Maioria dos alemães acredita que chanceler Friedrich Merz deixará o cargo antes da próxima eleição federal
A confiança dos alemães no chanceler federal Friedrich Merz está em queda livre. Segundo uma pesquisa divulgada pelo instituto YouGov e repercutida pelo portal Terra.com.br, 36% dos entrevistados consideram que Merz será substituído como chefe de governo antes da próxima eleição federal, prevista para 2029. Outros 29% apostam que ele cumprirá o mandato até o fim, enquanto 17% não souberam ou não quiseram responder. O dado mais alarmante para o chanceler está no curto prazo: 18% dos alemães esperam a saída dele ainda em 2025.
Quem é Friedrich Merz e por que sua liderança importa
Friedrich Merz assumiu a chancelaria alemã em maio de 2025, após vitória da União Democrata Cristã (CDU) nas eleições antecipadas de fevereiro daquele ano. O político de 69 anos é considerado um conservador de perfil liberal na economia e firme na agenda migratória e de segurança. Antes de chegar ao posto máximo do Executivo, liderou a bancada da CDU/CSU no Bundestag e presidiu o Conselho Empresarial da indústria pesada alemã.
Sua chegada ao poder representou a retomada do comando político pela centro-direita, encerrando a era do social-democrata Olaf Scholz e a fragmentada coalizão "semáforo". No entanto, a solidez do mandato já nos primeiros meses tem sido questionada tanto dentro do próprio partido quanto pela opinião pública.
O que a pesquisa YouGov revela sobre a popularidade de Merz
Os números divulgados mostram um quadro de erosão acelerada da imagem do chanceler:
- 36% acham que Merz será substituído antes da próxima eleição federal
- 18% preveem a saída ainda em 2025
- 29% acreditam que ele ficará até 2029
- 17% não souberam ou não quiseram responder
Quando perguntados sobre quem seria mais adequado para ocupar a chancelaria, o resultado foi ainda mais revelador: apenas 9% dos alemães escolheram o próprio Merz. O nome mais bem avaliado foi o de Hendrik Wüst, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália, com 25% das preferências. Outros 66% afirmaram não saber quem indicariam para o cargo — um indicador da distância entre a classe política e o eleitor.
Hendrik Wüst: o favorito dentro e fora das pesquisas
Hendrik Wüst, de 50 anos, comanda o estado mais populoso da Alemanha desde 2021 e é visto como uma das figuras mais equilibradas da CDU. De perfil centrista, é apontado por analistas como um possível "candidato natural" caso Merz não consiga recuperar fôlego político até 2026, quando os estados realizam eleições regionais que costumam funcionar como termômetro para a política federal.
A preferência por Wüst em relação a Merz não é um fenômeno isolado. Dentro da própria CDU, há um bloco silencioso que defende uma renovação geracional da legenda, embora ninguém dentro do partido tenha se manifestado publicamente contra o chanceler — por enquanto.
A reforma ministerial de julho e o impacto na autoridade de Merz
Em julho de 2025, Merz promoveu uma série de mudanças na estrutura do governo e na liderança da CDU. A reforma tinha como objetivo declarado reorganizar pastas estratégicas e dar novo ritmo à gestão. O efeito, porém, foi o oposto do esperado.
De acordo com a pesquisa YouGov, 36% dos alemães avaliam que Merz perdeu "muita autoridade" dentro do partido após as mudanças, e outros 31% consideram que ele perdeu "alguma autoridade". Somados, os dois grupos somam 67% da opinião pública que percebem uma fragilidade crescente do chanceler perante sua própria base.
Especialistas em política alemã ouvidos por veículos internacionais atribuem o resultado à percepção de que a reforma foi reativa — uma resposta a crises pontuais — e não a um projeto estruturado de governo. Comparações inevitáveis são feitas com a chamada "coalizão semáforo" de Scholz, que caiu após sucessivas trocas ministeriais mal avaliadas.
Por que a instabilidade alemã importa para o Brasil
A Alemanha é o principal parceiro comercial do Brasil na Europa e o quarto maior destino de exportações brasileiras, atrás apenas de China, Estados Unidos e Argentina. Produtos como commodities agrícolas, peças automotivas, semicondutores e químicos dependem diretamente da saúde da indústria alemã.
Uma eventual crise política prolongada em Berlim pode:
- Adiar decisões europeias sobre o acordo Mercosul-União Europeia, cuja ratificação depende de coordenação entre os países-membros;
- Enfraquecer os investimentos alemães no Brasil, especialmente nos setores de energia renovável, logística e indústria automobilística;
- Comprometer o financiamento de programas europeus de cooperação, como os de transição energética e combate ao desmatamento na Amazônia.
Para o leitor brasileiro, a consequência mais concreta está no ritmo das negociações comerciais. Quanto mais estável Berlim, maior a chance de avanços concretos em pautas que interessam diretamente ao agronegócio e à indústria nacionais.
Quais os próximos passos do governo Merz?
O calendário político alemão reserva três janelas decisivas nos próximos meses:
- Outubro de 2025 — possíveis eleições regionais em três estados (Baviera, Hesse e outras datas dependendo do calendário estadual), que servirão como teste de popularidade da CDU.
- Primeiro trimestre de 2026 — definição do orçamento federal para 2026 e votação de projetos estruturais, momento em que a coalizão precisa mostrar resultados econômicos.
- 2027 — período em que tradicionalmente chanceleres alemães com baixa aprovação redefinem suas equipes ou convocam eleições antecipadas.
Se Merz não conseguir reverter os índices até as eleições regionais, cresce a pressão interna para uma nova reforma ministerial — ou, em cenário mais drástico, para a abertura de um debate sobre sucessão dentro da CDU.
O que a imprensa internacional tem destacado
Veículos como Der Spiegel, Frankfurter Allgemeine Zeitung e Süddeutsche Zeitung já publicam análises comparando Merz a predecessores que enfrentaram crises semelhantes nos primeiros anos de mandato, como Helmut Kohl em 1976 e Angela Merkel em 2005. Ambos, no entanto, conseguiram reverter o cenário. A diferença é que ambos tinham, à época, maior coesão interna no partido.
Para boa parte dos analistas, o grande risco de Merz não é a oposição externa, mas a erosão silenciosa dentro da própria CDU. Enquanto nomes como Wüst, Markus Söder (CSU) e Boris Rhein (Hesse) permanecem em ascensão, o chanceler acumula desgaste.
Perguntas frequentes
Friedrich Merz vai deixar a chancelaria antes de 2029?
Ainda não há confirmação oficial. A pesquisa YouGov indica que 36% dos alemães apostam nessa hipótese, mas a decisão cabe exclusivamente à coalizão governista e à bancada da CDU no Bundestag.
Quem é Hendrik Wüst e por que ele aparece como favorito?
Wüst é ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, e tem perfil centrista dentro da CDU. Foi escolhido por 25% dos entrevistados como o mais apto a assumir a chancelaria.
Por que a reforma ministerial de julho enfraqueceu Merz?
Segundo a pesquisa, 67% dos alemães avaliam que a reforma reduziu a autoridade do chanceler dentro do partido, seja de forma intensa (36%) ou moderada (31%).
A instabilidade política na Alemanha afeta o Brasil?
Sim. Berlim é peça-chave nas negociações do acordo Mercosul-UE, nos investimentos europeus em energia e na compra de commodities brasileiras. Crises prolongadas podem adiar decisões comerciais importantes.
Quando ocorre a próxima eleição federal na Alemanha?
A próxima eleição federal está prevista para 2029, salvo convocação antecipada por colapso da coalizão governista.
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