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IA decifra mensagem da Enigma sem solução desde 2005

Inteligência artificial desvenda código nazista que resistiu por quase duas décadas a matemáticos do mundo inteiro.

IA decifra mensagem da Enigma sem solução desde 2005

Inteligência artificial decifra código da máquina Enigma que estava sem solução desde 2005

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic conseguiram decifrar mensagens codificadas por máquinas Enigma usadas pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo uma comunicação que permanecia sem solução havia quase duas décadas. Os trabalhos envolveram o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Claude Opus 5, da Anthropic, segundo reportagem do portal Olhar Digital.

O caso chamou a atenção da comunidade de criptologia porque a quebra do código Enigma está historicamente ligada ao trabalho do matemático britânico Alan Turing e de sua equipe em Bletchley Park, no Reino Unido, durante os anos 1940. Décadas depois, mesmo com o avanço da computação, parte das mensagens interceptadas pelos Aliados ainda permanecia indecifrada — e agora começa a ceder diante de uma nova geração de modelos de linguagem.

Como a IA quebrou o código

O responsável pelo pedido foi o desenvolvedor Carter Leffen, que atua na interseção entre criptografia histórica e ferramentas de IA. Ele pediu ao Astra que procurasse, em uma base de dados pública, uma mensagem da Enigma ainda não decifrada. Em vez de apenas “adivinhar” o conteúdo, o modelo executou uma sequência de etapas:

  • Pesquisou arquivos históricos e pistas contextuais sobre a comunicação;
  • Examinou registros de máquinas Enigma usadas em diferentes teatros de operação;
  • Montou um simulador da máquina para tentar reconstruir o texto original a partir dos parâmetros disponíveis.

Em cerca de dois dias, o sistema chegou a uma resposta coerente. Leffen também usou o modelo para criar um site interativo dedicado ao problema, disponibilizando parte do processo e das conclusões ao público.

Quem validou o resultado

A solução não foi aceita automaticamente. Ela foi analisada por Frode Weierud, engenheiro elétrico aposentado e pesquisador de criptologia que mantém o site Crypto Cellar, uma das referências mundiais no estudo de cifras históricas. Weierud validou o resultado e disse ter ficado “admirado” com o nível do trabalho realizado pelo modelo de IA.

A validação por um especialista humano é considerada etapa essencial nesse tipo de pesquisa, porque a quebra de cifras envolve não apenas encontrar uma sequência plausível, mas confirmar que ela faz sentido histórico, linguístico e operacional no contexto da guerra.

O mistério da “coleção particular”

A apuração abriu uma nova linha de investigação. Durante o processo, o Astra mencionou a existência de mensagens oriundas de uma “coleção particular” que não fazem parte do banco de dados mantido por Weierud. O pesquisador afirmou não saber como o sistema teria tido acesso a esse material e levantou duas hipóteses:

  1. Os documentos podem ter sido compartilhados por outro pesquisador em fóruns ou repositórios na internet;
  2. As mensagens podem estar disponíveis em arquivos públicos do governo alemão ainda não totalmente catalogados.

Esse ponto é relevante porque levanta dúvidas sobre a origem real dos dados usados pela IA e sobre o tamanho efetivo do acervo de comunicações nazistas que ainda pode estar espalhado por fontes não indexadas.

Quantas mensagens ainda restam sem solução?

Segundo Weierud, após esses avanços ainda existem sete mensagens da Enigma sem solução conhecida. O número é pequeno em relação ao volume total já decifrado, mas simbolicamente expressivo, porque cada uma dessas comunicações pode conter informações sobre movimentos militares, operações específicas ou inteligência estratégica do Eixo.

Por que a máquina Enigma foi tão difícil de quebrar

A Enigma não era uma única máquina, mas uma família de dispositivos eletromecânicos usados por diferentes ramas da Wehrmacht, da Kriegsmarine e dos serviços secretos alemães. Cada máquina tinha rotores intercambiáveis, plugues no painel frontal e ajustes diários definidos por manuais distribuídos às tropas. Isso permitia trilhões de combinações possíveis por dia.

