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Eduardo Paes mantém força no 2º turno com base própria

Prefeito carioca avança na corrida sustentado por apoio fiel. Enquanto isso, adversários ainda negociam alianças

Eduardo Paes mantém força no 2º turno com base própria

Eduardo Paes mantém força competitiva na corrida pelo governo do Rio mesmo após perder fôlego no primeiro turno

A força política do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo Palácio Guanabara não depende diretamente do embate presidencial e está ancorada, principalmente, em três pilares: a trajetória política construída ao longo de mais de uma década, o peso eleitoral da capital fluminense — segundo maior colégio eleitoral do país — e o alto grau de reconhecimento do seu nome entre os eleitores fluminenses. A avaliação é da cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao portal Terra.com.br.

Mesmo com o cenário eleitoral fluminense mudando desde o início das pesquisas — período em que Paes aparecia com vantagem suficiente para projetar uma vitória ainda no primeiro turno —, a solidez da sua base explica por que o candidato segue competitivo mesmo quando o resultado precisa ser decidido no segundo turno. Entender essa engrenagem ajuda a explicar dinâmicas que se repetem na política carioca e fluminense nas últimas décadas.

Por que Eduardo Paes continua competitivo mesmo sem a vantagem do primeiro turno?

Para a professora Mayra Goulart, o que sustenta Paes na disputa não é um efeito carona da polarização nacional entre os grupos ligados ao PT e ao bolsonarismo, mas uma engenharia eleitoral própria, erguida de forma independente da conjuntura de Brasília. "Ele tem uma trajetória independente. Foi prefeito de 2009 a 2016, depois se candidatou ao governo do Estado, perdeu e voltou a ser prefeito. Foi reeleito. Então ele tem uma trajetória eleitoral própria", afirmou a pesquisadora ao Terra.com.br.

Esse percurso — Executivo municipal, tentativa frustrada de chegar ao governo estadual, retorno à Prefeitura e nova vitória na capital — criou uma identidade política própria, pouco vulnerável a oscilações da disputa presidencial. Em outras palavras, mesmo quando o humor do eleitorado muda em relação aos nomes que disputam o Planalto, a base de Paes permanece relativamente estável porque foi construída em outro nível: o do voto local.

O peso da capital fluminense na equação eleitoral

Um dos argumentos centrais da análise de Mayra Goulart é a desproporcionalidade entre o município do Rio de Janeiro e o restante do estado. Segundo a professora, a capital concentra cerca de 40% dos votos válidos do estado do Rio de Janeiro — uma fatia que, por si só, estabelece um patamar mínimo de competitividade para qualquer candidato com alta penetração no eleitorado carioca.

"A capital tem 40% dos votos do estado do Rio de Janeiro. Isso significa que alguém que é amplamente conhecido na capital já parte de um patamar de votos elevado", explica Goulart. O dado não é trivial: em termos absolutos, o Rio de Janeiro só perde para São Paulo em número de eleitores aptos a votar no país, o que o transforma em uma das maiores máquinas eleitorais da República.

Para Paes, administrar a cidade por oito anos em dois mandatos diferentes significou construir uma rede de reconhecimento que vai além da propaganda: obras, programas, serviços públicos e a relação direta com associações de moradores, líderes religiosos e entidades de classe criaram uma capilaridade difícil de replicar por adversários que nunca comandaram a máquina municipal.

Trajetória própria: o fator que blinda Paes da polarização nacional

No Brasil das últimas décadas, tornou-se lugar-comum dizer que disputas estaduais e municipais são definidas, em grande medida, pelo posicionamento dos candidatos em relação ao presidente da República ou aos principais nomes da corrida nacional. Mayra Goulart, no entanto, argumenta que Paes conseguiu escapar dessa lógica — em parte por cálculo político, em parte por construção orgânica.

O fato de ter derrotado candidatos de diferentes campos ideatórios em eleições municipais, a partir de uma base que mistura apoios do centro e de partidos que orbitam tanto à esquerda quanto à direita do espectro, deu a Paes uma plasticidade rara. Não se trata de uma "neutralidade" no sentido ideológico, mas da capacidade de apresentar-se ao eleitor fluminense como gestor antes de tudo.

Esse perfil tem duas consequências práticas na corrida pelo governo do Estado:

  • Resiliência a ondas nacionais: eventuais quedas ou subidas de candidatos presidenciais não chegam a desmontar a base de Paes na mesma intensidade.
  • Atratividade para alianças: partidos de diferentes orientações enxergam no ex-prefeito uma âncora viável, o que amplia seu leque de coligações.

Por que a disputa mudou desde o início das pesquisas?

