O que muda no impedimento semiautomático do Brasileirão diante da Fifa
O impedimento semiautomático (SOAT, na sigla em inglês) chegou ao Campeonato Brasileiro na 20ª rodada da Série A e rapidamente se transformou em um dos assuntos mais debatidos do futebol nacional. A tecnologia, fornecida pela empresa britânica Genius Sports à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), tem o mesmo objetivo do sistema usado pela Fifa na Copa do Mundo de 2026: acelerar e dar mais precisão às decisões de impedimento. Na prática, porém, os dois modelos funcionam de maneira bastante diferente, tanto na captura de dados quanto na forma como o lance é mostrado ao torcedor pela televisão. As diferenças, segundo o portal Terra.com.br, explicam parte das críticas feitas por jogadores, dirigentes e torcedores nos primeiros jogos com a tecnologia.
Como surgiu a ideia de automatizar o impedimento
O impedimento é uma das regras mais antigas do futebol, criada em 1863, e continua sendo uma das mais difíceis de aplicar em tempo real. A condição é simples: o atleta só pode receber a bola se houver, no momento exato do passe, pelo menos um defensor — geralmente o goleiro — entre ele e a linha de fundo. Na velocidade do jogo, porém, identificar esse instante milimetricamente é um desafio, razão pela qual o VAR foi criado.
O árbitro de vídeo entrou em operação no futebol em 2018 e, no Brasil, foi adotado na Série A a partir de 2019. Ainda assim, a checagem de impedimento continuou dependendo da escolha de um único frame entre milhares gerados por segundo, trabalho que consome tempo e está sujeito à margem de erro humano. A expectativa com o sistema semiautomático é justamente reduzir esse intervalo e dar ao torcedor uma explicação visual mais clara da decisão.
Como funciona o sistema da Copa do Mundo
De acordo com o portal Terra.com.br, a Fifa utilizou no Mundial um modelo baseado em duas fontes de dados combinadas. A primeira é a bola oficial, equipada com um sensor eletrônico (chip) capaz de registrar com precisão o instante em que o jogador toca na esfera. A segunda é um conjunto de câmeras instaladas no estádio, responsáveis por monitorar a bola e os atletas em tempo real.
No detalhamento técnico, são 16 câmeras posicionadas ao redor do campo, que coletam até 29 pontos de dados por jogador, 50 vezes por segundo. O cruzamento das informações do chip com as imagens capturadas permite reconstruir o lance em três dimensões e criar animações detalhadas, incluindo o momento exato do passe. Foi essa combinação que rendeu à Copa do Mundo as famosas cenas com o gráfico gerado pelo chip mostrando o instante do chute.
Como funciona o modelo adotado pelo Brasileirão
A solução da CBF, também de acordo com a reportagem do Terra.com.br, não usa chip na bola. Em vez disso, o sistema aposta em uma malha de câmeras mais densa: entre 28 e 32 câmeras por estádio, número que varia conforme a infraestrutura de cada arena. Elas filmam em resolução 4K e capturam até 100 quadros por segundo, o dobro da frequência da Copa.
Segundo a Genius Sports, fabricante do sistema, a maior quantidade de imagens por segundo compensa a ausência do sensor na bola. Isso porque os softwares conseguem identificar, quadro a quadro, o instante exato em que a esfera deixa o pé do jogador responsável pelo passe, recriando o momento-chave do lance mesmo sem o chip. O resultado é uma decisão de impedimento mais rápida e precisa do que a obtida com o antigo método de escolha manual de frame.
A expectativa é que, com o tempo, o sistema diminua o tempo médio de checagem de impedimento pelo VAR, hoje estimado em torno de 30 a 60 segundos por lance, dependendo da complexidade.
Por que a Premier League é o principal ponto de comparação
O mesmo sistema implantado pela CBF no Brasileirão, da empresa Genius Sports, também é o utilizado pela Premier League inglesa. Conforme destaca o portal Terra.com.br, a tecnologia entrou em operação na principal liga do mundo em abril de 2025, após uma fase de testes conduzida em parceria com a Professional Game Match Officials Limited (PGMOL), o órgão que reúne os árbitros das competições profissionais da Inglaterra.
