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Escassez de chips vai até 2028 por causa da IA, diz Samsung

Aparelhos eletrônicos devem ficar mais caros e com prazos de entrega mais longos devido ao gargalo global de semicondutores

Escassez de chips vai até 2028 por causa da IA, diz Samsung

Samsung alerta que escassez global de chips deve se prolongar até 2028 por causa da corrida da IA

A Samsung estima que a escassez global de semicondutores tende a se intensificar e permanecer até 2028, em um cenário diretamente impulsionado pela corrida mundial por infraestrutura de inteligência artificial. O alerta foi feito durante teleconferência com analistas e divulgado inicialmente pela Reuters, com repercussão no portal Olhardigital.com.br. A gigante sul-coreana já fechou contratos de longo prazo com as cinco maiores operadoras globais de data centers e negocia novos acordos com outros grandes players do setor, numa tentativa de blindar sua produção e reduzir a volatilidade típica do mercado de memórias.

Por que a Samsung acredita que a crise de chips vai se estender até 2028?

A avaliação interna da Samsung combina três fatores que se reforçam mutuamente: a explosão de demanda por memória de alto desempenho para treinar e rodar modelos de IA, a capacidade limitada de expansão das fábricas de semicondutores avançados e o ciclo de investimentos bilionários que hyperscalers — como Microsoft, Google, Amazon e Meta — vêm anunciando para construir data centers.

"Quase todos os clientes estão solicitando contratos de fornecimento de vários anos", afirmou Jaejune Kim, vice-presidente executivo da área de memória da Samsung, durante a teleconferência. Segundo ele, a empresa pretende garantir contratos que cubram cerca de dois terços de sua produção de memórias no longo prazo, justamente para suavizar os altos e baixos que historicamente castigam o setor.

Os acordos terão duração mínima de cinco anos e devem incluir cláusulas de pagamento antecipado e preços mínimos, o que oferece previsibilidade tanto para a fabricante quanto para os clientes que precisam garantir volumes industriais em um mercado cada vez mais disputado.

Como a corrida da IA está pressionando a oferta de chips?

A nova geração de inteligência artificial generativa depende de um tipo específico de chip de memória chamado HBM (High Bandwidth Memory). Essas memórias empilhadas são essenciais para alimentar GPUs como as fabricadas pela NVIDIA, processadores de IA customizados e aceleradores usados em servidores de data centers.

Ocorre que poucos fabricantes no mundo dominam a produção de HBM em larga escala — entre eles, justamente a Samsung e sua principal concorrente, a SK Hynix, também sul-coreana, além da norte-americana Micron. Quando gigantes da nuvem multiplicam pedidos para treinar modelos cada vez maiores, o gargalo não está apenas nas GPUs, mas também nas memórias que alimentam esses sistemas.

Para dimensionar o problema, basta observar os números recentes: a divisão de semicondutores da Samsung registrou salto expressivo nos lucros justamente por causa do aquecimento da demanda por chips de IA, mas, paradoxalmente, esse mesmo sucesso torna o fornecimento mais apertado para os demais clientes.

O que a Samsung está fazendo para garantir o fornecimento?

A estratégia da empresa combina três frentes:

  • Contratos plurianuais com as principais hyperscalers, com vigência mínima de cinco anos e cláusulas de preço mínimo e pagamento antecipado.
  • Expansão da capacidade produtiva, embora com cautela, já que construir uma fábrica de chips de ponta leva anos e exige investimentos que podem ultrapassar dezenas de bilhões de dólares.
  • Priorização de clientes estratégicos, especialmente os cinco maiores operadores globais de data centers, com renegociação contínua de volumes e prazos.

A ideia é blindar a Samsung contra dois riscos simultâneos: a falta de produto em períodos de pico de demanda e o excesso de inventário quando o ciclo esfria. Para uma indústria historicamente marcada por booms e busts, ter dois terços da produção comprometida no longo prazo representa uma mudança estrutural relevante.

Qual o impacto da escassez de chips para o consumidor brasileiro?

Embora a notícia fale em data centers e contratos bilionários, o efeito cascata chega ao consumidor comum. A escassez prolongada de memórias e processadores tende a se refletir em três frentes:

  1. Eletrônicos mais caros ou com estoques reduzidos — smartphones, notebooks, consoles e placas de vídeo dependem diretamente de memórias DRAM e NAND. A pressão sobre a oferta pode encarecer esses produtos no varejo brasileiro, especialmente nas faixas premium.
  2. Atrasos em lançamentos — fabricantes menores, que não têm contratos privilegiados, podem enfrentar dificuldades para escalar a produção de novos aparelhos e periféricos.
  3. Serviços de IA mais caros — plataformas que dependem de computação em nuvem, como chatbots, ferramentas de geração de imagem e serviços de tradução automática, podem repassar parte do custo da infraestrutura mais cara em seus planos pagos.

