram a 263,6 bilhões de yuans, cerca de US$ 39 bilhões — alta de 27,8% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério do Comércio chinês citados pelo portal Startupi.com.br. Para brasileiros, a isenção de visto por até 30 dias e a ampliação de opções de pagamento ajudam a tornar esse tipo de viagem mais acessível.

Por que estrangeiros estão viajando à China para fazer compras?

A combinação de entrada facilitada, pagamentos digitais mais acessíveis e restituição de impostos no próprio comércio reduziu alguns obstáculos que antes complicavam as compras de visitantes estrangeiros. Com isso, passeios por pontos turísticos tradicionais continuam no roteiro, mas podem dividir espaço com lojas, mercados especializados e centros de tecnologia.

O aumento nos gastos é um indicador do movimento, mas não significa que cada visitante esteja gastando mais: o dado divulgado é agregado e não informa quanto cada pessoa desembolsou nem quantos turistas fizeram compras. Ainda assim, junto aos números de entradas e às informações sobre reembolsos, aponta para uma atividade comercial mais intensa entre viajantes internacionais.

O que mudou para facilitar a viagem de brasileiros à China?

Desde 1º de junho de 2025, brasileiros podem entrar na China sem visto por até 30 dias para turismo ou negócios, de acordo com a informação publicada pelo Startupi.com.br. A medida foi prorrogada até 31 de dezembro de 2026. O Brasil está entre os países latino-americanos incluídos na iniciativa, ao lado de Argentina, Chile, Peru e Uruguai.

A isenção reduz uma etapa burocrática para quem se enquadra nas condições anunciadas, mas não elimina a necessidade de planejar a viagem. O visitante deve conferir as regras vigentes, os documentos exigidos e os limites de permanência antes de embarcar, especialmente porque políticas de entrada podem mudar.

A China também oferece um regime de trânsito sem visto de até 240 horas para viajantes elegíveis. Essa modalidade é diferente de uma viagem turística comum: antes de contar com ela, é importante verificar os critérios aplicáveis ao itinerário e à nacionalidade. O prazo de 240 horas não deve ser interpretado como uma autorização geral para qualquer tipo de visita.

Os números de circulação ajudam a dimensionar a mudança. De janeiro a agosto de 2026, a China registrou 61,29 milhões de entradas e saídas de estrangeiros, alta de 19,5% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Desse total, 23,72 milhões ocorreram sem visto, um crescimento de 26,8%. São registros de movimentos de fronteira, não uma contagem de turistas únicos.

Como estrangeiros pagam compras na China?

Alipay e WeChat Pay, dois dos principais serviços de pagamento digital usados no país, passaram a aceitar cartões estrangeiros, segundo a referência. Isso permite que visitantes paguem por meio de códigos QR, um método comum no comércio chinês, sem depender exclusivamente de dinheiro em espécie.

Para quem viaja do Brasil, a mudança pode facilitar compras em lojas e mercados onde o pagamento digital é habitual. Antes da viagem, porém, vale confirmar se o aplicativo escolhido aceita o cartão do viajante e verificar as condições de uso. A informação disponível não detalha eventuais tarifas, limites ou compatibilidade de cada cartão.

Como funciona a restituição de impostos para turistas?

Desde abril de 2025, a China permite que visitantes recebam a devolução do imposto de compras destinadas à saída do país diretamente em lojas habilitadas, sem esperar pelo processamento no aeroporto. Esse modelo é conhecido como restituição imediata ou reembolso instantâneo.

O crescimento relatado é expressivo: em um ano, mais que triplicou o número de turistas que solicitaram a restituição, enquanto o uso do sistema instantâneo aumentou quase 13 vezes. O país tinha cerca de 14 mil lojas credenciadas, das quais mais de 8 mil ofereciam devolução na hora, de acordo com os dados citados pelo Startupi.com.br.

Desde setembro de 2026, o procedimento passou a ser totalmente digital, sem papel, conforme a mesma fonte. Isso pode simplificar a experiência, mas não significa que qualquer compra dê direito ao benefício. O viajante deve procurar estabelecimentos participantes e confirmar as regras, os produtos elegíveis e as condições para levar os itens para fora da China.

Quais produtos atraem compradores estrangeiros?