Como o Campeonato Brasileiro começou a usar o modelo praticamente ao mesmo tempo, a comparação inevitável é entre as duas ligas. A diferença é que a Premier League estreou a ferramenta em estádios cuja infraestrutura de câmeras já havia sido modernizada para o campeonato, e o campeonato inglês tem maior facilidade de padronizar a transmissão.
Por que a "imagem da Copa" ainda não chegou ao Brasil
Uma das principais mudanças percebidas pelo torcedor até agora está na exibição gráfica do lance. Na Copa do Mundo, a Fifa mostrava uma reconstrução tridimensional completa, com o gráfico gerado pelo chip destacando o exato momento do toque do jogador que deu a assistência.
Na estreia do Brasileirão, porém, a animação exibida durante a transmissão apresentou apenas as linhas de impedimento e a posição dos atletas no instante do gol, sem mostrar com clareza o momento exato do passe. De acordo com o portal Terra.com.br, a CBF sinalizou que pretende modificar a visualização após as críticas, incluindo uma imagem aberta que permita enxergar, ao mesmo tempo, o atleta que toca na bola no lance e o companheiro que recebe para marcar.
As críticas — e o que vem pela frente
A chegada do sistema não aconteceu sem polêmica. Segundo o portal Terra.com.br, a ferramenta foi alvo de críticas de clubes, entre eles o Flamengo, por causa da interpretação de lances na rodada de estreia. A principal reclamação dos dirigentes é que a tecnologia, ao invés de encerrar debates, trouxe novas dúvidas em razão da forma como o lance é apresentado nas transmissões.
Especialistas consultados por veículos europeus durante a implementação na Premier League afirmam que o ajuste entre o que a câmera capta e o que o algoritmo entende como "toque na bola" continua sendo o ponto mais sensível do sistema. É justamente esse ajuste que a CBF promete recalibrar nos próximos jogos, com updates na interface gráfica exibida pela emissora detentora dos direitos de transmissão.
Não há, até o momento, confirmação oficial de que a CBF vá incorporar um chip na bola em edições futuras do campeonato, o que exigiria acordo com fornecedores e adequação a todas as arenas. O caminho mais provável, segundo o que a entidade já comunicou, é manter o modelo sem chip e investir em melhorias no software de detecção de passes e na apresentação visual dos lances.
Perguntas frequentes sobre o impedimento semiautomático no futebol
O que é o impedimento semiautomático?
É uma tecnologia que combina câmeras de alta velocidade e, em alguns casos, sensores na bola para determinar com precisão milimétrica a posição dos atletas e o instante exato do passe, automatizando a checagem de impedimento feita pelo VAR.
Desde quando o Brasileirão usa a tecnologia?
A estreia aconteceu na 20ª rodada da Série A de 2025, com o sistema fornecido pela empresa Genius Sports, de acordo com reportagem do portal Terra.com.br.
A bola do Brasileirão tem chip como a da Copa?
Não. O modelo da CBF, segundo o portal Terra.com.br, dispensou o chip e usa apenas câmeras de alta velocidade (4K, até 100 quadros por segundo) para identificar o momento do passe.
Qual a diferença entre o sistema da CBF e o da Fifa?
A principal é a ausência do chip na bola no modelo da CBF. O sistema da Fifa, usado na Copa do Mundo de 2026, combina um sensor na bola com 16 câmeras; o do Brasileirão usa de 28 a 32 câmeras e depende apenas do processamento de imagem.
Por que a animação do lance é diferente no Brasil?
Porque o sistema da CBF ainda não exibe a reconstrução 3D completa com o gráfico do chip. Na estreia, segundo o portal Terra.com.br, foram mostradas apenas as linhas de impedimento e a posição dos jogadores, e a CBF promete ajustar a visualização nas próximas rodadas.
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