A FIFA abriu oficialmente um processo de consulta junto às 211 federações nacionais de futebol para avaliar a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo masculina de 48 para 64 seleções já a partir da edição de 2030. A movimentação foi revelada pelo portal Terra.com.br com base em documentos obtidos pela ESPN e acontece em meio a um dos momentos mais delicados da gestão do presidente Gianni Infantino, que tenta aprovar um plano bilionário de venda de participações financeiras em torneios da entidade.
A consulta, descrita em um memorando intitulado "Potencial expansão da Copa do Mundo para 64 times", prevê a contratação de uma agência independente para analisar os impactos esportivos, comerciais e estratégicos do aumento no número de participantes. A decisão preliminar está prevista para 14 de agosto de 2025, e o estudo completo só deve ser entregue em 11 de setembro — pouco antes do prazo final dado por Infantino para que as federações se posicionem sobre seu projeto paralelo de comercialização de ativos da entidade.
Por que a FIFA quer expandir de novo?
O torneio já passou por uma ampliação recente: saltou de 32 para 48 seleções na edição de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. A proposta de saltar para 64 equipes representaria o maior número de participantes da história e um novo salto em relação ao modelo atual.
Segundo o texto de referência publicado pelo portal Terra.com.br, o objetivo declarado é avaliar "se e como a expansão da Copa do Mundo da FIFA de 48 para 64 equipes, a partir de 2030, afetaria o ecossistema do futebol". Na prática, a entidade busca mensurar ganhos potenciais de receita, diluição geográfica dos participantes e impacto sobre o calendário competitivo internacional.
Para entender a dimensão do que está em jogo, vale lembrar a cronologia das últimas ampliações:
- 1982 (Espanha): salto de 16 para 24 seleções.
- 1998 (França): expansão para 32 equipes, formato que vigorou por quase três décadas.
- 2026 (EUA, Canadá e México): aumento para 48 seleções.
- 2030 (proposta): nova expansão para 64 equipes.
Como funciona a consulta e por que o prazo é apertado
De acordo com os documentos obtidos pela ESPN, as federações filiadas terão apenas 15 dias para enviar suas respostas. O calendário apertado é um dos pontos que mais tem gerado desconforto entre dirigentes, especialmente porque coincide com outro tema polêmico: o plano de Infantino para vender participações financeiras em competições da FIFA, avaliado em aproximadamente 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 100 bilhões).
Para o movimento associativo europeu, asiático e da Concacaf, a sobreposição dos dois processos não é coincidência. Críticos entendem que a consulta sobre a expansão do Mundial serve como um elemento de pressão adicional para acelerar a aprovação do pacote comercial, já que qualquer mudança estrutural no torneio mais lucrativo do planeta aumenta o valor teórico dos ativos colocados à venda.
O que diz o relatório distribuído pela FIFA
O memorando enviado às federações pede que a análise independente contemple ao menos três dimensões:
- Impacto esportivo: competitividade, qualificação, calendário de clubes e seleções, desgaste de jogadores e fair play financeiro.
- Impacto comercial: bilheteria, direitos de transmissão, patrocínios, hospitalidade e receita das confederações.
- Impacto estratégico: relevância global, desenvolvimento do futebol em mercados emergentes e legado da entidade.
A expectativa é que esse raio-X oriente a próxima decisão do Conselho da FIFA, órgão que tem a palavra final sobre o formato dos Mundiais. A proposta, se aprovada, passaria a valer já em 2030 — ano do centenário da competição — quando a Copa será sediada por Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos simbólicos também em Argentina, Paraguai e Uruguai como homenagem à primeira edição.
A reação das confederações
Segundo o portal Terra.com.br, três das seis confederações continentais já se posicionaram publicamente contra o projeto comercial paralelo de Infantino: UEFA (Europa), Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia). Dirigentes europeus foram além e chegaram a discutir a possibilidade de um boicote às competições organizadas pela FIFA caso o modelo de venda de participações seja implementado.
