Edwin Luisi, 79 anos, detalha adoção de Claudio Andrade, hoje com 42: "É um amor que eu desconhecia"
O ator Edwin Luisi, um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira, revelou em entrevista exclusiva ao programa da coluna GENTE, do portal Abril, os bastidores da decisão de adotar legalmente, em 2003, o hoje produtor Claudio Andrade, que na época tinha 19 anos. Hoje, duas décadas depois, Luisi afirma que nunca imaginou sentir um vínculo afetivo tão intenso fora das relações românticas: "Não é um amor carnal, não é um amor romântico, mas é um amor que eu desconhecia", declarou o ator, que completa 80 anos em 2025 e está em turnê com o espetáculo Eu sou minha própria mulher.
Uma relação construída sem planejamento
Segundo o portal Abril, Edwin Luisi conheceu a família de Claudio quando o rapaz ainda era criança. Na época, os Andrade moravam perto do ator, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. O vínculo foi se reconstruindo aos poucos, depois que o pai de Claudio perdeu o emprego e mudou com a família para o Riachuelo, região central da cidade. Quando reencontrou Claudio já adulto, o ator ouviu do então jovem o desejo de seguir a carreira artística.
"Falei: 'Olha, qualquer coisa que você precisar, conte comigo'", relatou Luisi. O "qualquer coisa" virou moradia, sustento e, em 2003, a adoção legal. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código Civil brasileiro, a adoção de maiores de 18 anos é permitida quando há vínculo de afetividade consolidado, como foi reconhecido entre os dois. O próprio ECA prevê essa possibilidade no artigo 42, parágrafo único, embora na prática os pedidos mais frequentes envolvam menores de idade.
O momento em que a paternidade virou realidade
O ator contou que o termo "filho" surgiu quase como uma brincadeira, dentro de uma farmácia. Claudio estava com dor de cabeça e Luisi pediu ao balconista um remédio "para o meu filho". A fala escapou e, entre gargalhadas, selou o que já existia dentro deles há cerca de seis anos.
"Ele: 'Você me chamou de filho?'. Eu: 'É, você é meu filho. Cláudio, é isso que a gente é. Sou teu pai, você é meu filho'", lembrou. A partir dali, segundo Luisi, a relação deixou de ser apenas tutela informal e passou a ser vivida como filiação de fato.
Como funciona a adoção de maiores de 18 anos no Brasil
Pouco comentada, a possibilidade de adotar adultos existe na legislação brasileira desde o Código Civil de 1916 e foi mantida nas atualizações posteriores. Para que seja reconhecida judicialmente, o processo exige:
- Que o adotante tenha pelo menos 18 anos a mais que o adotado (requisito dispensado quando já houver convivência familiar comprovada);
- Consentimento do adotado, quando maior de idade;
- Aprovação judicial baseada em laudos sociais e psicológicos que comprovem o vínculo de afeto e a estabilidade da relação;
- Ausência de impedimentos matrimoniais, ou seja, o adotante não pode ser cônjuge, companheiro ou parente em linha reta do adotando.
Apesar de existir na lei, o número de adoções de maiores de 18 anos no Brasil é baixo se comparado ao de crianças e adolescentes. Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostram que o sistema prioriza a colocação de menores em famílias substitutas, o que faz com que pedidos envolvendo adultos tramitem mais rapidamente, mas também sejam menos frequentes. Para Claudio Andrade, o processo teve exatamente esse efeito: oficializou um vínculo que já existia socialmente.
A pandemia e a virada na convivência
A relação ganhou novos contornos durante a pandemia de Covid-19. Edwin Luisi morava em Portugal e ofereceu ao então já adulto Claudio a administração de sua casa no Leblon. "Vai tomar conta da minha casa, você não paga aluguel, vai ter tudo pago. Sustento a casa inteira, você não vai fazer nada, não vai pagar absolutamente nada", disse ao rapaz.
Foi nesse período que os dois passaram a morar sob o mesmo teto em tempo integral pela primeira vez, segundo o relato do ator. Dali em diante, a convivência diária virou rotina. "A gente não se desgrudou mais agora. Agora é até o final dos tempos", afirmou.
Hoje, pai e filho na estrada
Vinte e dois anos depois da adoção, Claudio Andrade tem 42 anos, trabalha como produtor do espetáculo Eu sou minha própria mulher e acompanha Edwin Luisi em turnê pelo Brasil. A peça, escrita pelo dramaturgo americano Doug Wright e traduzida por Alberto Gassul, retrata a vida da alemã Charlotte von Mahlsdorf, que sobreviveu ao regime nazista e à Stasi da Alemanha Oriental. Luisi faz o papel principal em montagem que tem sido apontada como uma das performances mais marcantes da carreira do ator.
