Gianni Infantino, presidente da FIFA, utilizou as redes sociais, uma semana após o encerramento da Copa do Mundo de 2026, para rebater as críticas recebidas durante o torneio e classificar a competição como um sucesso. Em publicação longa, o dirigente afirmou que, enquanto críticos "espalham ódio e falsos rumores", a entidade e o futebol seguem aproximando povos e culturas. Segundo o portal Terra.com.br, a mensagem foi divulgada na própria conta oficial de Infantino e buscou responder às principais polêmicas dos últimos trinta dias.
A reação acontece em um contexto de cobertura intensa e polarizada sobre o Mundial sediado simultaneamente por Estados Unidos, México e Canadá — a primeira Copa da história organizada por três países. Para o dirigente suíço-italiano, no comando da FIFA desde fevereiro de 2016, o saldo da competição é positivo em praticamente todos os indicadores relevantes, da operação de segurança à hospitalidade das cidades-sede.
Por que Infantino se manifestou uma semana após o fim da Copa?
A escolha do momento não é casual. A semana imediatamente posterior ao encerramento de uma Copa do Mundo costuma concentrar dois movimentos simultâneos: as análises técnicas sobre o futebol em si (desempenho das seleções, arbitragem, jogos) e a avaliação crítica sobre os aspectos extracampo — segurança, mobilidade, acessibilidade, impacto urbano, direitos humanos e legado.
Ao se antecipar a essa segunda onda de análises com uma defesa pública detalhada, Infantino procura moldar a narrativa antes que ela se consolide apenas a partir das críticas. A estratégia é semelhante à adotada após a Copa do Qatar, em 2022, quando a FIFA também recorreu a publicações e coletivas para responder a questionamentos sobre condições de trabalho, direitos de mulheres e questões climáticas.
O tom da publicação: "ódio" e "falsos rumores"
Um dos pontos mais destacados da mensagem de Infantino foi a adoção de um tom confrontativo. Segundo a reportagem do Terra.com.br, o presidente da FIFA classificou como "ódio" e "falsos rumores" o conteúdo produzido por parte da imprensa e de vozes críticas ao longo do torneio.
O discurso de defesa do "espírito de união" do futebol é uma marca registrada do mandatário. Em diferentes oportunidades, Infantino já comparou o futebol a uma força capaz de superar fronteiras políticas, conflitos religiosos e diferenças culturais. A novidade agora foi a intensidade do ataque frontal a críticos, em um período em que o Mundial ainda é tema dominante nas redes sociais.
Os números e argumentos apresentados pela FIFA
Na publicação, Infantino listou uma série de dados para sustentar sua avaliação positiva do torneio. Entre os pontos destacados pela reportagem original:
- Reunião de torcedores de mais de 200 países ao longo das cidades-sede;
- Participação de milhões de pessoas nos estádios e nas fan zones;
- Ausência de problemas relevantes de segurança segundo a FIFA;
- Reconhecimento ao trabalho conjunto de autoridades locais, forças de segurança, voluntários e cidades-sede.
Os números sobre o número efetivo de torcedores, público total e impacto econômico ainda não foram detalhados oficialmente pela FIFA até o fechamento deste texto, mas a entidade promete divulgar um relatório consolidado nos próximos meses.
As controvérsias que marcaram a Copa do Mundo de 2026
Apesar da defesa, o próprio Infantino reconheceu, na publicação, que houve temas sensíveis que exigiram posicionamento. A FIFA citou explicitamente as polêmicas para tentar esvaziá-las, em vez de ignorá-las — uma mudança em relação à comunicação de edições anteriores.
A questão dos vistos nos Estados Unidos
O tema mais sensível foi a concessão de vistos de entrada para torcedores e delegações, especialmente em território norte-americano. Reportagens publicadas ao longo do torneio registraram relatos de viajantes que tiveram pedidos negados ou atrasados, gerando críticas nas redes sociais e na imprensa internacional.
Infantino rebateu essa narrativa dizendo que milhões de pessoas conseguiram viajar normalmente para acompanhar a Copa e que o foco excessivo nos casos isolados de recusa acabou distorcendo a realidade. Para o presidente da FIFA, tratar a exceção como regra prejudica a imagem do evento e dos países anfitriões.
