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Enchentes no Nepal: 682 mortos e US$ 5 bi em prejuízos

Desastre já é considerado o pior em décadas; milhares seguem desabrigados e sem perspectiva de retorno.

Enchentes no Nepal: 682 mortos e US$ 5 bi em prejuízos

Inundações no Nepal: 682 mortos e estimativa de US$ 5 bilhões em prejuízos

As enchentes que devastaram a região da fronteira entre o Nepal e a China na última quarta-feira (26) já provocaram ao menos 682 mortes, de acordo com o boletim mais recente da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRMA), divulgado neste sábado (29). O novo balanço também contabiliza 2.426 pessoas desaparecidas em território nepales e coloca o país asiático diante de uma das piores tragédias climáticas de sua história recente, com estimativa de prejuízo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para a reconstrução, conforme informou o ministro das Finanças, Swarnim Wagle.

Os números superam o levantamento anterior da polícia nepalesa, que registrava 616 vítimas fatais. Em apenas 24 horas, a lista de desaparecidos saltou de 1.924 para 2.426, sinalizando que comunidades inteiras foram arrastadas antes que equipes de socorro conseguissem chegar à região. Do lado chinês, a mídia estatal confirmou sete mortes no Tibete, enquanto Pequim informa que outros 558 cidadãos estão desaparecidos. Ainda não há confirmação oficial sobre uma possível sobreposição entre as listas, mas, se forem somadas, o total de pessoas não localizadas pode se aproximar de 3 mil. A reportagem original do portal Terra.com.br destaca que o desastre é tratado como uma emergência humanitária de grandes proporções.

O que provocou as enchentes na fronteira entre Nepal e China?

As inundações foram desencadeadas por chuvas torrenciais durante a temporada de monções, que todos os anos castiga o subcontinente indiano entre junho e setembro. O episódio mais recente atingiu com força a porção norte do Nepal, área montanhosa próxima à fronteira com o Tibete, onde rios alimentados pelo degelo dos Himalaias transbordaram rapidamente após dias de precipitação intensa.

Geograficamente, o Nepal está entre os países mais vulneráveis a desastres naturais do mundo. Trata-se de uma nação encravada em uma das regiões de maior instabilidade climática do planeta, com encostas íngremes, solos saturados e bacias hidrográficas que drenam das geleiras himalaicas para o planalto indiano. Eventos como o atual costumam ser agravados por deslizamentos de terra, que soterram vilarejos isolados e dificultam o acesso de equipes de socorro.

Estudos científicos apontam que o aquecimento global tem intensificado o regime de monções no sul da Ásia, concentrando chuvas em janelas curtas de tempo, exatamente o padrão que provoca enchentes-relâmpago como a registrada nesta semana.

Como estão as buscas e o resgate no Nepal?

Equipes de emergência nepalesas trabalham em regime contínuo, mas a logística é especialmente difícil na região afetada. Muitas comunidades estão localizadas em vales remotos, sem estradas pavimentadas e com pontes destruídas pela força da água. Helicópteros militares e civis foram mobilizados para resgatar sobreviventes e localizar corpos, mas a visibilidade reduzida e as condições meteorológicas têm limitado as operações aéreas.

Segundo a NDRMA, abrigos temporários foram instalados em escolas e prédios públicos para receber os desabrigados. No entanto, há relatos de escassez de água potável, alimentos e medicamentos nas áreas mais isoladas. Organizações humanitárias internacionais já iniciaram campanhas de arrecadação para enviar ajuda ao país.

Qual é o impacto econômico estimado da tragédia?

O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou que o país precisará de entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir a infraestrutura e atender à população afetada. O valor, embora ainda preliminar, equivale a aproximadamente 15% a 18% do PIB nepales, considerando o tamanho da economia local.

Os setores mais atingidos incluem:

  • Agricultura familiar, base de subsistência nas áreas rurais e principal fonte de renda de comunidades inteiras;
  • Habitação, com milhares de casas arrastadas ou soterradas pelos deslizamentos;
  • Infraestrutura viária, incluindo estradas vicinais e pontes que conectam vilarejos remotos;
  • Pequenas hidrelétricas, fundamentais para o fornecimento de energia em regiões isoladas;
  • Turismo de trekking, que responde por uma fatia relevante da receita de divisas do Nepal.

Por que o Nepal é tão vulnerável a desastres naturais?

Combinar um território montanhoso, clima de monção intenso e alta densidade populacional em zonas ribeirinhas torna o Nepal especialmente suscetível a tragédias como a desta semana. Para dimensionar o cenário, alguns episódios recentes ajudam a contextualizar:

  • 2015: o terremoto de magnitude 7,8 matou cerca de 9 mil pessoas e destruiu estruturas que ainda não foram totalmente recuperadas;
  • 2008: a ruptura de uma barreira natural no rio Koshi causou uma das piores enchentes da história do país, com mais de 3 milhões de afetados;
  • 2023: deslizamentos na região oeste mataram dezenas de pessoas durante a monção.

Para agravar o quadro, a reconstrução pós-desastre no Nepal esbarra em limitações fiscais crônicas. O país figura entre as economias de menor renda do sul da Ásia e depende fortemente de ajuda externa e empréstimos de organismos multilaterais para financiar obras de infraestrutura. Diante da magnitude da destruição atual, a expectativa é de que o governo solicite apoio formal a parceiros como Índia, China, Banco Mundial e agências das Nações Unidas nas próximas semanas.

O que esperar nos próximos dias?

As autoridades nepalesas trabalham em um balanço oficial revisado, que deve consolidar os números de vítimas, desaparecidos e danos materiais nas próximas semanas. A temporada de monções no Himalaia costuma se estender até o fim de setembro, o que mantém em alerta as defesas civis locais para o risco de novos eventos extremos.

Paralelamente, especialistas em mudanças climáticas reforçam que tragédias como essa devem se tornar mais frequentes nos próximos anos se a tendência de aquecimento global não for revertida. Países do sul asiático, incluindo Índia, Bangladesh e Paquistão, vivem cenário semelhante de vulnerabilidade crescente.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram nas enchentes no Nepal?

O balanço mais recente da NDRMA registra 682 mortos, sendo 675 no Nepal e 7 no Tibete chinês. Outros 2.426 cidadãos nepaleses estão desaparecidos, além de 558 do lado chinês.

Qual foi a causa das enchentes na fronteira entre Nepal e China?

Chuvas torrenciais durante a temporada de monções provocaram o transbordamento de rios na região montanhosa próxima ao Tibete, especialmente nas bacias alimentadas pelo degelo himalaico.

Quanto o Nepal precisará para se reconstruir?

O ministro das Finanças Swarnim Wagle estimou que serão necessários entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir infraestrutura e atender à população afetada.

Esse desastre tem relação com as mudanças climáticas?

Pesquisas científicas indicam que o aquecimento global tem intensificado o regime de monções no sul da Ásia, concentrando chuvas em períodos curtos e aumentando a frequência de enchentes extremas em países como Nepal, Índia e Bangladesh.

O Brasil está enviando ajuda ao Nepal?

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o envio de ajuda humanitária brasileira. Historicamente, o governo federal e entidades como a Defesa Civil e a Cruz Vermelha já manifestaram solidariedade em tragédias internacionais de grande porte.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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