Para o ator, o cotidiano com o filho adotivo e o trabalho em conjunto funcionam como complemento um do outro. "Minha responsabilidade é só fazer ele feliz, só isso, de verdade. Pode parecer piegas, mas é isso, é fazer ele feliz, a família dele, saber que ele está sustentando a família e, claro, vou dando os subsídios para que ele tenha uma vida legal, boa, melhor", completou.
O que Edwin Luisi diz sobre paternidade depois dos 70
Aos 79 anos, Edwin Luisi não esconde o estranhamento de descobrir essa faceta tão tarde na vida. Já tendo se relacionado afetiva e sexualmente ao longo de décadas, o ator diz que nunca havia experimentado um sentimento de proporção semelhante.
"Nunca tinha amado alguém dessa forma, mesmo quando casei, namorei, transei. Essa forma é um lugar especial, mas que abrange tudo o que necessito para tirar dentro de mim este sentimento que ficou guardado por muitos anos."
A declaração chamou atenção justamente por subverter a expectativa de que a paternidade afetiva seria, por natureza, exclusiva dos pais biológicos ou dos que adotam crianças pequenas. Sociólogos que estudam famílias reconstituídas explicam que relações de filiação tardia tendem a se basear mais em escolha consciente e menos em obrigação biológica, o que pode tornar os laços, em muitos casos, mais explícitos em termos de afeto declarado.
Quem é Edwin Luisi
Mineiro de Ubá, Edwin Luisi iniciou a carreira nos palcos ainda na década de 1960 e se consolidou na televisão a partir dos anos 1980, com passagens marcantes por novelas da Globo e outras emissoras. Ao longo de mais de cinco décadas de trabalho, alternou teatro, cinema e TV, e se tornou referência em papéis de vilão e personagens de forte carga dramática. Nos últimos anos, passou a se dedicar com mais intensidade ao teatro, justamente o espaço onde reencontrou Claudio Andrade em outra função.
Repercussão e próximos passos
A entrevista, conduzida pela coluna GENTE e disponibilizada no canal VEJA+ no YouTube e nas plataformas de streaming Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channel e Roku, foi ao ar em um momento em que o debate sobre novos arranjos familiares voltou à tona no Brasil. Estatísticas do IBGE mostram crescimento consistente das famílias recompostas, nas quais convivem filhos biológicos, adotivos e enteados sob o mesmo teto.
Para os próximos meses, Edwin Luisi e Claudio Andrade devem seguir com a turnê de Eu sou minha própria mulher por capitais do Sudeste e do Sul. Não há, até o momento, anúncio oficial de novas produções conjuntas, mas o ator afirmou que a fase atual é a mais feliz da sua carreira justamente por dividir os palcos e a vida com o filho.
Perguntas frequentes
1. Quem é Edwin Luisi e por que ele é conhecido?
Edwin Luisi é um ator brasileiro nascido em Ubá (MG), com mais de 50 anos de carreira em teatro, cinema e televisão. É conhecido por papéis marcantes em novelas e por seu trabalho recente em peças teatrais, como Eu sou minha própria mulher.
2. Quem é Claudio Andrade, o filho adotivo de Edwin Luisi?
Claudio Andrade tem hoje 42 anos e trabalha como produtor da peça Eu sou minha própria mulher. Foi adotado por Edwin Luisi em 2003, quando tinha 19 anos, depois de anos de convivência informal entre as duas famílias no Rio de Janeiro.
3. É possível adotar uma pessoa maior de 18 anos no Brasil?
Sim. O Código Civil brasileiro permite a adoção de maiores de 18 anos quando há vínculo de afetividade consolidado e consentimento do adotado. O processo passa por análise judicial com laudos sociais e psicológicos.
4. O que é a peça "Eu sou minha própria mulher"?
É um texto do dramaturgo americano Doug Wright que conta a história da alemã Charlotte von Mahlsdorf, que sobreviveu ao nazismo e à Stasi. No Brasil, a montagem tem Edwin Luisi como protagonista e Claudio Andrade como produtor.
5. Onde assistir à entrevista completa de Edwin Luisi?
A entrevista completa está disponível no canal VEJA+ no YouTube e também nas plataformas de streaming Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221). A coluna GENTE também tem perfil oficial no Instagram, @veja.gente.
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