O modelo de sede tríplice: EUA, México e Canadá
A Copa de 2026 foi a primeira da história sediada por três países simultaneamente. A divisão de jogos trouxe benefícios logísticos — aproveitamento de estádios já existentes em três federações — mas também desafios operacionais inéditos, como o deslocamento de seleções e torcedores entre três jurisdições com legislações migratórias, fiscais e de segurança distintas.
O México, por sinal, entrou para a história como o primeiro país a sediar a Copa do Mundo três vezes, após ter sido anfitrião em 1970 e 1986. Já Estados Unidos e Canadá estrearam neste formato compartilhado, ainda que os EUA já tivessem recebido a competição em 1994.
A expansão para 48 seleções
Outro ponto estrutural do torneio foi a ampliação do número de participantes de 32 para 48 seleções — uma das maiores reformas da história do Mundial e defendida publicamente por Infantino. A mudança ampliou o número de jogos (de 64 para 104, incluindo fases de grupos mais longas) e gerou debates sobre a diluição do nível técnico, o cansaço dos jogadores e o impacto logístico para seleções menores, que precisaram se deslocar por distâncias continentais.
O papel dos voluntários, autoridades e cidades-sede
Outro bloco importante da publicação foi o agradecimento aos atores que trabalharam diretamente na operação do torneio. Infantino citou nominalmente as autoridades locais dos três países, as forças de segurança, os voluntários e as prefeituras das cidades-sede, classificando-os como "determinantes" para o sucesso do evento.
Esse reconhecimento público tem dupla função: reforçar a imagem institucional da FIFA como parceira dos países anfitriões e preparar o terreno para futuras candidaturas de Copas. Em cenário de eleição interna da entidade, a capacidade de articulação com governos é um ativo relevante.
Repercussão e próximos passos
A publicação de Infantino dividiu opiniões. Setores ligados à defesa de direitos humanos e a associações de imprensa cobraram da FIFA, em outras ocasiões, respostas mais técnicas e menos políticas. Por outro lado, federações nacionais e patrocinadores tendem a alinhar-se ao discurso oficial para preservar a relação comercial com a entidade.
Nos próximos meses, a expectativa é que a FIFA apresente os números consolidados de audiência, movimentação econômica e legado social, e que se iniciem os preparativos para a próxima Copa do Mundo — a de 2030, que será novamente multiprocesso, com partidas inaugural em três países sul-americanos (Argentina, Paraguai e Uruguai) e o restante da competição em Espanha, Portugal e Marrocos.
Perguntas frequentes
O que Gianni Infantino disse sobre a Copa do Mundo de 2026?
Uma semana após o fim do torneio, o presidente da FIFA publicou mensagem em suas redes sociais classificando a competição como um sucesso, elogiando torcedores, voluntários e cidades-sede, e criticando quem, segundo ele, espalhou "ódio e falsos rumores".
Quais foram as principais críticas à Copa do Mundo de 2026?
As principais queixas envolveram a concessão de vistos nos Estados Unidos, a logística entre três países-sede e o impacto da expansão para 48 seleções sobre o calendário e o nível técnico.
Quantos países participaram da Copa do Mundo de 2026?
Segundo a FIFA, torcedores de mais de 200 países acompanharam o torneio. O número de seleções participantes foi ampliado de 32 para 48, conforme reforma implementada pela entidade.
Quais países sediaram a Copa do Mundo de 2026?
A Copa foi sediada simultaneamente por Estados Unidos, México e Canadá, em modelo inédito de co-organização tríplice na história do torneio.
Quando sai o próximo relatório oficial da FIFA sobre a Copa de 2026?
Até o fechamento desta matéria, a FIFA não havia confirmado uma data para a divulgação do relatório consolidado com números de público, audiência e impacto econômico. A expectativa é de publicação nos próximos meses.
Reportagem produzida com base em informações publicadas pelo portal Terra.com.br. Conteúdo jornalístico elaborado pelo GCBS NEWS.
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