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Impedimento semiautomático: diferenças entre CBF e Fifa

Brasil aposta em sistema próprio com inteligência artificial para acelerar marcações, enquanto entidade máxima mantém padrão internacional.

Impedimento semiautomático: diferenças entre CBF e Fifa

Impedimento semiautomático no Brasileirão: entenda as diferenças em relação ao sistema da Copa do Mundo

A tecnologia de impedimento semiautomático, conhecida pela sigla em inglês SOAT (Semi-Automated Offside Technology, ou Tecnologia de Impedimento Semiautomático), foi introduzida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, com o objetivo de acelerar e dar mais precisão a uma das decisões mais polêmicas do futebol. A estreia, no entanto, foi cercada de questionamentos — inclusive da diretoria do Flamengo — e abriu uma comparação inevitável com o sistema utilizado pela Fifa na Copa do Mundo de 2026. Embora o objetivo final seja o mesmo, há diferenças técnicas relevantes entre as duas plataformas, que explicam por que a primeira exibição do lance no Brasil gerou críticas de torcedores, jogadores e clubes.

Segundo o portal Terra.com.br, que detalhou o funcionamento das duas tecnologias, o modelo adotado pela CBF, fornecido pela empresa britânica Genius Sports, não é o mesmo implantado pela Fifa em torneios internacionais. A seguir, o GCBS NEWS explica o que muda, por que muda e o que o torcedor brasileiro pode esperar a partir de agora.

O que é a tecnologia de impedimento semiautomático (SOAT)?

A SOAT é um sistema de apoio ao árbitro de vídeo (VAR) que utiliza câmeras de alta velocidade, sensores e algoritmos de inteligência artificial para identificar com precisão milimétrica a posição dos jogadores e o exato momento do passe. O objetivo é reduzir a dependência de marcações manuais e diminuir a margem de erro nas decisões de impedimento, consideradas as mais difíceis de se analisar em tempo real.

A tecnologia existe como complemento ao VAR, não como substituto. Cabem ao árbitro de campo e ao árbitro de vídeo a interpretação final e a tomada de decisão. O sistema apenas fornece dados objetivos que encurtam o tempo de análise e aumentam a segurança da marcação.

Como funciona o sistema da Copa do Mundo de 2026?

O modelo usado pela Fifa no Mundial se baseia em três pilares combinados:

  • Bola com sensor: uma bola oficial equipada com um chip eletrônico interno envia dados em tempo real e marca com exatidão o instante em que o jogador toca na bola.
  • 16 câmeras de rastreamento: instaladas em pontos estratégicos do estádio, monitoram bola e atletas de múltiplos ângulos.
  • 29 pontos de dados por jogador, 50 vezes por segundo: cada atleta é mapeado por dezenas de articulações e regiões corporais, permitindo reconstruir o movimento em alta fidelidade.

O cruzamento dessas informações gera uma animação tridimensional detalhada, com a indicação visual do exato instante em que a bola sai do pé do assistente. A combinação entre chip e câmeras de altíssima frequência é, segundo a Fifa, o que garante a precisão.

Como funciona o sistema implantado no Brasileirão?

A plataforma escolhida pela CBF e fornecida pela Genius Sports, a mesma que opera na Premier League inglesa desde abril de 2025, adota uma abordagem diferente:

  • Sem chip na bola: a tecnologia dispensa o sensor eletrônico, o que facilita a adoção em estádios que já utilizam bolas de modelos variados.
  • Entre 28 e 32 câmeras em 4K: o número varia conforme a infraestrutura de cada arena, padrão superior em quantidade ao da Fifa.
  • Até 100 quadros por segundo: a maior taxa de filmagem compensaria a ausência do sensor, capturando o instante exato do passe por meio de processamento de imagem.

Na prática, o software analisa as imagens quadro a quadro e identifica, automaticamente, o momento em que a bola deixa o pé do jogador responsável pela assistência. A partir daí, calcula as posições dos atletas envolvidos no lance.

Quais são as principais diferenças entre os dois sistemas?

Característica Copa do Mundo (Fifa) Brasileirão (CBF / Genius Sports)
Sensor na bola Sim (chip interno) Não
Número de câmeras 16 28 a 32 (varia por estádio)
Resolução Alta definição dedicada 4K
Quadros por segundo 50 Até 100
Pontos de dados por jogador 29 Informação não detalhada pela CBF
Reconstrução 3D na transmissão Sim, com indicação do passe Em adaptação após críticas

Em resumo, a Fifa aposta na fusão entre hardware na bola e software; o Brasileirão aposta em supersaturação de imagens para compensar a ausência desse hardware.

