FIFA reabre debate sobre Copa do Mundo com 64 seleções após o Mundial de 2026
A Fifa confirmou que voltará a discutir oficialmente a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções assim que a edição de 2026 chegar ao fim. A declaração foi feita pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, durante agenda oficial da entidade. Segundo ele, o tema será encaminhado aos comitês competentes ainda neste ciclo, antes da definição final do torneio de 2030. A proposta, apresentada pela Conmebol em 2025, ganhou novo fôlego justamente por causa das comemorações do centenário do Mundial.
A informação foi originalmente publicada pelo portal Terra.com.br e reacende uma das discussões mais polarizantes do futebol mundial: até que ponto expandir a Copa garante inclusão sem comprometer a competitividade? A medida divide confederações, gera receio em clubes europeus e abre um debate logístico sem precedentes na história do torneio.
Como a Copa do Mundo foi crescendo ao longo das décadas
Para entender o peso da proposta, vale recapitular a trajetória de ampliação do torneio. A primeira Copa, em 1930, no Uruguai, contou com 13 participantes em caráter excepcional. Entre 1934 e 1978, o formato se estabilizou em 16 seleções. A Fifa saltou para 24 equipes em 1982, na Espanha, e permaneceu com esse número até a edição de 1994, nos Estados Unidos. De 1998 a 2022, o Mundial foi disputado por 32 seleções, fase que consolidou a era moderna da competição. Em 2026, será a vez de 48 países participarem — uma expansão de 50% em relação ao modelo vigente nas últimas oito edições.
Agora, o salto para 64 times representaria um novo aumento de 33%, levando o torneio a patamares jamais vistos. Para se ter ideia do impacto, o Mundial de 2026 com 48 seleções já prevê 104 partidas, contra 64 do formato anterior. Uma edição com 64 participantes poderia ultrapassar a marca de 130 jogos, exigindo um calendário esticado por quase dois meses.
Por que a Conmebol quer uma Copa maior em 2030
A proposta nasceu dentro da Confederação Sul-Americana de Futebol e tem um símbolo claro: 2030 marca os 100 anos da primeira Copa do Mundo, realizada em Montevidéu, em 1930. A ideia de uma entidade que reúne Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Venezuela é transformar a data em um marco histórico, ampliando o número de países representados no torneio.
O próprio Infantino endossou publicamente o espírito inclusivo da proposta, ao afirmar que a Copa precisa ser organizada "para o mundo inteiro, não apenas para a Europa e a América do Sul". Para a Conmebol, a medida abriria portas para nações pequenas, com tradição futebolística menor, mas com forte identificação cultural com o esporte. Países como Bolívia, Paraguai e diversas seleções do Caribe, da Ásia e da África poderiam sonhar com a classificação de forma mais concreta.
Quem é contra e quem é a favor da expansão
A proposta não é unanimidade entre as confederações. O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, foi um dos primeiros a se posicionar publicamente contra a medida, classificando a expansão como uma "má ideia". A entidade europeia, que reúne as principais potências do futebol mundial, teme uma diluição do nível técnico e, sobretudo, um colapso no calendário de clubes e seleções nacionais.
Dirigentes da Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e Caribe) e da Confederação Asiática também manifestaram preocupação, embora em menor grau. O receio principal não é apenas esportivo, mas logístico: sediar uma Copa com 64 seleções exige pelo menos 12 a 14 arenas de alto padrão, com infraestrutura de transporte, hospedagem e segurança compatível com a magnitude do evento.
Do outro lado, além da Conmebol, há expectativa positiva por parte de confederações da África (CAF) e da Oceania (OFC), que veem na ampliação uma chance real de aumentar o número de vagas para seus países.
O que muda na prática para o futebol mundial
A expansão para 64 seleções traria impactos profundos em várias frentes. Confira os principais pontos em análise:
- Número de jogos: Saltaria de 104 para algo próximo de 128 ou mais partidas, dependendo do novo formato de fases.
- Duração do torneio: Provavelmente precisaria ser estendido para cerca de 50 a 55 dias, contra os 39 dias previstos para 2026.
