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Humanoide chinês Mornine começa a atender em concessionárias

Com IA conversacional e movimentos naturais, robô substitui vendedores em lojas de veículos e levanta debate sobre automação do setor.

Humanoide chinês Mornine começa a atender em concessionárias

Robô humanoide chinês Mornine chega ao Brasil para atender clientes em concessionárias Chery

A chinesa AiMoga Robotics, divisão de robótica do grupo Chery, confirmou que dará início às suas operações no Brasil no quarto trimestre de 2025. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (5) e reproduzida pelo portal Tecnoblog.net. O plano inicial prevê dois modelos: o humanoide Mornine e o cão-robô Argos, com aplicações distintas no mercado brasileiro.

Segundo a empresa, a AiMoga já está presente em mais de 60 países e contabiliza mais de 2 mil unidades entregues globalmente. A entrada no Brasil marca a primeira operação dedicada da divisão de robótica no país e reforça a estratégia da Chery de expandir o ecossistema de produtos e serviços para além da indústria automotiva tradicional.

Quem é a AiMoga e o que ela pretende fazer no Brasil?

A AiMoga Robotics é a subsidiária responsável pelo desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicada à robótica dentro do grupo Chery, um dos maiores conglomerados automotivos da China. No mercado brasileiro, a empresa chega como uma extensão da operação comercial já existente das marcas Omoda e Jaecoo, que pertencem ao grupo.

O CEO da Chery no Brasil, Hu Peng, afirmou em comunicado oficial que "a inteligência artificial e a robótica são pilares fundamentais" dos planos globais da montadora. A declaração sinaliza que a chegada dos robôs não se limita a uma ação de marketing pontual, mas integra uma estratégia de longo prazo da companhia.

Onde os robôs vão atuar?

  • Mornine (humanoide): será instalada em concessionárias das marcas Omoda e Jaecoo em diferentes regiões do país.
  • Argos (cão-robô): será comercializado diretamente para consumidores finais.

A escolha das concessionárias como ponto de partida para o humanoide é estratégica. O ambiente de vendas de veículos reúne público variado, com consumidores que normalmente precisam de explicações detalhadas sobre tecnologia, segurança e acabamento — tarefas em que robôs com IA generativa podem agregar valor.

O que a Mornine é capaz de fazer?

A Mornine é um robô humanoide conectado a plataformas em nuvem que utiliza inteligência artificial para conduzir conversas com clientes em linguagem natural. Entre as funções anunciadas pela AiMoga estão:

  • Apresentar as tecnologias embarcadas nos veículos das marcas parceiras;
  • Responder perguntas técnicas sobre os modelos comercializados;
  • Reconhecer o ambiente e interpretar comandos de voz;
  • Interagir em vários idiomas, incluindo o português;
  • Possuir percepção espacial para se locomover com segurança em ambientes internos.

Para isso, os equipamentos contam com modelos de linguagem de grande porte (LLMs) embarcados, o que permite respostas contextualizadas em tempo real. A integração com a nuvem permite atualizações constantes e refinamento dos modelos conversacionais.

E o Argos, o cão-robô?

O Argos é a versão quadrúpede da linha. Embora a nota oficial não detalhe suas funções específicas no mercado brasileiro, a AiMoga destaca que ele compartilha a mesma base tecnológica da Mornine — ou seja, reconhecimento de ambiente, interação por comandos e capacidade de comunicação multilingue. O modelo será vendido a consumidores, o que indica aplicações residenciais, de entretenimento ou mesmo educativas.

Por que a homologação na Anatel é decisiva?

Antes de começar a ser comercializado no país, qualquer equipamento que emita sinais de rádio — como wi-fi, bluetooth ou redes móveis — precisa passar pelo processo de homologação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Segundo a AiMoga, os dois robôs já estão em fase de aprovação no órgão regulador.

Esse processo é fundamental porque:

  1. Garante que os dispositivos operem dentro das faixas de frequência autorizadas no Brasil;
  2. Atesta conformidade com padrões técnicos de segurança eletromagnética;
  3. Habilita a importação e a venda legal no varejo brasileiro.

Enquanto a homologação não for concluída, os robôs não podem ser vendidos ao consumidor final. Por isso, a expectativa é de que a chegada efetiva ao mercado aconteça apenas após a liberação da Anatel, ainda dentro do quarto trimestre de 2025.

