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Ibovespa perde fôlego perto dos 190 mil na semana da eleição

Cenário externo adverso e indefinição sobre o próximo governo derrubam expectativas, com investidores migrando para ativos de menor risco.

Ibovespa perde fôlego perto dos 190 mil na semana da eleição

Ibovespa chega à semana da eleição em compasso de espera, após perder fôlego perto dos 190 mil pontos

Faltando cinco pregões para o primeiro turno das eleições gerais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), atravessa um momento de indefinição. Depois de acumular uma forte recuperação entre o fim de agosto e o início de setembro, quando saltou dos 164 mil para quase 190 mil pontos em poucos pregões, o indicador perdeu velocidade e fechou a sexta-feira (25) nos 183.476 pontos, com queda de 0,95% na semana, segundo dados compilados pelo portal InfoMoney.

O recuo recente não anula o bom desempenho do mês. Setembro acumula alta de 3,41% até o momento, enquanto no ano a valorização chega a 13,87%. O movimento, contudo, expõe uma mudança de comportamento do mercado: mesmo com a entrada consistente de capital estrangeiro — R$ 8,97 bilhões no mês e R$ 27,26 bilhões no acumulado do ano até 23 de setembro, de acordo com dados da B3 —, o Ibovespa passou a oscilar dentro de uma faixa mais estreita, próximo aos 190 mil pontos.

Esse cenário reflete um casamento delicado entre três forças: a proximidade das urnas, dúvidas sobre a política fiscal do próximo governo e um ambiente internacional menos favorável, com sinais mistos vindos dos Estados Unidos, da China e da zona do euro. O resultado é um mercado que premia a cautela e penaliza a volatilidade, sobretudo em setores mais sensíveis ao ciclo econômico e à política.

O que explica a perda de fôlego?

Quando o Ibovespa se aproximou dos 190 mil pontos no início de setembro, vários fatores explicavam a euforia: revisões de expectativas de inflação mais favoráveis, continuidade do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), entrada pesada de capital externo em busca de diferencial de juros em relação ao exterior e apostas em uma composição política menos hostil ao equilíbrio fiscal.

Ao longo do mês, porém, três variáveis ganharam peso e tiraram o ímpeto da Bolsa:

  • Campanha eleitoral polarizada: a aproximação do primeiro turno trouxe de volta ao debate temas como reforma tributária, regras fiscais e o futuro de programas sociais, ampliando a percepção de risco entre investidores institucionais.
  • Discurso fiscal ambíguo: sinais conflitantes sobre o compromisso com metas de resultado primário fizeram a curva de juros voltar a abrir em determinados trechos, especialmente nos vértices médios e longos.
  • Ambiente externo instável: dados de inflação nos Estados Unidos, expectativa em torno da política monetária do Federal Reserve e indicadores mistos na China adicionaram volatilidade ao cenário global, afetando moedas emergentes e commodities relevantes para a pauta de exportação brasileira.

Para o investidor pessoa física, esse comportamento se traduz em algo concreto: a Bolsa continua atrativa no acumulado do ano, mas passou a oscilar com mais intensidade no curto prazo. Sessões de alta e queda acima de 1% se tornaram mais frequentes desde a segunda quinzena de setembro, cenário que exige mais disciplina na gestão da carteira.

Por que o calendário eleitoral pesa tanto?

O primeiro turno está marcado para o próximo domingo, 4 de outubro, e os cinco pregões que antecedem a votação serão decisivos para o humor do mercado. É nessa janela que novas pesquisas de intenção de voto serão divulgadas, que os candidatos intensificarão o corpo a corpo com o eleitor e que possíveis declarações sobre temas econômicos podem mexer com as expectativas.

Historicamente, a Bolsa brasileira tende a apresentar volatilidade acima da média nos períodos que antecedem eleições presidenciais com cenários indefinidos. Empleições recentes, levantamentos de pesquisas e declarações sobre política econômica produziram movimentos bruscos nos contratos futuros de juros, no dólar e nas ações mais líquidas. O mercado costuma precificar não apenas quem vai ganhar, mas também qual será o tamanho da base de apoio do próximo presidente no Congresso.

Mas há um diferencial neste ciclo eleitoral: o investidor estrangeiro já chegou à corrida com posição comprada. Os R$ 27,26 bilhões ingressados no ano até 23 de setembro, conforme a B3, mostram que o capital internacional aproveitou os patamares mais baixos do Ibovespa registrados em abril e maio para montar posições. Resta saber se esses investidores manterão a exposição após o resultado do primeiro turno ou se realizarão lucros de forma mais agressiva.

Quais setores estão mais sensíveis?

