O longa-metragem nacional Corrida dos Bichos, do Prime Video, estreou no dia 7 de novembro com uma proposta que mistura referências brasileiras e elementos de ficção científica: em um Rio de Janeiro distópico, competidores usam máscaras de bichos para disputar uma prova violenta — e potencialmente mortal — com um prêmio milionário em jogo. O filme reúne três diretores — Ernesto Solis, Rodrigo Pesavento e Fernando Meirelles — numa divisão de tarefas que, segundo o trio contou ao portal Abril.com.br (editoria de VEJA), foi exigência da própria Amazon para tirar o projeto do papel.
O que é "Corrida dos Bichos" e por que o filme chamou a atenção da Amazon
Corrida dos Bichos parte de uma premissa simples e culturalmente brasileira: o jogo do bicho, tradição popular de apostas bastante enraizada no Rio de Janeiro, transportado para um futuro no qual a prática virou uma competição televised, ilegal e letal. A escolha não é acidental. Em entrevista ao portal Abril.com.br, Ernesto Solis, criador e co-diretor do longa, contou que a ideia nasceu há cerca de 20 anos, a partir de uma história em quadrinhos futurista ambientada na cidade.
"Vi aí uma oportunidade de falar do futuro, mas sem querer emular uma estética ou temática estrangeira. Era uma oportunidade de falar de um futuro muito brasileiro", disse Solis à publicação. O roteiro usa o jogo como metáfora: mais do que prever o amanhã, o filme quer funcionar como "uma alegoria da nossa sociedade, do presente, do passado e desse jogo social perverso", nas palavras do próprio diretor.
O conceito foi inicialmente apresentado a um produtor franco-português ligado a Luc Besson, que viu potencial na mistura de futurismo e Rio de Janeiro. Anos depois, o Prime Video adquiriu o projeto — e o transformou no que, segundo Fernando Meirelles, é o maior orçamento do estúdio no momento do anúncio.
Por que três diretores em vez de um
A resposta curta, segundo o que Meirelles contou à VEJA, é uma combinação de segurança institucional e matemática de produção. Em um primeiro momento, o pacote criativo era formado por Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento. Solis, embora com longa experiência em televisão, nunca havia dirigido um longa-metragem. Pesavento vinha da publicidade e do streaming, com boa mão para câmera e para a gramática cinematográfica — especialmente em cenas de ação.
Faltavam dois meses para a pré-produção quando a Amazon fez um movimento inesperado.
"A Amazon falou: 'Nem o Pesa nem o Ernesto fizeram longa, e este é o maior orçamento que temos no momento. Precisamos que você entre para o pessoal em Los Angeles se sentir seguro'", relatou Fernando Meirelles ao portal Abril.com.br.
Meirelles entrou, então, não para reescrever o projeto, mas como um fiador criativo diante da matriz norte-americana. Ele mesmo definiu o arranjo com clareza: "a visão era dele [Ernesto Solis], o roteiro era dele e ele sempre tinha a última palavra". Sua função foi tornar executável, no ritmo exigido, aquilo que Solis concebeu — e, como bônus, voltar a operar câmera depois de muitos anos.
Como ficou dividida a direção do filme
Para organizar um roteiro desse porte, o trio loteou as cenas em três blocos bem definidos, o que evitou sobreposição de comando e acelerou a produção. A divisão seguiu a seguinte lógica:
- Rodrigo Pesavento: responsável por todas as cenas de ação, área na qual tem mais familiaridade pela formação em publicidade e streaming.
- Ernesto Solis: comandou metade do drama, mantendo a autoria conceitual do projeto.
- Fernando Meirelles: assumiu a outra metade do drama e voltou a operar câmera — função que não exercia há tempos —, segundo relatou à publicação da Abril.
"Para um filme desse tamanho, foi bom ter três diretores para dividir a responsabilidade sem ninguém enlouquecer, permitindo uma preparação muito maior", resumiu Meirelles ao portal Abril.com.br.
