As taxas dos contratos de juros futuros, conhecidos como DIs, fecharam em queda nesta segunda-feira na B3, em um movimento de ajuste depois das altas acumuladas ao longo da semana passada. O alívio veio após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apontou desaceleração maior do que a esperada em junho, reforçando a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda tem espaço para seguir reduzindo a taxa Selic. Segundo o portal Terra.com.br, o dia também foi marcado por revisões nas projeções de inflação e crescimento do boletim Focus.
O que aconteceu com as taxas dos DIs nesta segunda
No fechamento do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2028 recuou de 14,035% para 13,99%, uma queda de cerca de 4,5 pontos-base em relação ao ajuste anterior. No extremo mais longo da curva a termo, o DI com vencimento em janeiro de 2035 cedeu de 14,749% para 14,745%, movimento mais modesto, mas que confirma a inclinação baixista em praticamente todos os vértices.
Esse tipo de recuo é interpretado pelo mercado como um sinal de que os investidores estão precificando um cenário mais favorável a cortes da Selic nos próximos meses. Quanto menor a taxa de juros esperada no futuro, menor tende a ser o prêmio exigido nos contratos de DI.
Por que os DIs caíram mesmo após semana de alta?
Apesar do alívio, o dia teve um tom técnico de realização parcial. Na semana anterior, a curva de juros havia sofrido forte estresse por causa de dúvidas sobre o ritmo da inflação, da atividade e da própria política fiscal do governo. A divulgação do IBC-Br funcionou como um gatilho para que parte desse prêmio de risco fosse devolvido.
Operadores ouvidos por mesas de renda fixa relatam que o movimento foi acompanhado de um aumento no volume de negócios nos contratos intermediários, reflexo típico de sessões em que dados macro relevantes são digeridos pelo mercado.
O que revelou o IBC-Br sobre a economia brasileira
Divulgado pelo Banco Central pela manhã, o IBC-Br — considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB) — mostrou que a atividade econômica brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses imediatamente anteriores, mesmo após um junho mais fraco. O dado reforça a leitura de uma economia em expansão moderada, mas perdeu força no encerramento do trimestre.
No recorte mensal, junho registrou retração de 0,6% frente a maio, em números dessazonalizados. O resultado veio pior do que a mediana das expectativas colhidas pela Reuters, que projetava queda de 0,53%, e confirma um arrefecimento da indústria, do varejo e dos investimentos após um início de ano mais aquecido.
Qual a relação entre IBC-Br e a decisão do Copom?
O IBC-Br é uma estimativa do BCB para antecipar o comportamento do PIB. Quando o índice aponta desaceleração sem gerar pressão inflacionária, abre espaço para que o Copom avance no ciclo de cortes da Selic. Foi exatamente essa leitura que prevaleceu entre os participantes do mercado nesta segunda-feira.
"Essa leitura reforça a ideia de que o Copom ainda tem espaço para cortar além do que está precificado hoje", afirmou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário reproduzido pelo portal Terra.com.br.
O Focus trouxe mais inflação e menos crescimento para 2027
Antes da abertura do mercado, o boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com mais de cem instituições financeiras — já havia indicado que os analistas pioraram suas projeções para o próximo ano. A expectativa de alta do IPCA em 2027 subiu de 4,22% para 4,24%, em movimento sutil, mas suficiente para reacender o debate sobre o ritmo de cortes da Selic a partir de 2026.
Para o ano corrente, a projeção de IPCA foi mantida em 5,02%, mas com um detalhe importante: a estimativa para os preços administrados — itens como energia elétrica, gasolina e planos de saúde regulados — recuou de 4,91% para 4,70%, refletindo a expectativa de redução de tarifas e de pressões mais brandas em alguns setores regulados.
Como esses dados afetam a curva de juros?
Mesmo com a inflação projetada um pouco mais alta para 2027, o mercado entendeu que o quadro de curto prazo — atividade fraca em junho e administered prices arrefecendo — abre margem para o Copom entregar um corte de juros adicional ao já precificado. O resultado foi o achatamento da curva, com os vértices intermediários cedendo mais do que os longos.
Como esse cenário afeta o brasileiro comum
A queda das taxas futuras não se traduz imediatamente em redução da Selic, mas é um dos principais indicadores usados pelo Copom para calibrar os próximos passos. Para o cotidiano das pessoas, algumas consequências práticas já podem ser observadas:
- Crédito e financiamentos: a tendência de corte da Selic tende a baratear gradualmente o crédito pessoal, o financiamento imobiliário e o capital de giro das empresas, ainda que o efeito total dependa dos spreads bancários.
- Renda fixa: títulos públicos atrelados à Selic, como Tesouro Selic e LCI/LCA com prazos menores, tendem a remunerar menos em um cenário de juros em queda. Por outro lado, títulos prefixados longos podem se valorizar.
- Câmbio e importados: uma Selic mais baixa no horizonte pode pressionar o real frente ao dólar se não vier acompanhada de melhora fiscal, encarecendo produtos importados e viagens internacionais.
- Bolsa de valores: empresas sensíveis a juros, como varejo, construção civil eUtilities, costumam se beneficiar de cortes mais agressivos da Selic.
O que esperar dos próximos indicadores
Investidores e economistas voltam as atenções agora para a próxima reunião do Copom, para a divulgação do IPCA de julho e para os dados de varejo e serviços. Qualquer sinal de inflação mais persistente ou de desaceleração adicional da atividade pode intensificar o movimento visto nesta segunda-feira — para cima ou para baixo da curva de juros.
A leitura também reforça a importância de o mercado acompanhar as sinalizações do Ministério da Fazenda sobre o cumprimento da meta fiscal, já que o comportamento da curva futura depende tanto da inflação quanto do risco soberano.
Perguntas frequentes
O que são os DIs?
Os DIs são contratos de Depósito Interfinanceiro negociados na B3, usados para precificar a expectativa do mercado sobre a taxa Selic futura. Eles servem como referência para o custo do dinheiro no Brasil.
Por que a queda das taxas futuras indica possível corte da Selic?
Quando os investidores esperam juros menores no futuro, eles aceitam taxas menores nos contratos de DI hoje. A queda generalizada da curva é, portanto, um sinal indireto de que o mercado projeta uma Selic mais baixa.
O que é o IBC-Br?
O IBC-Br é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, uma estimativa que agrega informações de indústria, serviços, agropecuária e consumo para antecipar o comportamento do PIB trimestral.
O Focus é confiável?
É a principal referência de expectativas de mercado no Brasil. O boletim é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne projeções de mais de cem instituições financeiras, economistas e consultorias.
Essa queda dos DIs é duradoura?
Depende dos próximos dados. Movimentos como o desta segunda costumam ser revertidos se surgirem surpresas inflacionárias, fiscais ou políticas que alterem a expectativa sobre a Selic.
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Matéria: Equipe de Economia do GCBS NEWS
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