Fifa pode ampliar Copa do Mundo para 64 seleções em 2034

Ideia dobraria tamanho do torneio e daria oportunidade inédita a nações de menor expressão futebolística

Fifa pode ampliar Copa do Mundo para 64 seleções em 2034

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade máxima do futebol vai analisar a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções a partir de 2034. A declaração foi dada ao portal Bluwein e divulgada pelo Terra.com.br, e marca mais um capítulo da estratégia de expansão do torneio, que estreou neste ano com 48 participantes — um salto de 16 vagas em relação ao modelo usado entre 1998 e 2022.

Segundo Infantino, o tema só deve entrar formalmente na pauta dos comitês da Fifa depois da conclusão do Mundial de 2026, atualmente em fase de semifinais e disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. A declaração sinaliza que a tendência de abertura do torneio, criticada por parte do meio futebolístico, tende a continuar no próximo ciclo.

Por que a Fifa quer aumentar para 64 seleções?

A justificativa apresentada por Infantino tem dois eixos: democratizar o acesso e preservar o estímulo competitivo das seleções menores. Nas palavras do dirigente ítalo-suíço ao portal Bluwein: "Todos devem poder participar da Copa do Mundo, não apenas a Europa ou a América Latina".

O presidente da Fifa também argumentou que o nível das seleções pequenas "continua a melhorar globalmente" e que tirar a oportunidade desses países significa reduzir a motivação para que sigam se desenvolvendo. Na leitura da entidade, mais vagas significam mais investimento, mais jogos de classificação e mais receitas de direitos de transmissão que podem ser redistribuídas às federações menores.

Como a Copa saltou de 32 para 48 equipes em 2026

A Copa do Mundo de 2026 é a primeira com 48 seleções. O novo formato divide as equipes em 12 grupos de quatro, com os dois primeiros de cada chave e os oito melhores terceiros avançando para uma fase de 32 times — semelhante a partir das oitavas de final ao que se viu nas edições com 32 equipes. O torneio soma 104 partidas, contra 64 da edição de 2022, no Catar.

Na avaliação de Infantino, a mudança foi um "enorme sucesso". O aumento de 16 vagas foi decidido em 2017, ainda sob a gestão de Gianni Infantino, que assumiu a Fifa em 2016 após o escândalo de corrupção que derrubou Joseph Blatter. A reforma foi pensada para abrir mercado em regiões pouco representadas no Mundial, como África, Ásia e Oceania, e para ampliar a receita global da entidade.

A escalada de participantes desde 1930

A Copa do Mundo nunca parou de crescer. O primeiro torneio, em 1930, no Uruguai, teve 13 seleções. Ao longo das décadas seguintes, a Fifa ampliou o número de vagas em ondas:

  • 1934 (Itália): 16 seleções.
  • 1954 (Suíça): novamente 16 equipes, formato mantido até 1978.
  • 1982 (Espanha): passou para 24 seleções, com seis grupos de quatro na fase inicial.
  • 1998 (França): saltou para 32 equipes, formato que vigorou por sete edições (1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022).
  • 2026 (EUA, México e Canadá): 48 seleções pela primeira vez.

Em quase um século, o Mundial foi de 13 para 48 seleções — um crescimento de quase 270%. A hipótese de 64 equipes em 2034 levaria essa escalada para um incremento superior a 390% desde a edição inaugural.

O que mudaria na prática com 64 seleções

Uma Copa com 64 seleções exigiria nova reformulação estrutural. As possibilidades discutidas nos bastidores da Fifa incluem:

  • Formato de grupos: 16 chaves de quatro times (mantendo a lógica de 2026) ou 32 grupos de dois, em modelo eliminatório desde o início.
  • Aumento de partidas: o número de jogos poderia ultrapassar 120, ampliando a carga sobre jogadores, seleções e federações organizadoras.
  • Sedes: a logística se torna ainda mais complexa. A Copa de 2026 já é a primeira a usar três países-sede; uma edição com 64 seleções provavelmente exigiria mais estádios ou até mais anfitriões.
  • Calendário: a Fifa teria de negociar ainda mais com clubes europeus, que emprestam seus jogadores, e ajustar o calendário internacional.