Apesar dessa base estrutural, a corrida pelo governo fluminense registrou alterações significativas entre o início da campanha e a reta final. No primeiro cenário desenhado pelas pesquisas de intenção de voto, Paes aparecia com vantagem confortável para resolver a disputa já no primeiro turno — o que alimentaria a expectativa de uma vitória antecipada.

Segundo a especialista, esse movimento não invalida a tese da força estrutural do candidato, mas mostra que variáveis como o desempenho de adversários, a capacidade de mobilização de campanhas concorrentes e o próprio calendário eleitoral alteram a margem de manobra. Em disputas majoritárias estaduais, a redução da diferença nas sondagens costuma ser resultado de dois fatores combinados:

  1. Crescimento do adversário principal: no caso fluminense, o governador em exercício, Cláudio Castro (PL), conseguiu, ao longo da campanha, ampliar a própria base ao se apresentar como nome da "continuidade administrativa" e ao se associar à máquina do Estado.
  2. Reposicionamento de partidos do meio: siglas que poderiam compor com Paes migraram para o campo adversário, motivadas tanto por cálculo eleitoral local quanto por alinhamentos nacionais.

O resultado é uma disputa que, mantendo a liderança do ex-prefeito em diferentes cenários, perdeu a folga que permitiria a vitória em turno único — mas não a possibilidade real de vitória.

O que os números da capital revelam sobre o futuro do Rio

Quando se observa o mapa eleitoral do estado do Rio de Janeiro, percebe-se que a concentração de votos na capital é um fenômeno que não se reproduz em outras unidades da Federação. Estados como Minas Gerais e Bahia têm distribuição mais pulverizada entre suas regiões metropolitanas e o interior; o Rio, não.

Isso coloca qualquer candidato competitivo na capital em uma posição estratégica única: vencer ou perder no Rio de Janeiro significa, na prática, vencer ou perder no estado. Quem domina a capital com margens largas chega ao segundo turno com números próximos dos necessários para a vitória; quem divide o eleitorado carioca precisa de uma arrancada forte no interior e na Região Metropolitana — tarefa cada vez mais difícil em campanhas curtas.

Para Paes, esse é o ativo mais valioso da corrida: mesmo sem a vantagem original, o reconhecimento de seu nome na capital garante um piso eleitoral que adversários dificilmente alcançarão sem uma reviravolta estrutural.

O que esperar do segundo turno

Se o cenário indicar definição no segundo turno, três variáveis passam a definir o resultado:

  • Capacidade de transferência de votos: candidatos derrotados no primeiro turno indicarão apoio formal ou desembarcarão livremente? As alianças construídas nos bastidores durante a campanha serão decisivas.
  • Mobilização do eleitorado ausente: disputas acirradas no Rio costumam ser decididas por quem vai às urnas, e Paes tem histórico de mobilização eficaz na capital.
  • Uso da máquina pública: o adversário, no caso o governador Cláudio Castro, controla a estrutura do Estado, o que abre espaço tanto para entregas administrativas na reta final quanto para contestações jurídicas sobre uso da máquina.

A leitura de Mayra Goulart, em resumo, é a de que Paes entra em qualquer cenário de segundo turno com um patrimônio eleitoral construído ao longo de anos — e que nenhuma oscilação pontual nas pesquisas é capaz de desfazer.

Perguntas frequentes

Quem é Eduardo Paes?
Eduardo Paes é político filiado ao PSD, ex-prefeito do Rio de Janeiro por dois mandatos (2009–2016 e 2021–2024), com passagem anterior pela Secretaria estadual de Meio Ambiente. É um dos nomes mais competitivos da política fluminense da atualidade.

Por que a capital do Rio pesa tanto na disputa estadual?
Porque o município do Rio concentra aproximadamente 40% dos votos válidos do estado, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Quem domina a capital parte com um piso eleitoral elevado.

O desempenho de Eduardo Paes depende da corrida presidencial?
De acordo com a cientista política Mayra Goulart (UFRJ), não diretamente. A força do candidato está ligada à sua trajetória própria e ao reconhecimento construído como gestor municipal, o que o blinda em parte das oscilações da polarização nacional.

O que mudou na disputa pelo governo do Rio?
No início das pesquisas, Paes tinha vantagem suficiente para projetar vitória no primeiro turno. Ao longo da campanha, o adversário governador Cláudio Castro (PL) reduziu essa diferença, obrigando a disputa a ser encaminhada para o segundo turno.

O que pode definir o segundo turno?
Três fatores principais: transferência de votos dos candidatos eliminados no primeiro turno, mobilização do eleitorado que ficou de fora do pleito e o uso — lícito ou contestado — da máquina pública estadual pelo adversário.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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