Setores com forte ligação ao ciclo de crédito, ao consumo das famílias e ao investimento em infraestrutura costumam reagir de forma mais intensa ao cenário político. Entre os mais sensíveis estão bancos de varejo, incorporadoras, varejo de bens duráveis e empresas de energia com contratos regulados.

Por outro lado, setores defensivos — como saúde, saneamento e algumas empresas de energia com fluxo de caixa previsível — costumam se beneficiar em períodos de maior incerteza, justamente porque oferecem maior previsibilidade de resultados independentemente do cenário macroeconômico.

O comportamento do dólar e da curva de juros nas próximas sessões também será determinante. A moeda americana, que chegou a ultrapassar R$ 6,00 em determinados momentos do ano, voltou a se aproximar da casa dos R$ 5,50, e qualquer movimento mais forte em uma direção ou outra costuma contaminar rapidamente o humor da Bolsa e das cotas de fundos imobiliários listados.

O que o investidor deve acompanhar até o primeiro turno

  • Pesquisas eleitorais: levantamentos como Quaest, Datafolha, AtlasIntel e Paraná Pesquisas costumam mexer com o humor do mercado logo após a publicação, especialmente quando apontam mudança de cenário em estados-chave.
  • Curva de juros: o comportamento dos contratos futuros de DI indica como o mercado precifica o cenário fiscal e monetário. Vértices longos mais altos sinalizam desconfiança com o futuro das contas públicas.
  • Câmbio: oscilações do dólar acima de 1,5% em um único pregão costumam gerar efeito-contágio sobre ações e fundos imobiliários.
  • Fluxo estrangeiro: o saldo diário divulgado pela B3 mostra se o investidor internacional está comprando ou vendendo ações. Sequências de vendas tendem a pressionar o Ibovespa.
  • Noticiário fiscal: declarações sobre meta fiscal, contingenciamentos e gastos públicos pesam mais do que em períodos de calmaria política.

Como se posicionar nesse cenário?

Especialistas ouvidos ao longo do mês pelo InfoMoney recomendam cautela redobrada, sem necessariamente desfazer posições. Para investidores de longo prazo, o movimento de alta no ano sugere que a estratégia de aportes programados em ETFs, fundos de índice ou ações de empresas sólidas segue válida, mas exige paciência para atravessar fases de volatilidade.

Quem opera no curto prazo precisa estar atento a três gatilhos clássicos: divulgação de pesquisas, declarações de candidatos sobre temas econômicos e indicadores do cenário externo, especialmente a inflação norte-americana. Movimentos de proteção via dólar, contratos futuros de índice ou opções sobre ações costumam ganhar volume nessas janelas.

Já o investidor conservador pode aproveitar o momento para revisar a diversificação entre renda fixa, renda variável e dólar. Com a Selic em queda ao longo do ano, a renda variável ganhou espaço nas carteiras, mas a concentração excessiva em um único fator — como aposta em continuidade do corte de juros — costuma se revelar arriscada em janelas de volatilidade política.

Perguntas frequentes

Por que o Ibovespa caiu na semana passada mesmo com entrada de capital estrangeiro?
A queda semanal de 0,95% reflete uma combinação de fatores: aproximação do primeiro turno, dúvidas sobre o cenário fiscal e um ambiente externo mais instável. Mesmo com R$ 8,97 bilhões entrando no mês, o mercado passou a oscilar em uma faixa mais estreita após se aproximar dos 190 mil pontos, indicando realização parcial de lucros.

Quantos pregões restam antes do primeiro turno?
Faltam cinco sessões para a votação no domingo, 4 de outubro. Esses pregões costumam trazer volume atípico por conta de pesquisas eleitorais, declarações de campanha e dados econômicos.

O que pode acontecer com a Bolsa entre o primeiro e o segundo turnos?
Caso nenhum dos candidatos alcance mais de 50% dos votos válidos, a Bolsa tende a apresentar volatilidade ainda maior. O histórico mostra que a definição no segundo turno costuma produzir movimentos de repique, com o índice reagindo rapidamente ao resultado final e ao novo quadro de alianças no Congresso.

Vale a pena comprar ações na semana da eleição?
A decisão depende do perfil e do objetivo do investidor. Quem tem horizonte de longo prazo e exposição diversificada costuma usar momentos de queda para reforçar posições, mas a literatura financeira recomenda evitar alocar mais do que 5% a 15% do patrimônio em uma única ação.

Qual é a maior ameaça ao Ibovespa nas próximas semanas?
O risco fiscal aparece como principal preocupação, seguido por surpresas no cenário externo e por eventual deterioração do quadro político após o resultado das urnas, especialmente em torno da composição da base governista no Congresso.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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