Por que a estreia no Brasileirão foi criticada?

Na primeira partida com o sistema em campo, torcedores e dirigentes reclamaram da forma como o lance foi exibido na transmissão. Diferentemente da Copa do Mundo, a animação mostrou apenas as linhas de impedimento e a silhueta dos atletas, mas não apontou com clareza o momento exato do passe.

Esse detalhe não é estético: é justamente a imagem do instante da assistência que ajuda o torcedor a entender por que o gol foi anulado ou validado. Copa do Mundo, a Fifa apresenta uma cena aberta, com o jogador que toca na bola em destaque no exato momento da saída da bola do pé. Foi exatamente essa referência visual que o público brasileiro esperava ver na estreia do Brasileirão.

Diretoria do Flamengo chegou a se manifestar publicamente sobre a implantação do sistema, somando-se ao coro de insatisfação. Após as críticas, a CBF sinalizou que deve ajustar a visualização dos lances para incluir uma imagem aberta que mostre tanto o autor do passe quanto o receptor da jogada.

Por que a CBF escolheu a Genius Sports em vez do sistema da Fifa?

A decisão passa por motivos práticos, técnicos e comerciais. A Fifa controla e licencia o sistema usado em Copas do Mundo, com seu próprio fornecedor. Adotá-lo exigiria a aquisição da bola com chip, o que tem custo logístico e de produção elevado, já que cada partida exige bolas oficiais compatíveis.

A solução oferecida pela Genius Sports, além de utilizada pela Premier League, é compatível com bolas Convencionais, o que reduz custo e facilita a operação em estádios com estruturas muito diferentes entre si, realidade comum no futebol brasileiro. A taxa de 100 quadros por segundo oferece margem de precisão suficiente para identificar o passe, segundo a empresa e especialistas em arbitragem consultados pela imprensa especializada.

O que está em jogo para o torcedor brasileiro?

Para quem acompanha o campeonato, a promessa é a de decisões mais rápidas e menos espaço para erro humano nas linhas de impedimento. Pelas projeções de órgãos internacionais, sistemas como o utilizado na Premier League reduzem o tempo médio de análise de lances de impedimento de cerca de 30 a 70 segundos para algo em torno de 15 a 20 segundos.

Há, porém, um período de adaptação. Como o sistema chegou ao Brasil há poucas rodadas, é natural que ajustes finos de visualização e operação surjam nas próximas partidas. A expectativa é que a CBF refine a apresentação dos lances e a comunicação com os clubes para reduzir ruído de interpretação.

O que esperar a partir de agora?

  • Ajuste na exibição dos lances: a CBF deve apresentar uma visualização ampliada, com imagem aberta que mostre o instante do passe.
  • Padronização por estádio: arenas que contam com mais câmeras devem oferecer dados mais robustos, o que pode gerar pequenas variações de precisão entre jogos.
  • Possível expansão para outras competições: a tendência é que a tecnologia seja avaliada também em Copa do Brasil e torneios de base, ainda sem confirmação oficial.
  • Referência internacional: a experiência do Inglês e dos testes europeus servirá de base para aprimoramentos do modelo brasileiro.

Perguntas frequentes

A tecnologia de impedimento semiautomático substitui o VAR?
Não. O sistema é uma ferramenta complementar ao VAR, fornecendo dados mais rápidos e precisos para que o árbitro de vídeo tome a decisão final em menos tempo.

A bola do Brasileirão tem chip igual ao da Copa do Mundo?
Não. O sistema adotado pela CBF não utiliza sensor na bola; a identificação do momento do passe é feita por análise das imagens captadas por câmeras de alta velocidade.

O sistema do Brasileirão é o mesmo da Premier League?
Sim. Ambos foram desenvolvidos pela Genius Sports e operam com a mesma lógica de dezenas de câmeras e imagens em altíssima taxa de quadros por segundo.

A queixa do Flamengo procede?
As críticas se concentraram na forma como o lance foi exibido na transmissão, e não na tecnologia em si. Após reclamações, a CBF sinalizou que vai melhorar a visualização dos lances.

Quando a tecnologia começou a ser usada no Brasil?
Ela estreou na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, ainda em fase inicial de operação e ajustes.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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