A FIFA confirmou que voltará a discutir oficialmente a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções após o encerramento da edição de 2026. A declaração foi feita pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, que afirmou que o tema será encaminhado aos comitês responsáveis antes de qualquer definição sobre o torneio de 2030, ano em que a competição completará 100 anos. A proposta, apresentada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) em 2025, reacende uma discussão que divide cartolas, confederações e torcedores ao redor do planeta.
O que mudou na Copa do Mundo em 2026?
A edição de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá, já representou a maior alteração estrutural do Mundial em quase três décadas. Pela primeira vez desde 1998, o número de participantes saiu das 32 seleções e saltou para 48, com 104 jogos distribuídos por três países. O novo formato distribuiu as vagas extras entre confederações que historicamente tinham menor representação, como África, Ásia e Concacaf, em uma tentativa de tornar o torneio mais plural.
Mesmo assim, a ideia de crescer ainda mais voltou à mesa menos de um ano depois da estreia do novo modelo. Para Infantino, a discussão faz parte de um processo natural de amadurecimento do torneio.
"É definitivamente um assunto que será examinado e discutido nos comitês relevantes após esta Copa do Mundo", afirmou o presidente da FIFA, em coletiva recente.
Por que a Conmebol quer 64 seleções na Copa de 2030?
A proposta sul-americana, formalizada em 2025, defende que a edição de 2030 seja tratada como uma edição histórica por causa do centenário da competição — a primeira Copa foi realizada no Uruguai, em 1930. Para a Conmebol, abrir o torneio para 64 seleções seria uma forma simbólica de celebrar o aniversário da principal vitrine do futebol mundial, permitindo que mais países participem da festa.
A própria Fifa já reconheceu a relevância simbólica de 2030 ao confirmar que os três primeiros jogos da edição centenária serão realizados em Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina) e Assunção (Paraguai) — uma homenagem às três sedes da Copa de 1930. O restante do torneio ficará concentrado em Marrocos, Portugal e Espanha, consolidando a primeira Copa com jogos em três continentes diferentes. A Copa de 2034, por sua vez, será realizada na Arábia Saudita.
O argumento da inclusão global
Infantino tem defendido publicamente uma visão expansionista da Copa. Para ele, o crescimento técnico de seleções de todas as regiões do mundo justifica a ampliação.
"Ao organizar uma Copa do Mundo, é importante organizá-la para o mundo todo, não apenas para a Europa e a América do Sul, mas efetivamente para o mundo inteiro. Todas as nações deveriam ter a oportunidade de sonhar em participar da Copa do Mundo", declarou o cartola suíço.
A fala dialoga com uma tendência real dos últimos anos: países como Japão, Coreia do Sul, Senegal, Marrocos e Estados Unidos chegaram a quartas de finais recentes, e seleções antes consideradas pequenas vêm incomodando gigantes em fases decisivas.
Quais são os argumentos contra a expansão para 64 seleções?
A proposta não é unanimidade. O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, foi um dos primeiros a se posicionar publicamente contra a ideia, classificando a ampliação como uma "má ideia" em entrevista à imprensa europeia. Para Čeferin, diluir ainda mais o nível técnico da competição pode comprometer o produto esportivo que sustenta boa parte da receita da Fifa.
Dirigentes da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e da Confederação Asiática também manifestaram preocupação, ainda que por motivos distintos:
- Concacaf: teme que o aumento do número de vagas para outras confederações reduza as suas próprias, já que a distribuição seria novamente rediscutida.
- Confederação Asiática: reconhece a abertura como oportunidade, mas alerta para o impacto logístico em estádios, hospedagem e infraestrutura.
- Uefa: questiona a diluição do nível competitivo e a sobrecarga no calendário internacional de clubes.
O problema do calendário
Atualmente, uma Copa com 48 seleções exige 104 partidas espalhadas por quase um mês. Uma edição com 64 participantes ultrapassaria a marca de 128 jogos, considerando a fase de grupos ampliada e as fases finais. Esse volume extra levanta dúvidas concretas sobre:
- Tempo de recuperação dos jogadores, já saturado por clubes e ligas nacionais;
- Logística de deslocamento entre países-sede, especialmente em 2030, com partidas em três continentes;
- Custos operacionais para as federações anfitriãs;
- Valorização dos direitos de transmissão, que pode ser afetada por um número maior de partidas de menor apelo esportivo nas fases iniciais.
O que está em jogo para o Brasil?
O Brasil, pentacampeão mundial e único país a participar de todas as Copas desde 1930, é historicamente o maior símbolo da Conmebol na competição. Uma eventual expansão para 64 vagas tende a abrir mais espaço para seleções sul-ameráticas — e, na teoria, a reduzir a pressão sobre a classificação da equipe brasileira, hoje praticamente automática via Eliminatórias.
Para o torcedor brasileiro, porém, a discussão vai além do número de vagas. A ampliação pode significar mais jogos na TV aberta, mais cidades-sede em futuras candidaturas (o Brasil já manifestou interesse em sediar a Copa de 2034, antes de o torneio ser confirmado para a Arábia Saudita) e mais oportunidades comerciais para clubes e patrocinadores.
Quais são os próximos passos?
Segundo o portal Terra.com.br, que acompanhou os pronunciamentos de Infantino, não há prazo definido para uma decisão. O caminho esperado pela entidade é:
- Encerramento da Copa do Mundo de 2026 com avaliação completa do formato de 48 seleções;
- Encaminhamento da proposta da Conmebol aos comitês técnicos e financeiros da Fifa;
- Consulta formal às seis confederações continentais;
- Possível inclusão do tema na pauta do Conselho da Fifa que define a estrutura do torneio de 2030.
Até lá, qualquer cenário — manutenção das 48 seleções, ampliação para 52 ou salto direto para 64 — permanece em aberto, sem confirmação oficial. O que já está definido é que o debate será retomado logo após o apito final da próxima Copa, ainda sem data marcada para uma votação final.
Perguntas frequentes
1. Quantas seleções vão jogar a Copa do Mundo de 2026?
A edição de 2026 será disputada por 48 seleções, distribuídas por seis confederações, com 104 jogos realizados nos Estados Unidos, México e Canadá.
2. A Copa do Mundo de 2030 terá 64 seleções?
Ainda não. A Fifa confirmou que a proposta será discutida nos comitês responsáveis após o encerramento da Copa de 2026, mas nenhuma decisão foi tomada até o momento.
3. Quem propôs a ampliação para 64 seleções?
A proposta foi apresentada pela Conmebol em 2025, com o argumento de celebrar o centenário do Mundial com um formato simbólico e mais inclusivo.
4. Quantos jogos teria uma Copa do Mundo com 64 seleções?
O modelo ampliado exigiria mais de 128 partidas, considerando fase de grupos estendida e fases finais, o que aumenta significativamente o calendário e os custos da competição.
5. Quais confederações são contra a expansão?
A Uefa, principal voz contrária por meio de seu presidente Aleksander Čeferin, além de dirigentes da Concacaf e da Confederação Asiática, já manifestaram preocupação com o impacto esportivo e logístico.
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