Em Shenzhen, o mercado de eletrônicos de Huaqiangbei recebe, em média, 8 mil compradores estrangeiros por dia. Entre janeiro e julho de 2026, as vendas de produtos com inteligência artificial cresceram 55% no local. As de óculos inteligentes dobraram, enquanto drones e robôs tiveram avanço entre 60% e 70%, segundo os dados apresentados na fonte.

O interesse vai além dos aparelhos mais recentes. Entre os produtos que viajantes levam da China estão celulares de marcas chinesas, eletrodomésticos, roupas e itens de consumo, como chás de Chengdu e salgadinhos de Changsha. Também há procura por mercadorias de atacado em cidades como Chongqing e Yiwu.

O apelo para o consumidor pode estar na variedade e nos preços encontrados em determinados segmentos. A referência aponta que alguns produtos tecnológicos podem custar menos do que no Ocidente, mas não fornece uma comparação detalhada por marca ou modelo. Portanto, não é possível concluir que toda compra será mais barata: preço, garantia, compatibilidade, impostos e regras de bagagem podem alterar a vantagem final.

O que o brasileiro deve considerar antes de comprar?

  • Confirme as regras de entrada: verifique se a isenção de visto e o prazo de permanência continuam válidos para as datas e o objetivo da viagem.
  • Confira pagamentos: consulte as condições do Alipay ou do WeChat Pay e a aceitação do cartão antes de depender deles durante a estadia.
  • Procure lojas habilitadas: a restituição de impostos não deve ser presumida em qualquer estabelecimento; confirme a participação e as regras no local.
  • Compare o custo total: avalie preço, transporte, garantia, compatibilidade e eventuais custos aplicáveis ao retornar ao Brasil.
  • Guarde comprovantes: notas e registros de compra podem ser úteis para o reembolso e para esclarecer a origem dos produtos.

Esses cuidados não anulam a oportunidade de comprar, mas ajudam a evitar que uma diferença de preço aparente se transforme em gasto inesperado. A viagem também pode combinar turismo e compras: os pontos históricos e culturais seguem no roteiro, enquanto centros comerciais e mercados especializados oferecem outra forma de conhecer a economia local.

O crescimento das compras muda o turismo chinês?

Os dados sugerem que a experiência do visitante está se diversificando. A facilidade de entrar, pagar e solicitar restituição aproxima o turismo de atividades comerciais que antes podiam ser mais trabalhosas para quem vinha de fora. Em cidades como Shenzhen, a concentração de produtos eletrônicos e novidades tecnológicas também contribui para atrair compradores interessados em setores específicos.

Para o Brasil, a isenção de visto representa uma oportunidade de acesso mais simples, mas os números de 2026 não permitem afirmar quantos brasileiros foram à China nem quanto gastaram. Também não há, na referência, estimativas sobre o impacto dessa tendência no comércio brasileiro ou sobre a economia total gerada por cada visitante.

O sinal mais claro é que compras e turismo passaram a coexistir com maior intensidade. Se a tendência continuará crescendo dependerá da manutenção das políticas de entrada, da conveniência dos pagamentos e da atratividade dos produtos e serviços oferecidos aos visitantes.

Perguntas frequentes sobre compras na China

Brasileiro precisa de visto para turismo na China em 2026?

Brasileiros podem entrar sem visto por até 30 dias para turismo ou negócios, conforme a política informada pela fonte, prorrogada até 31 de dezembro de 2026. É recomendável conferir as regras oficiais antes da viagem.

Estrangeiros conseguem pagar com cartão na China?

Alipay e WeChat Pay aceitam cartões estrangeiros, permitindo pagamentos por QR code. A aceitação pode depender das condições do aplicativo e do cartão usado.

Todo turista pode pedir restituição de imposto?

Não é possível afirmar que toda compra seja elegível. O viajante deve confirmar os requisitos e procurar uma loja credenciada antes de contar com o reembolso.

Quais produtos são mais procurados por compradores estrangeiros?

Entre os itens citados estão eletrônicos, produtos de inteligência artificial, óculos inteligentes, drones, robôs, celulares, eletrodomésticos e roupas. A procura também inclui alimentos e mercadorias de atacado.

Os preços na China são sempre menores que no Brasil?

Não. A fonte aponta oportunidades em alguns produtos, mas não apresenta comparação ampla de preços. É preciso considerar modelo, garantia, compatibilidade e custos associados à compra e ao retorno.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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