O domínio da China no setor de robôs humanoides

A entrada da AiMoga no Brasil acontece em um momento de forte expansão do setor de robótica humanoide no mundo, com a China liderando a corrida. De acordo com dados do início de 2025, as vendas de robôs humanoides no país asiático saltaram 480% em relação ao ano anterior, segundo a mesma reportagem do Tecnoblog.net.

Esse crescimento é sustentado por uma combinação de fatores:

  • Investimento estatal em pesquisa e desenvolvimento de IA e automação;
  • Cadeia produtiva integrada de componentes eletrônicos e mecânicos;
  • Demanda interna em setores como indústria, varejo e serviços;
  • Concorrência acirrada entre fabricantes nacionais, o que reduz custos.

Mesmo com a expansão, autoridades chinesas já manifestaram preocupação com a possível formação de uma bolha especulativa no setor, com empresas sendo avaliadas em patamares elevados antes mesmo de demonstrarem receita consistente. O alerta sugere que nem todo o crescimento se traduzirá em produtos viáveis no médio prazo.

Como a AiMoga se posiciona nesse cenário?

Com mais de 2 mil unidades entregues globalmente e presença em mais de 60 países, a AiMoga figura entre os fabricantes com operação comercial já consolidada, o que a diferencia de boa parte dos concorrentes que ainda estão em fase de protótipos. A estratégia de mirar primeiro no varejo automotivo — onde já há um canal de distribuição físico e audiência qualificada — reduz o risco inicial e acelera o retorno sobre o investimento.

O que essa novidade significa para o consumidor brasileiro?

Para quem visitar uma concessionária Omoda ou Jaecoo nos próximos meses, a principal mudança será a possibilidade de conversar diretamente com um robô humanoide para tirar dúvidas sobre os veículos. A expectativa é que a experiência reduza o tempo de espera, padronize informações e ofereça atendimento em múltiplos idiomas em locais com forte fluxo de turistas ou executivos.

Para o consumidor interessado em adquirir o Argos, a chegada representa uma nova categoria de produto no varejo nacional. Robôs quadrúpedes com IA generativa eram, até então, encontrados principalmente em feiras de tecnologia e plataformas de importação paralela, com preços elevados e suporte técnico limitado.

Há, porém, pontos que permanecem em aberto:

  • O preço sugerido para o Argos no mercado brasileiro ainda não foi divulgado;
  • A lista de concessionárias que receberão a Mornine não foi detalhada;
  • O nível de autonomia do robô humanoide em situações de alta demanda ainda não foi testado em larga escala.

Próximos passos e o que acompanhar

Os próximos marcos a serem observados são:

  1. Conclusão da homologação na Anatel — sem ela, nenhum dos produtos pode ser vendido oficialmente no país.
  2. Divulgação de preços e pontos de venda — informação essencial para consumidores e lojistas.
  3. Implantação efetiva nas concessionárias — que mostrará como a Mornine se comporta no atendimento ao público brasileiro.
  4. Resposta do mercado — tanto de consumidores finais quanto de concorrentes que possam acelerar seus próprios lançamentos.

A movimentação da Chery com a AiMoga abre uma frente competitiva no segmento de robôs de serviço no Brasil, até então dominado por projetos acadêmicos, importadores independentes e iniciativas pontuais de grandes redes varejistas. Resta saber se a aceitação do público will acompanhar o ritmo da indústria chinesa.

Perguntas frequentes

Quando os robôs da AiMoga chegam ao Brasil?

O início das operações está previsto para o quarto trimestre de 2025, conforme anúncio da própria empresa, divulgado em 5 de agosto.

Qual é a diferença entre a Mornine e o Argos?

A Mornine é um robô humanoide destinado ao atendimento em concessionárias Omoda e Jaecoo, enquanto o Argos é um cão-robô voltado à venda direta ao consumidor final.

Os robôs precisam de homologação da Anatel?

Sim. Ambos os modelos estão em processo de homologação na Anatel, etapa obrigatória para que possam ser comercializados legalmente no Brasil.

A Mornine fala português?

Segundo a AiMoga, os robôs são capazes de interagir em várias línguas. A empresa não detalhou, no entanto, quais idiomas estarão disponíveis no lançamento brasileiro.

Quanto custará o cão-robô Argos no Brasil?

Até o momento da divulgação, a AiMoga não informou preço sugerido nem canal oficial de venda para o consumidor brasileiro.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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