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Eleições 2026: Lula, Flávio e Renan Santos abrem campanha

Disputa pelo Planalto começa fora do calendário tradicional e reúne postulantes de diferentes partidos e regiões do país.

Eleições 2026: Lula, Flávio e Renan Santos abrem campanha

Campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente com atos em redutos históricos de Lula, Flávio e Renan Santos

O último domingo, 16, marcou o início oficial das campanhas para as eleições presidenciais de 2026 no Brasil. Apesar de partidos e pré-candidatos já atuarem há meses em articulação política e nas redes sociais, somente agora foi liberada a pedido explícito de votos, a propaganda no rádio e na televisão e a contratação de cabos eleitorais, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os três principais nomes que já se apresentam ao Planalto escolheram locais simbólicos para os atos de largada — e cada um tentou enviar uma mensagem clara sobre o tipo de campanha que pretende travar.

O que muda com o início oficial da campanha?

Antes da data oficial, os pré-candidatos podem participar de eventos, dar entrevistas e usar as redes sociais com ограниченными restrições. A partir do dia 16, passou a valer o conjunto completo de regras do Código Eleitoral, que autoriza:

  • Pedido explícito de voto em comícios, caminhadas e carreatas;
  • Propaganda gratuita no rádio e na televisão, com distribuição de tempo de acordo com o tamanho das bancadas no Congresso;
  • Confecção e distribuição de materiais impressos, com identificação da gráfica e do CNPJ do candidato;
  • Contratação de pessoal para cabos eleitorais, com registro em prestação de contas.

As regras seguem valendo até as vésperas da votação, prevista para o primeiro domingo de outubro de 2026, conforme a Constituição.

Lula abre campanha em São Bernardo do Campo: "voltar à raiz"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a Vila Euclides, estádio de São Bernardo do Campo (SP), para o ato que abriu sua tentativa de chegar ao quarto mandato. O local não foi casual: foi na região do ABC Paulista, entre o final dos anos 1970 e o início dos 80, que Lula liderou as greves do ABC e despontou como líder sindical, antes de fundar o PT em 1980. Voltar à Vila Euclides funciona como um resgate narrativo do "Lula operário", base mitológica do petismo.

No discurso, o presidente privilegiou quatro eixos:

  1. Soberania nacional — incluindo a defesa da exploração de terras raras, minerais estratégicos para indústria de alta tecnologia, semicondutores e energias verdes;
  2. Combate à violência contra as mulheres, apresentado como compromisso de governo e não apenas pauta de campanha;
  3. Enfrentamento ao crime organizado, tema que ganhou peso após operações recentes em áreas metropolitanas e no Norte/Nordeste;
  4. Defesa de políticas sociais, em tom de prestação de contas dos programas lançados desde 2023.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, abriu sua fala homenageando Marisa Letícia, ex-primeira-dama que faleceu em 2017. Janja lembrou o papel de mulheres como Marisa na sustentação do movimento sindical de 1979: "Ela, que junto a outras tantas mulheres que não estavam no chão da fábrica em 79, que não eram líderes sindicais naquele momento, tiveram um papel essencial nos bastidores", afirmou, segundo o portal Abril.com.br. O gesto buscou associar a campanha à memória afetiva do PT e reforçar o protagonismo feminino na legenda.

Flávio Bolsonaro escala Copacabana para se apresentar como "filho do Pelé"

No campo oposto, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula até o momento, foi a Copacabana, no Rio de Janeiro. O ponto exato — a areia da praia — é um dos grandes símbolos do bolsonarismo desde os atos de 2019-2022 que mobilizaram milhões de pessoas em diversas capitais.

O evento teve três elementos centrais:

  • Áudios antigos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram tocados em alto-falantes para lembrar a militância;
  • Posicionamento pessoal: Flávio usou a metáfora futebolística para assumir o protagonismo da direita: "Não dá para comparar o filho do Pelé com o Pelé, mas eu aceitei essa missão", declarou;
  • Discurso de confronto institucional: classificou o bolsonarismo como o "último obstáculo para que o país não vire uma ditadura" e prometeu, se eleito, indicar ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros "contra o aborto, contra as drogas, que não vão perseguir adversários políticos".

O trecho sobre as quatro vagas do STF que serão abertas no próximo mandato é relevante: até 2031, ao menos quatro ministros atuais do Supremo atingirão a idade de aposentadoria compulsória (75 anos), tornando a composição da Corte o tema mais sensível da próxima corrida presidencial.