Para o mercado corporativo brasileiro, a situação também merece atenção. Setores que dependem de processamento intensivo — como saúde, agronegócio de precisão, fintechs e varejo digital — podem sentir a alta de preços em servidores, workstations e soluções de IA contratadas na nuvem.

Por que construir novas fábricas de chips leva tanto tempo?

A indústria de semicondutores é uma das mais complexas do planeta. Uma fábrica moderna de chips de ponta, conhecida como fab, leva em média de três a cinco anos para sair do papel e entrar em operação. O processo exige equipamentos altamente especializados — como litógrafos ultravioleta extrema (EUV), fornecidos quase exclusivamente pela holandesa ASML —, salas limpas com controle rigoroso de partículas, mão de obra altamente qualificada e investimentos bilionários.

Por isso, mesmo com anúncios milionários de expansão, a capacidade adicional raramente chega a tempo de resolver gargalos imediatos. O resultado é um descompasso entre o ritmo da demanda de IA — que cresce exponencialmente — e o ritmo da oferta de silício — que cresce de forma linear e planejada.

Quais empresas estão na corrida por contratos de longo prazo?

A Samsung não revelou nominalmente quais são os cinco maiores clientes globais de data centers com os quais assinou contrato, mas o cenário atual aponta alguns candidatos naturais:

  • Microsoft — parceira estratégica da OpenAI e uma das maiores consumidoras de GPUs do mundo.
  • Google — dona de TPUs próprias e de uma das maiores nuvens públicas do planeta.
  • Amazon Web Services (AWS) — líder de mercado em infraestrutura cloud, com chips próprios como o Trainium.
  • Meta — investe pesado em IA generativa e em data centers próprios.
  • Oracle — tem expandido rapidamente sua oferta de infraestrutura para IA.

Empresas chinesas e startups especializadas em IA também estão na fila, mas enfrentam restrições geopolíticas e limitações de acesso a tecnologia de ponta, o que torna a negociação mais complexa.

Quais os próximos passos e o que ficar de olho?

A expectativa é que os próximos trimestres tragam mais clareza sobre três pontos centrais:

  • A confirmação dos novos contratos da Samsung e os valores envolvidos, que devem aparecer nos relatórios trimestrais.
  • O ritmo de expansão da capacidade produtiva, especialmente das linhas de HBM3 e HBM4, que são as memórias mais demandadas pela indústria de IA.
  • A reação da concorrência, principalmente da SK Hynix e da Micron, que também estão negociando contratos de longo prazo e ampliando fábricas.

Investidores também acompanham com atenção os altos custos envolvidos na expansão da tecnologia de IA, que têm gerado cautela no mercado. Como lembra o próprio texto de referência da Reuters, mesmo com o salto nos lucros da divisão de semicondutores, há preocupação sobre a sustentabilidade dos investimentos bilionários necessários para acompanhar a demanda.

Para o consumidor brasileiro, o recado prático é simples: enquanto a escassez persistir, vale a pena planejar compras de eletrônicos com antecedência, comparar preços e considerar modelos de gerações anteriores, que costumam ter供货 mais estável e melhor custo-benefício.

Perguntas frequentes

1. Até quando deve durar a falta de chips segundo a Samsung?
A empresa projeta que a escassez global de semicondutores deve se intensificar e permanecer até pelo menos 2028, puxada principalmente pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

2. Por que a inteligência artificial está causando escassez de chips?
Porque treinar e rodar modelos de IA generativa exige enorme quantidade de memórias de alta performance (HBM) e processadores especializados, em um mercado onde poucos fabricantes conseguem entregar em escala.

3. Os contratos de longo prazo da Samsung vão resolver o problema?
Não resolvem, mas ajudam a estabilizar o fornecimento para grandes clientes e reduzem a volatilidade do mercado. A solução estrutural depende da expansão de novas fábricas, que leva anos.

4. O brasileiro vai sentir a falta de chips no dia a dia?
Sim. A escassez pode encarecer smartphones, notebooks e consoles, além de tornar serviços de IA baseados em nuvem mais caros. Indústrias que usam IA também podem repassar custos.

5. Quais empresas estão comprando chips da Samsung com contratos longos?
A Samsung não divulgou os nomes, mas os principais candidatos são hyperscalers como Microsoft, Google, AWS, Meta e Oracle, além de outras grandes operadoras de data centers ainda em negociação.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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