Esse grau de tensão institucional é raro na história recente da entidade. Normalmente, divergências entre confederações são resolvidas em fóruns fechados. O fato de a UEFA cogitar uma ruptura pública indica que o pacote de Infantino é visto não apenas como uma mudança comercial, mas como uma ameaça à autonomia das federações nacionais sobre a governança do futebol.
A Conmebol, confederação da América do Sul à qual o Brasil pertence, ainda não publicou uma posição oficial unificada. Nos bastidores, porém, há resistência semelhante à europeia, principalmente entre federações de países menores, temerosas de perder poder de voto em troca de uma fatia financeira.
O que muda para o futebol sul-americano e para o Brasil
Se a ampliação para 64 seleções for aprovada, o número de vagas por confederação precisará ser renegociado. Atualmente, no formato de 48 equipes que valerá a partir de 2026, a Conmebol terá direito a seis vagas diretas e mais duas em repescagem — um salto expressivo em relação às quatro vagas que o continente tinha no modelo de 32 equipes.
Em uma Copa com 64 participantes, projeta-se que a América do Sul possa obter entre sete e nove vagas, dependendo da divisão política entre as seis confederações. Para o Brasil, hexacampeão mundial e seleção que se classificou para todas as edições desde 2002, o efeito direto é limitado em campo. Mas há impactos indiretos relevantes:
- Calendário mais congestionado: mais jogos no ciclo, com possíveis ajustes nas Eliminatórias Sul-Americanas.
- Distribuição de receita: as federações menores do continente receberiam valores maiores, mas a fatia brasileira proporcional pode ser menor.
- Visibilidade midiática: mais países sul-americanos em campo, o que pode ampliar o mercado consumidor da região.
Quais são os próximos passos?
O cronograma divulgado pela FIFA no memorando prevê os seguintes marcos:
- 15 dias após o envio: prazo limite para respostas das federações.
- 14 de agosto de 2025: decisão preliminar do Conselho.
- 11 de setembro de 2025: entrega do estudo independente completo.
- Data ainda não confirmada: votação final sobre o formato da Copa de 2030.
Vale destacar que, até o momento, a FIFA não confirmou oficialmente a existência do memorando nem detalhou quais federações já se manifestaram. A informação chegou ao público exclusivamente por meio do trabalho da ESPN, que obteve os documentos primários. Por isso, qualquer conclusão definitiva sobre o futuro do torneio ainda depende de confirmações formais da entidade.
Perguntas frequentes
A Copa do Mundo vai ter 64 seleções em 2030?
Ainda não. A FIFA abriu uma consulta para avaliar essa possibilidade, mas não há aprovação formal. A decisão preliminar está prevista para 14 de agosto de 2025 e a conclusão do estudo independente para 11 de setembro do mesmo ano.
Por que a FIFA quer aumentar o número de seleções?
A entidade alega motivos esportivos, comerciais e estratégicos. Um torneio com 64 seleções gera mais receitas com direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria, além de permitir a entrada de países de menor expressão futebolística em mercados em expansão.
Quantas vagas o Brasil teria em uma Copa de 64 seleções?
Não há definição oficial. Hoje, no formato de 48 equipes, a Conmebol tem direito a seis vagas diretas e duas na repescagem. Em um cenário de 64 equipes, estima-se que a América do Sul possa obter entre sete e nove vagas, mas a redistribuição ainda será negociada entre as confederações.
Quais confederações são contra o plano comercial da FIFA?
Segundo o portal Terra.com.br, UEFA, Concacaf e AFC já manifestaram resistência ao projeto paralelo de Infantino de vender participações financeiras em torneios da entidade. Dirigentes europeus chegaram a discutir a hipótese de boicote às competições da FIFA.
A Copa de 2030 será mesmo em três países?
Sim. A sede principal será Espanha, Portugal e Marrocos, com jogos inaugurais também em Argentina, Paraguai e Uruguai como homenagem ao centenário da primeira Copa, realizada no Uruguai em 1930.
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