Renan Santos tenta furar bolha com colete à prova de balas e violão

Terceira via ainda em construção, o candidato do Missão, Renan Santos, foi a outro ponto simbólico: o Largo do São Francisco, em São Paulo, que abriga a Faculdade de Direito da USP — onde Renan chegou a estudar, sem concluir o curso. De colete à prova de balas e com violão nas mãos, ele cantou para apoiadores em um misto de show e ato político.

O núcleo duro do discurso foi segurança pública. Renan prometeu guerra frontal às facções criminosas que atuam em Estados do Norte e nas periferias metropolitanas: "Nós vamos tingir o chão de vermelho com o sangue desses vagabundos", disse, em frase que também já circulava em vídeos de apoiadores durante a pré-campanha.

O desafio de Renan será tirar votos tanto do PT quanto do PL em um cenário de alta rejeição cruzada entre Lula e Flávio nas pesquisas — algo que historicamente abriu espaço para candidatos de nicho, como aconteceu com Marina Silva em 2010 e 2014, ou com Ciro Gomes em 2018 e 2022.

Quais são os próximos passos da corrida ao Planalto?

Com a largada oficial dada, as campanhas devem entrar em nova fase ao longo das próximas semanas. O calendário mais relevante inclui:

  • Convenções partidárias, previstas para ocorrer entre junho e setembro de 2026, quando as legendas oficializam nomes e coligações;
  • Registro de candidaturas junto ao TSE, com prazo final em 5 de outubro de 2026, conforme a Lei das Eleições;
  • Propaganda gratuita no rádio e na TV, que deve começar entre 45 e 30 dias antes do primeiro turno;
  • Debates obrigatórios, organizados pelas emissoras e pelo próprio TSE, previstos para agosto e setembro;
  • Primeiro turno, no primeiro domingo de outubro de 2026, e segundo turno, quatro semanas depois, se necessário.

Até lá, os candidatos podem intensificar agendas em Estados-chave — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul — que historicamente concentram mais de 60% do eleitorado e costumam decidir o resultado final.

Por que a escolha dos palanques importa?

Não é coincidência que cada candidato tenha ido a um lugar marcado por sua biografia ou trajetória política:

  • Lula em São Bernardo — liga o nome ao sindicalismo, à origem operária e à memória do PT;
  • Flávio em Copacabana — ocupa o símbolo máximo do bolsonarismo e tenta blindar a herança política do pai, que está inelegível e com pendências judiciais;
  • Renan no Largo São Francisco — conecta-se ao universo jurídico e à ideia de "juventude de突破", diferenciando-se dos dois adversários mais experientes.

O palanque, nesse caso, funciona como uma frase curta antes do discurso: em poucos segundos de imagem, o eleitor já recebe quem é o candidato, de onde ele vem e a quem se dirige.

Perguntas frequentes

Quando começa oficialmente a campanha eleitoral no Brasil?

A campanha começa oficialmente após o término do prazo de registro de filiação partidária e até a data das convenções, conforme o calendário do TSE. Para 2026, a largada foi dada no domingo, 16, quando se tornou permitido pedir votos de forma explícita e iniciar propaganda no rádio, TV e internet.

O que os candidatos podem fazer agora e não podiam antes?

A partir da largada oficial, está liberado pedir voto diretamente, distribuir santinhos e materiais de campanha, contratar cabos eleitorais e veicular propaganda gratuita no rádio e na televisão, sob regras do TSE —algo que antes era restrito para pré-candidatos.

Quantos ministros do STF o próximo presidente vai poder indicar?

Até quatro ministros do STF podem se aposentar compulsoriamente até o fim do mandato de 2030-2031, abrindo vagas de indicação ao próximo presidente — cenário que coloca a composição da Corte no centro do debate eleitoral.

Por que Lula foi a São Bernardo do Campo?

São Bernardo do Campo é considerado o berço político de Lula, onde ele liderou as greves do ABC no final dos anos 1970 e ajudou a fundar o PT em 1980. Voltar ao local reforça a narrativa de origem operária do presidente.

Quem é Renan Santos, do Missão?

Renan Santos é um dos nomes da chamada "nova direita" ou direita evangelical, com presença em pautas de segurança pública e costumes. Ele disputa espaço com o bolsonarismo tradicional buscando atrair o eleitor que quer endurecimento nas leis penais, especialmente contra facções criminosas.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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