- Custos operacionais: Estimativas indicam aumento de 30% a 40% nos gastos com hospedagem, logística, arbitragem, segurança e transmissão.
- Faturamento: A Fifa projeta receitas bilionárias com mais jogos, ampliando contratos de televisão e patrocínios — o que reforça o argumento econômico da expansão.
- Calendário de clubes: Conflitos diretos com ligas nacionais e competições europeias, já saturadas com partidas.
Por que a discussão interessa diretamente ao Brasil
O Brasil é pentacampeão mundial e nunca ficou de fora de uma Copa desde a sua criação. Por isso, a classificação brasileira é praticamente certa em qualquer formato. O impacto direto para o torcedor brasileiro está em outras camadas. Uma Copa com mais jogos significa mais partidas transmitidas, maior exposição de jogadores da seleção e, eventualmente, mais oportunidades para clubes e atletas do futebol nacional.
Há ainda um ponto simbólico: em 2030, o Brasil pode ser um dos candidatos a sediar jogos da edição centenária, caso a Fifa mantenha a tradição de distribuir partidas por países-sede — o que já ocorreu nas Copas de 2002 (Coreia do Sul e Japão), 2026 (EUA, Canadá e México) e na própria abertura simbólica de 2030, com partidas em Uruguai, Argentina e Paraguai.
Quais são os próximos passos dentro da Fifa
O cronograma interno da entidade prevê que a proposta seja encaminhada aos comitês relevantes logo após a final da Copa de 2026. A expectativa é que as discussões ganhem corpo ao longo de 2027 e 2028, com consultas formais às seis confederações continentais. A decisão final sobre o formato do Mundial de 2030 deve ser tomada em assembleia da Fifa, com previsão para 2028 ou 2029.
Vale destacar que a votação costuma seguir a lógica de uma federação, um voto, mas o peso político da Uefa, que reúne mais de 50 federações europeias, costuma ser determinante. Uma eventual aprovação exigiria não apenas maioria simples, mas um amplo consenso, justamente para evitar o desgaste de aprovar uma mudança estrutural sob forte resistência de uma das confederações mais influentes.
Possíveis cenários para 2030
Apesar do debate, o desfecho ainda é incerto. Os cenários mais discutidos nos bastidores são:
- Manutenção do formato de 48 seleções: Seria a opção mais conservadora, com menor impacto logístico.
- Edição especial de 64 seleções em 2030: Alternativa defendida pela Conmebol, mas vista com desconfiança por europeus.
- Modelo híbrido: Com 48 ou 52 seleções, em meio-termo negociado entre as confederações.
Não há, até o momento, nenhuma definição oficial. Tudo o que se sabe é que o tema voltou oficialmente à mesa da Fifa e que a próxima Copa do Mundo será o ponto de partida para a discussão.
Perguntas frequentes sobre a Copa do Mundo de 64 seleções
Quando a Fifa vai decidir se a Copa terá 64 seleções? Ainda sem data confirmada. A Fifa informou apenas que o tema será discutido após o encerramento da Copa de 2026, antes da definição do torneio de 2030. A expectativa é que a decisão seja tomada entre 2028 e 2029.
Por que a Conmebol quer uma Copa com 64 seleções? A confederação sul-americana defende a ampliação como uma homenagem ao centenário da Copa do Mundo, que começou em 1930, no Uruguai. A ideia é permitir que mais países, inclusive de regiões com menor tradição no torneio, possam participar.
Quais confederações são contra a expansão? A Uefa é a principal opositora. O presidente Aleksander Čeferin classificou a proposta como uma má ideia. A Concacaf e a Confederação Asiática também manifestaram preocupação, principalmente em razão do calendário e da logística.
Quantos jogos teria uma Copa do Mundo com 64 seleções? O número depende do formato de fases, mas estimativas indicam algo entre 128 e 134 partidas, um salto significativo em relação às 104 previstas para 2026 e às 64 da era de 32 seleções.
A expansão para 64 seleções já está aprovada? Não. A proposta foi apresentada pela Conmebol em 2025, mas ainda precisa passar por análise dos comitês da Fifa e por votação na assembleia da entidade. Nada está oficialmente definido.
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