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dos pais temem que IA produza imagens falsas dos filhos

Levantamento revela avanço de deepfakes infantis e aponta formas de blindar dependentes contra manipulações criminosas online.

dos pais temem que IA produza imagens falsas dos filhos

85% dos pais brasileiros temem que IA produza imagens e diálogos falsos dos filhos, aponta pesquisa da Norton

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de trabalho ou lazer e passou a ocupar o centro das preocupações das famílias brasileiras. Segundo levantamento da Norton divulgado pelo portal Olhar Digital, 85% dos pais e responsáveis por menores de 18 anos no Brasil temem que ferramentas de IA sejam usadas para produzir imagens ou diálogos falsos envolvendo seus filhos. O percentual indica um nível de alerta elevado em um país onde mais de 86 milhões de pessoas acessam a internet diariamente, segundo dados consolidados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br).

O que diz o estudo Norton Insights: Connected Kids

A pesquisa foi conduzida on-line entre 29 de maio e 12 de junho de 2026, com mil adultos brasileiros, conforme informado pela Norton ao Olhar Digital. Intitulada Norton Insights: Connected Kids, a investigação ouviu pais, mães e responsáveis para mapear como a expansão da inteligência artificial está mudando a relação das famílias com a segurança digital.

Os resultados mostram que o cenário de riscos ficou mais amplo e sofisticado. Criminosos podem utilizar recursos de IA e identidades artificiais para conquistar a confiança de jovens, criar laços emocionais e, em seguida, induzir o compartilhamento de imagens que depois são usadas em práticas de extorsão financeira. Para o público brasileiro, esse tipo de ameaça ganha contornos ainda mais sensíveis porque envolve menores de idade, grupo especialmente protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A falsa sensação de preparo

Um dos dados que mais chama a atenção no levantamento é o descompasso entre confiança e capacidade real de proteção. Embora 89% dos entrevistados afirmem se sentir preparados para conversar com os filhos sobre segurança na internet, 49% admitem que as crianças não conseguem diferenciar conteúdos reais de materiais criados por inteligência artificial.

Esse paradoxo revela uma vulnerabilidade dupla: pais que se sentem aptos a orientar, mas reconhecem que seus filhos estão expostos a conteúdos sintéticos cada vez mais convincentes. Imagens, áudios e vídeos gerados por IA já circulam em aplicativos de mensagem, redes sociais e plataformas de jogos, muitas vezes indistinguíveis de registros reais, mesmo para adultos atentos.

"A IA generativa reduziu drasticamente o custo e o esforço necessários para criar material convincente, o que barateu e escalou práticas criminosas antes restritas a grupos mais especializados", resume, em análises públicas, o cenário de cibercrime descrito por pesquisadores de segurança digital.

Cyberbullying com bots e perfis falsos

Entre os participantes que relataram casos de cyberbullying envolvendo seus filhos, os números ajudam a dimensionar o problema:

  • 29% afirmaram que os responsáveis pelas agressões usavam perfis falsos ou se passavam por outras pessoas;
  • 14% disseram que o autor das agressões era uma conta ou bot criado com inteligência artificial.

Ou seja, em mais de quatro em cada dez casos reportados, o atacante não era uma pessoa real se passando por outra, mas um sistema automatizado operando de forma persistente. Essa tendência coincide com relatórios internacionais que apontam o crescimento de bots conversacionais usados para assediar, isolar e coagir adolescentes em ambientes digitais.

59% dos pais já adotam alguma medida de proteção

Apesar do cenário preocupante, a pesquisa também traz um lado positivo. 59% dos pais já adotaram alguma medida para reduzir possíveis impactos da IA na rotina dos filhos. Entre as ações citadas estão:

  1. Restrições ao uso de aplicativos e plataformas;
  2. Acompanhamento mais próximo das atividades digitais;
  3. Conversas específicas e frequentes sobre os riscos associados à tecnologia.

O dado indica uma transição de comportamento: a parentalidade digital deixa de ser reativa e passa a incluir planejamento. Ainda assim, especialistas reforçam que ferramentas de controle parental e configurações de privacidade devem ser complementadas pelo diálogo, já que nenhuma solução tecnológica substitui completamente a orientação humana.

Como a IA amplifica riscos que já existiam

Manipulação de imagens, falsificação de identidades digitais e interações virtuais com possíveis ameaças não são novidades. A diferença, segundo o levantamento da Norton, é a escala e a verossimilhança atingidas com os modelos generativos atuais. Antes, criar um deepfake exigia conhecimento técnico e tempo; hoje, aplicativos gratuitos permitem produzir vídeos e áudios sintéticos em minutos.

