Em uma reviravolta que pegou o mercado de mídia de surpresa, a Globo promoveu nesta sexta-feira (4) uma reformulação em sua alta gestão que resultou na saída de três executivos e, paradoxalmente, no reforço do poder de Amauri Soares — diretor dos Estúdios Globo e da TV Globo que, até poucas semanas atrás, era tratado pelo noticiário especializado como um executivo de saída. Segundo o portal Terra.com.br, com apoio do Conselho de Administração, Soares passa a comandar toda a operação de conteúdo da emissora, incluindo o Globoplay, a plataforma de streaming que compete diretamente com gigantes como Netflix, Disney+ e Globoplay.
De carta fora do baralho a comandante do conteúdo
A trajetória recente de Amauri Soares é um dos casos mais ilustrativos da volatilidade das grandes redações e dos bastidores corporativos do audiovisual brasileiro. Em julho do ano passado, o próprio executivo admitiu publicamente que avaliava deixar a TV aberta e chegou a indicar Leonora Bardini como sua provável sucessora. O movimento foi interpretado pelo mercado como um gesto de despedida gradual.
No entanto, as avaliações internas começaram a mudar à medida que a Globo reorganizou sua governança. A saída dos três altos executivos, divulgada no mesmo dia, abriu espaço para uma reconfiguração que, em vez de substituir Soares, ampliou sua área de atuação. Conforme relatou o portal Terra.com.br, ele agora concentra decisões sobre toda a produção de conteúdo da emissora, dos canais lineares da TV aberta à plataforma digital.
Por que a Globo reorganizou a cúpula neste momento?
A movimentação acontece em um cenário de pressão crescente sobre a televisão aberta brasileira. Os índices de audiência da TV tradicional vêm caindo ano após ano, cedendo espaço para o consumo sob demanda, enquanto a receita publicitária migra para formatos digitais e segmentados. Dados públicos do Kantar Ibope Media apontam que o tempo médio diário gasto com TV aberta no Brasil recuou para patamares historicamente baixos, o que obriga as emissoras a repensar tanto a grade quanto o modelo de negócio.
Para a Globo, especificamente, o desafio envolve ainda a integração entre a TV aberta — ainda dominante em alcance — e o Globoplay, que vive uma fase de expansão de catálogo, produção original e assinatura esportiva. Concentrar essas duas frentes em um único gestor é uma escolha que busca simplificar a cadeia de comando, reduzir conflitos entre áreas e acelerar a tomada de decisão em um mercado que se move em ciclos cada vez mais curtos.
O que muda com a concentração de poder nas mãos de Soares?
A nova estrutura tende a produzir impactos em três frentes distintas:
- Produção de conteúdo: unificação do critério editorial e de investimentos entre novelas, séries, jornalismo, entretenimento da TV aberta e produções originais do Globoplay.
- Estratégia comercial: integração de verbas de marketing, negociação de direitos esportivos e contratos com anunciantes em uma mesma mesa de decisão.
- Plataforma digital: priorização do Globoplay como vitrine do conteúdo Globo, em disputa direta com Netflix, Amazon Prime Video e Disney+ no mercado brasileiro.
Para o telespectador comum, o efeito pode aparecer de forma indireta: maior uniformidade de linguagem entre a programação do canal aberto e o catálogo do streaming, possíveis apostas em franquias transmídia e uma curva mais agressiva de lançamentos no Globoplay — algo que tem sido apontado por especialistas como essencial para reter assinantes diante da concorrência.
Quem é Amauri Soares e qual é o histórico por trás da decisão?
Amauri Soares acumula, desde 2023, as funções de diretor dos Estúdios Globo e da TV Globo. Nesse período, enfrentou críticas públicas por resultados abaixo do esperado em algumas faixas da programação — entre elas, produtos de entretenimento e realities que não alcançaram a audiência prevista. Ainda assim, manteve respaldo interno, o que sugere que a avaliação corporativa pesou mais do que a repercussão midiática.
O episódio revela um aspecto pouco discutido sobre as grandes emissoras: a diferença entre o discurso público da imprensa especializada e o que efetivamente acontece nos conselhos de administração. Enquanto analistas e colunistas projetavam a saída de Soares, a alta governança da Globo — incluindo membros do Conselho de Administração — optou por fortalecer o executivo, indicando confiança em sua capacidade de conduzir a transição digital.
O contexto mais amplo: o mercado de mídia brasileiro em 2025
A decisão da Globo não acontece isolada. O setor de comunicação brasileiro atravessa um processo de consolidação e digitalização que envolve estratégico de emissoras, produtoras independentes e plataformas de streaming. Profissionais que atuam em comunicação corporativa reconhecem que reestruturações como essa costumam anteceder movimentos de mercado, fusões, parcerias ou grandes apostas de conteúdo.
Além disso, a expectativa em torno de eventos esportivos e de grandes produções audiovisuais tende a influenciar diretamente a maneira como grupos de mídia se organizam internamente. A proximidade de novos ciclos de novelas, séries originais e coberturas especiais cria uma janela ideal para a definição de quem lidera quais frentes — e é exatamente nesse vácuo que movimentos como o desta sexta-feira costumam ocorrer.
Quais os próximos passos que o mercado espera?
Embora a Globo ainda não tenha detalhado publicamente um cronograma de mudanças operacionais, observadores do setor apontam três frentes de atenção imediata:
- Comunicação oficial detalhada: definição do organograma completo, com nomes e atribuições das novas diretorias, ainda sem data confirmada para divulgação.
- Impacto nos contratos em andamento: renegociações internas com produtoras, agências e parceiros comerciais podem ser anunciadas nas próximas semanas.
- Posicionamento do Globoplay: expectativa de anúncios sobre novos conteúdos originais, expansão da base de assinantes e possíveis ajustes de precificação.
Para quem acompanha o noticiário de mídia, vale acompanhar de perto os próximos pronunciamentos da emissora e os desdobramentos da nova estrutura — especialmente no que diz respeito a possíveis mudanças na grade de programação da TV aberta.
Perguntas frequentes
Quem é Amauri Soares e qual é sua função na Globo?
Amauri Soares é o diretor dos Estúdios Globo e da TV Globo desde 2023. Com a reformulação desta sexta-feira (4), passou a comandar todo o conteúdo produzido pela Globo e pelo Globoplay, conforme noticiou o portal Terra.com.br.
Por que a Globo decidiu manter Amauri Soares no comando?
Apesar das críticas de mercado por alguns insucessos de programação, a alta gestão da emissora entendeu que Soares tem o perfil adequado para conduzir a integração entre TV aberta e streaming em um momento estratégico para o grupo.
O que é o Globoplay e por que ele é importante nessa decisão?
O Globoplay é a plataforma de streaming da Globo, que oferece novelas, séries, filmes, jornalismo ao vivo e conteúdo esportivo. A integração entre TV aberta e plataforma digital é vista como peça-chave para a sustentabilidade do grupo diante da concorrência com Netflix, Amazon Prime Video e Disney+.
Quais executivos saíram da Globo na reformulação?
Segundo o portal Terra.com.br, três altos executivos deixaram a emissora no mesmo dia em que a nova estrutura foi anunciada, embora os nomes e os termos das saídas ainda não tenham sido detalhados publicamente em sua totalidade.
Qual o impacto dessa mudança para o telespectador?
O consumidor final pode perceber uma maior integração de conteúdo entre TV aberta e Globoplay, possíveis novos lançamentos na plataforma de streaming e mudanças pontuais na grade da televisão aberta ao longo dos próximos meses.
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