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Heartstopper: Alice Oseman encerra saga e lota Bienal de SP

Com ingressos esgotados, escritora emocionou o público ao apresentar em primeira mão o desfecho da história de Nick e Charlie.

Heartstopper: Alice Oseman encerra saga e lota Bienal de SP

A escritora britânica Alice Oseman encerrou em 2024 uma das sagas LGBT+ mais queridas da literatura jovem adulta contemporânea. Com o lançamento do sexto e último volume de Heartstopper e de um filme da Netflix que fechou a história após três temporadas, a autora iniciou uma turnê mundial para agradecer aos leitores — e o Brasil foi uma das principais paradas. Segundo o portal Terra.com.br, Oseman participou da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo nos dias 5 e 7 de setembro, em sessões marcadas por filas longas, lágrimas e acessórios com as cores do arco-íris.

De webcomic a fenômeno editorial e audiovisual

A trajetória de Heartstopper começou longe das prateleiras de livrarias ou dos catálogos de streaming. Em 2016, Alice Oseman — então adolescente — começou a publicar a história no Tumblr e, depois, na plataforma Webtoon, onde conquistou uma base fiel de leitores. A narrativa foi, em seguida, transformada em graphic novels impressas, lançadas por uma editora do Reino Unido. No Brasil, as HQs são publicadas pela Editora Seguinte, enquanto seus romances em prosa saem pelo selo Rocco Jovens Leitores.

O salto para as telas aconteceu em abril de 2022, quando a Netflix estreou a primeira temporada de Heartstopper. A série, protagonizada por jovens atores britânicos, foi elogiada pela abordagem sensível e autêntica das vivências adolescentes LGBT+ e rapidamente se tornou um dos títulos mais vistos do catálogo jovem da plataforma.

Como foi a passagem de Alice Oseman pela Bienal do Livro

A participação de Oseman na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi uma das mais aguardadas do evento literário. De acordo com a reportagem do Terra.com.br, nos dias 5 e 7 de setembro a autora participou de mesas de conversa e sessões de autógrafos que reuniram centenas de pessoas, com cenas emocionadas e fãs levando leques coloridos, bandeiras do orgulho e até tatuagens em homenagem aos personagens.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a escritora afirmou ter se surpreendido com o tamanho e a receptividade do público brasileiro. Ela descreveu os fãs como apaixonados, animados e muito gentis — um perfil que, segundo ela, superou suas expectativas para o país.

Sobre o que é Heartstopper?

No centro da narrativa estão Nick Nelson e Charlie Spring, dois estudantes do ensino médio britânico que se conhecem, se tornam amigos e, aos poucos, se apaixonam. A trama acompanha os dois adolescentes enquanto enfrentam os desafios próprios da idade, a descoberta das próprias identidades e as pressões sociais que ainda afetam jovens da comunidade LGBT+.

A obra se destaca por tratar os personagens com profundidade e evitar estereótipos. Questões como coming out, saúde mental, imagem corporal, transtornos alimentares e bullying aparecem ao longo dos capítulos, sempre em um tom que equilibra leveza e peso emocional — uma combinação rara no gênero YA.

O fim do ciclo: sexto volume e filme da Netflix

O encerramento da saga aconteceu em duas frentes. Nas livrarias, a Editora Seguinte disponibilizou o sexto e último volume da graphic novel praticamente ao mesmo tempo em que a Netflix lançou o filme que concluiu a história nas telas, após três temporadas exibidas entre 2022 e 2024.

A decisão de fechar a narrativa com os personagens ainda jovens foi, segundo a própria autora, uma forma de preservar a essência da adolescência que marcou a obra desde os primeiros capítulos publicados na web. Para Oseman, estender a cronologia significaria distanciar a história do público que a consagrou.

Além de Heartstopper: as outras obras de Alice Oseman

Antes de se tornar fenômeno com as graphic novels, Oseman já havia construído uma carreira sólida em prosa. Seu romance de estreia, Solitaire — publicado no Brasil como Rádio Silêncio —, saiu em 2014 e trata de temas como solidão, depressão e autodescoberta pelo olhar de uma adolescente que investiga atos anônimos de vandalismo em sua escola.

Na sequência, a autora publicou Radio Silence, I Was Born for This (no Brasil, Um Ano Solitário) e Loveless (no Brasil, Sem Amor). Este último é dedicado à experiência de uma jovem assexual — orientação com a qual a própria autora se identifica publicamente — e se tornou referência entre leitores que buscam representatividade assexual na ficção.

O que esperar do futuro de Alice Oseman?

Aos 31 anos, Alice Oseman deixou claro que a próxima fase da carreira será diferente. Na entrevista reproduzida pelo Terra.com.br, ela afirmou não se sentir mais conectada à vida cotidiana de adolescentes, sentimento que a motivou a se afastar temporariamente das histórias centradas nessa faixa etária.

A escritora sinalizou que seus próximos projetos devem mirar o público adulto e new adult, com personagens mais velhos e temáticas próximas da fase que ela mesma vive hoje. Apesar da pausa, Oseman garantiu que pretende continuar escrevendo e que o vínculo com o público construído ao longo de quase uma década não será abandonado — apenas transformado.

Desafios, críticas e a relação com a internet

Construir um fenômeno literário global dentro das redes sociais tem seus custos. Oseman já admitiu ter uma relação complicada com a internet: as mesmas plataformas que amplificaram seu trabalho também a expuseram a pressões e ataques típicos da vida pública. Ao longo da entrevista, a autora mencionou ter enfrentado críticas nos últimos anos, especialmente em relação a escolhas narrativas e à forma de representar a comunidade LGBT+.

Mesmo assim, a escritora reforçou que o elo com os leitores — incluindo o fandom brasileiro apaixonado que a recebeu na Bienal — é o que torna a experiência válida. Para ela, o carinho visto nos eventos compensa o lado exaustivo da exposição online.

O legado de Heartstopper para o público brasileiro

O impacto da saga no Brasil vai além de vendas e números de streaming. A obra se tornou referência para adolescentes e jovens adultos que buscam representatividade na literatura, especialmente em um país onde personagens LGBT+ na ficção jovem adulta ainda são pouco frequentes. O sucesso da série também reforçou o papel de selos independentes como Seguinte e Rocco Jovens Leitores na importação de vozes internacionais para o mercado brasileiro.

Além disso, a visita de Oseman à Bienal de São Paulo evidenciou a maturidade crescente do público brasileiro diante da literatura YA estrangeira — segmento que vem crescendo de forma consistente no país e que tem em Heartstopper um de seus principais marcos no século 21.

Perguntas frequentes sobre Alice Oseman e Heartstopper

Quantos volumes de Heartstopper foram publicados?

A série de graphic novels tem seis volumes, lançados entre 2019 e 2024. O sexto e último foi publicado no Brasil pela Editora Seguinte, encerrando a história de Nick e Charlie nos quadrinhos.

Alice Oseman é assexual?

Sim. A autora se identifica publicamente como assexual, tema que explorou em profundidade no romance Loveless (publicido no Brasil como Sem Amor).

Heartstopper terá mais temporadas na Netflix?

Não. A narrativa foi encerrada com um filme lançado pela Netflix em 2024, após três temporadas da série.

Onde os livros de Alice Oseman são publicados no Brasil?

As graphic novels são publicadas pela Editora Seguinte, e os romances em prosa pelo selo Rocco Jovens Leitores, da Editora Rocco.

Alice Oseman vai parar de escrever?

Não. A autora afirmou que pretende fazer uma pausa em histórias voltadas ao público adolescente e desenvolver novos projetos voltados a leitores adultos.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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