Especialistas em gestão esportiva ouvidos ao longo dos últimos anos têm alertado que cada expansão dilui o peso histórico de uma classificação e aumenta o risco de partidas desbalanceadas nas fases iniciais — um dos pontos centrais da crítica ao novo formato.

Críticas e preocupações com a expansão

A ideia de ampliar para 64 seleções não é unanimidade. Treinadores, ex-jogadores e analistas esportivos costumam levantar três pontos principais:

  1. Diluição da qualidade: com mais vagas, a diferença técnica entre grandes e pequenas seleções nas fases de grupo tende a aumentar, gerando partidas com placares elásticos.
  2. Sobrecarga de jogadores: os principais clubes europeus já reclamam da quantidade de jogos. Uma Copa maior soma mais partidas no calendário.
  3. Desgaste comercial: mais jogos nem sempre significam mais receita proporcional; jogos pouco competitivos podem derrubar audiências e valores de cota de TV.

Mesmo assim, a Fifa tende a avaliar o saldo financeiro e político como positivo. Mais países participantes significam mais votos de federações em assembleias, mais apelo diplomático e novos contratos de mídia em mercados emergentes.

O impacto para o futebol sul-americano e para o Brasil

Para a Conmebol, a expansão é vista como uma oportunidade histórica. Com 10 seleções filiadas, a confederação sul-americana já foi a região mais representada proporcionalmente no formato de 32 equipes. Com a passagem para 48 vagas, a América do Sul ganhou mais posições nas Eliminatórias; um eventual salto para 64 poderia ampliar ainda mais essa fatia, reforçando a relevância geopolítica do bloco.

No caso do Brasil, hexacampeão mundial e único país a participar de todas as Copas, a discussão tem efeito prático limitado em campo — a Seleção Brasileira dificilmente deixaria de se classificar —, mas mexe diretamente com receitas. Mais vagas significam mais partidas transmitidas, mais patrocínios regionais e maior retorno da Fifa aos países que cedem jogadores às ligas internacionais.

Do ponto de vista do torcedor brasileiro, o debate também é relevante porque a próxima Copa com possível novo formato seria em 2034 — período em que a geração que chega agora às categorias de base já estará em condições de disputar uma vaga no Mundial.

Próximos passos e quando a decisão pode sair

Infantino deixou claro que a discussão sobre 64 seleções não começa agora. A ordem é concluir a Copa de 2026, avaliar resultados esportivos, financeiros e operacionais do novo formato, e só então abrir o debate nos comitês competentes da Fifa. A tendência, porém, está dada: a expansão vem sendo tratada como processo contínuo desde 2017.

A próxima janela formal de decisão tende a ser entre 2027 e 2028, quando a Fifa costuma votar mudanças estruturais do ciclo seguinte. Se aprovada, a mudança valeria já para a Copa de 2034, cuja sede ainda não foi definida oficialmente, embora a Arábia Saudita seja apontada como favorita em relatórios da entidade.

Perguntas frequentes

Quando a Fifa pode decidir ampliar a Copa para 64 seleções?

A proposta só deve ser formalmente analisada após o encerramento da Copa de 2026. A expectativa é que o debate ganhe corpo entre 2027 e 2028, nos comitês competentes da Fifa, com possível votação ainda nessa janela.

Quantas seleções participam da Copa do Mundo de 2026?

A edição de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, tem 48 seleções — 16 a mais do que as edições entre 1998 e 2022.

Quais países podem se beneficiar com mais vagas?

Confederações com menor representação histórica, como África (Caf), Ásia (AFC) e Oceania (OFC), são as mais favorecidas pelas ampliações. A América do Sul (Conmebol) também tende a ganhar mais vagas em razão do peso político da região.

Uma Copa com 64 seleções é viável logisticamente?

É viável, porém complexa. Exigirá mais estádios, mais jogos, maior duração ou modelo de grupos diferente, além de negociações adicionais com ligas e clubes que cedem jogadores.

A expansão para 64 seleções é certa?

Não. É uma possibilidade em estudo, declarada por Gianni Infantino ao portal Bluwein. Não há decisão aprovada nem cronograma oficial divulgado até o momento.

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Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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