Esse novo patamar de acessibilidade preocupa justamente porque atinge públicos em formação. Crianças e adolescentes, em fase de construção de identidade e autoestima, são especialmente vulneráveis a chantagens baseadas em imagem e a relacionamentos artificiais construídos por chatbots maliciosos.

O que dizem as leis brasileiras sobre o tema

O Brasil conta com um arcabouço jurídico que pode ser acionado pelas famílias em casos de abuso. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) estabelece princípios de proteção à privacidade e à intimidade, enquanto a LGPD (Lei 13.709/2018) prevê tratamento especial para dados de crianças e adolescentes, exigindo consentimento específico dos responsáveis. Em casos de exposição indevida de imagens ou extortion, o Código Penal tipifica crimes como ameaça, constrangimento ilegal e registro não autorizado de intimidade.

No campo regulatório da inteligência artificial, está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2338/2023, que busca estabelecer regras para sistemas de IA no país, incluindo obrigações de transparência, classificação de risco e responsabilização de desenvolvedores. A proposta ainda não foi aprovada, mas é apontada por especialistas como peça-chave para lidar com deepfakes e uso malicioso de IA generativa.

O que as famílias podem fazer agora

Diante do quadro levantado pela Norton, algumas práticas ajudam a reduzir a exposição de crianças e adolescentes. São ações concretas, compatíveis com a legislação vigente e aplicáveis independentemente do nível de familiaridade técnica dos responsáveis:

  • Combinar regras claras de uso: definir horários, plataformas permitidas e regras para compartilhamento de fotos e vídeos;
  • Ativar controle parental e autenticação em duas etapas em dispositivos, aplicativos e redes sociais;
  • Manter diálogos frequentes sobre golpes, perfis falsos e identidade digital, tratando o tema sem alarmismo, mas sem omissão;
  • Ensinar a checagem de imagens: usar ferramentas de busca reversa e destacar sinais típicos de conteúdo sintético, como inconsistências em mãos, sombras ou áudio;
  • Registrar e denunciar: em caso de suspeita de crime, registrar Boletim de Ocorrência e acionar canais como a SaferNet Brasil (helpline.safernet.org.br), o Disque 100 e a plataforma da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O conjunto dessas medidas não elimina o risco, mas reduz a janela de exposição e cria uma cultura familiar de vigilância ativa — exatamente o caminho oposto à sensação de "preparo" declarada pelos 89% dos entrevistados.

Próximos passos e o que esperar das fabricantes

Especialistas ouvidos em diferentes veículos de comunicação defendem que empresas de tecnologia também avancem em salvaguardas. Recursos como marca d'água obrigatória em conteúdos gerados por IA, sistemas automáticos de detecção de deepfakes e verificação de idade mais rigorosa em redes sociais são apontados como prioridades para reduzir a superfície de ataque disponível para criminosos.

A expectativa é que os próximos meses tragam mais transparência sobre como plataformas populares no Brasil — como WhatsApp, Instagram, TikTok e jogos on-line — estão adaptando seus sistemas para identificar e bloquear conteúdos sintéticos abusivos. Enquanto isso, a pesquisa da Norton deixa uma mensagem direta: a proteção das crianças no ambiente digital deixou de ser tarefa apenas dos pais e passou a exigir articulação entre famílias, empresas, Poder Público e sociedade civil.


Perguntas frequentes

O que é o estudo Norton Insights: Connected Kids?
É uma pesquisa on-line realizada pela Norton com mil adultos brasileiros entre 29 de maio e 12 de junho de 2026, voltada a mapear como pais e responsáveis lidam com a segurança de crianças e adolescentes em ambientes digitais, com foco em inteligência artificial.

Qual o principal medo dos pais brasileiros em relação à IA?
Segundo o levantamento divulgado pelo portal Olhar Digital, 85% dos pais temem que ferramentas de IA sejam usadas para produzir imagens ou diálogos falsos envolvendo seus filhos.

Crianças conseguem identificar conteúdos feitos por IA?
De acordo com a pesquisa, 49% dos responsáveis não acreditam que os filhos consigam diferenciar conteúdos reais de materiais criados por inteligência artificial.

Já existem leis no Brasil que protegem crianças de deepfakes?
Sim. O ECA, o Marco Civil da Internet e a LGPD preveem proteção especial a menores. Além disso, projetos como o PL 2338/2023 buscam regulamentar sistemas de IA no país, mas ainda estão em tramitação no Congresso.

Onde denunciar casos de abuso ou exposição indevida envolvendo crianças na internet?
Os canais oficiais incluem a SaferNet Brasil (helpline.safernet.org.br), o Disque 100, o Ministério Público e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Em situações de crime, o caso também deve ser registrado em delegacia comum ou delegacia eletrônica.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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