O trabalho de Turing e da equipe de Bletchley Park, em parte imortalizado no filme O Jogo da Imitação (2014), envolveu a construção dos chamados bombes — equipamentos eletromecânicos capazes de testar combinações em escala industrial. Mesmo assim, muitas mensagens só puderam ser lidas décadas depois, quando falhas humanas, erros operacionais e rotores capturados ampliaram as possibilidades de decifração.

O papel do Claude Opus 5 e de outros modelos

Além do Astra, o Claude Opus 5, da Anthropic, também participou dos trabalhos recentes. A combinação de modelos de diferentes empresas mostra que a tarefa deixou de ser exclusividade de historiadores e matemáticos para entrar na rotina de ferramentas acessíveis a desenvolvedores e pesquisadores independentes.

Modelos de linguagem de grande porte (LLMs) se mostraram úteis nesse cenário por algumas razões específicas:

  • Capacidade de leitura e organização de grandes volumes de documentos históricos fragmentados;
  • Simulação lógica de mecanismos físicos, como o funcionamento interno dos rotores da Enigma;
  • Raciocínio contextual, permitindo cruzar datas, unidades militares e locais para reduzir o espaço de busca da cifra.

O que muda com esse avanço

O episódio ilustra uma mudança de paradigma na criptoanálise histórica. Até pouco tempo atrás, decifrar mensagens antigas dependia de iniciativas acadêmicas com financiamento público, grupos restritos de entusiastas e projetos de longa duração. Agora, um único desenvolvedor com acesso a um modelo de fronteira consegue, em dias, realizar um trabalho que consumiria meses ou anos de pesquisa convencional.

Para historiadores militares, a expectativa é que novas pistas sobre operações ainda pouco documentadas possam surgir, especialmente da Kriegsmarine, cujas comunicações usavam a variante mais complexa da Enigma, a chamada M4. Para o campo da inteligência artificial, o caso reforça que modelos de linguagem podem ir bem além de redação de textos e programação: eles já atuam como assistentes de pesquisa em problemas que envolvem matemática, lógica e contexto histórico simultaneamente.

Cuidados e limites da descoberta

Apesar do entusiasmo, especialistas recomendam cautela. A IA pode produzir resultados aparentemente convincentes que não correspondem à mensagem original — um risco conhecido como alucinação. Por isso, a validação independente de Weierud foi fundamental para diferenciar um achado real de uma interpretação plausível, porém equivocada.

Outro ponto sensível é a origem dos dados. A menção a uma “coleção particular” não totalmente mapeada mostra que ainda há opacidade sobre o universo completo de informações disponíveis, o que exige transparência dos desenvolvedores de modelos sobre quais materiais foram usados em treinamento.

Perguntas frequentes

O que é a máquina Enigma?

A Enigma foi uma máquina de cifragem eletromecânica usada pelas forças armadas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Ela combinava rotores e plugues para gerar um número astronomicamente grande de códigos diários, considerados praticamente impossíveis de quebrar sem ajuda mecânica.

Quem foi Alan Turing e qual sua relação com a quebra do código?

Alan Turing foi um matemático britânico considerado um dos pais da computação moderna. Durante a guerra, liderou parte da equipe em Bletchley Park que desenvolveu métodos e máquinas para decifrar as comunicações da Enigma, trabalho que é considerado decisivo para a vitória Aliada.

Quantas mensagens da Enigma ainda faltam decifrar?

De acordo com o pesquisador Frode Weierud, ainda restam sete mensagens sem solução conhecida após os avanços recentes feitos com IA.

Quais modelos de IA foram usados?

Foram utilizados o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Claude Opus 5, da Anthropic, segundo a reportagem original do portal Olhar Digital.

Esse tipo de tecnologia pode ser aplicado a outros códigos históricos?

Sim. A mesma abordagem já está sendo estudada para cifragens antigas como o código Navajo, cifras da Guerra Civil Americana e comunicações diplomáticas de períodos anteriores. O limite, por enquanto, é a disponibilidade de materiais de referência e a necessidade de validação por especialistas humanos.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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