O cronograma apertado que quase inviabilizou a produção
O orçamento previa 10 semanas de filmagem. Um pouco antes de as câmeras ligarem, o estúdio perdeu duas semanas desse calendário. Sem a equipe tripla, o filme não teria sido entregue no prazo — uma conta que Meirelles fez em entrevista ao veículo da Abril.
"Se não houvesse três diretores, não teríamos dado conta", afirmou. A fala de Solis reforça o ponto: "tinha que caber em um plano de filmagem apertado, então era importante ter três".
O que o retorno de Meirelles à câmera significa para o cinema brasileiro
Fernando Meirelles dispensa apresentações no circuito internacional: dirigiu Cidade de Deus (2002), indicado a quatro Oscars, e assinou trabalhos como O Jardineiro Fiel (2005) e 300 Anos de Madame Satã (2003). Quando resolveu voltar a operar câmera — trabalho físico, técnico, ao lado do diretor de fotografia —, ele descreveu o retorno como "sensacional", nas palavras publicadas pelo portal Abril.com.br.
A participação do cineasta no projeto também é um indicador de duas tendências no audiovisual brasileiro:
- A profissionalização dos longas nacionais sob demanda, com estúdios globais aportando em produções locais com orçamentos compatíveis com blockbusters;
- A busca por autores com voz autoral, em vez de soluções genéricas — a própria Amazon, segundo a entrevista, optou por preservar o conceito original de Solis em vez de substituí-lo.
Como o "jogo do bicho" virou metáfora política
Embora ilegalizado desde 1946, o jogo do bicho segue vivo em todo o Brasil e é especialmente associado ao cotidiano carioca, com suas bancas, pontos e animais-símbolo (avestruz, urso, cobra, entre outros). Transportá-lo para um futuro distópico é, segundo Solis, uma forma de discutir a manutenção de práticas sociais perversas em roupagens supostamente modernas.
O conceito é anterior a fenômenos como Jogos Vorazes (2012) e Round 6 (2021), ainda que dialogue com eles tematicamente. A diferença, defende Solis, é justamente a raiz brasileira: o animal que cada competidor usa não é arbitrário, mas carrega uma simbologia já presente na cultura popular nacional.
Onde assistir e o que esperar do filme
Corrida dos Bichos está disponível no catálogo do Prime Video, em todo o Brasil, desde o dia 7 de novembro. A produção se apresenta como uma das maiores apostas da Amazon no audiovisual nacional, tanto em orçamento quanto em ambição temática. Para quem busca ficção científica com sotaque brasileiro — e não apenas uma transposição de fórmulas estrangeiras —, o longa entra como um dos lançamentos mais comentados do calendário nacional.
Perguntas frequentes sobre Corrida dos Bichos
1. O que é Corrida dos Bichos?
É um longa-metragem brasileiro de ficção científica e suspense, disponível no Prime Video, que se passa em um Rio de Janeiro distópico onde competidores disputam uma prova violenta usando máscaras de bichos, em uma referência direta ao tradicional jogo do bicho.
2. Quem dirige o filme?
A direção é dividida entre três profissionais: Ernesto Solis (criador e autor do roteiro), Rodrigo Pesavento (responsável pelas cenas de ação) e Fernando Meirelles (que comanda parte do drama e voltou a operar câmera no projeto).
3. Por que a Amazon exigiu três diretores?
Segundo o que o trio contou ao portal Abril.com.br, a Amazon quis trazer Meirelles para o projeto por considerar que nem Solis nem Pesavento tinham experiência prévia em longas-metragens e que se tratava do maior orçamento do estúdio no momento. O objetivo era dar segurança à equipe em Los Angeles.
4. O filme é parecido com Jogos Vorazes ou Round 6?
Tematicamente, há diálogo com essas obras — competição mortal por prêmio milionário —, mas Solis afirma que o conceito original nasceu cerca de 20 anos atrás, antes de ambas, e que o diferencial está na brasilidade do ponto de partida, com o jogo do bicho como elemento central.
5. Onde assistir a Corrida dos Bichos?
O filme está disponível no catálogo do Prime Video no Brasil, com estreia no dia 7 de novembro.
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