O Irã entrou na Copa do Mundo de 2026 com uma combinação rara de obstáculos: uma guerra aberta no Oriente Médio, um processo de vistos ainda sujeito a condições e mudanças de última hora no local de treinamento. Segundo o portal que publicou a apuração da BBC, a seleção iraniana deve jogar os três jogos da fase de grupos nos Estados Unidos — em um cenário que envolve incerteza diplomática, logística complexa e debate político entre atletas, governo e torcedores.
A rotina do time, no entanto, virou pauta global após a quinta-feira de tensão militar na região. Neste domingo (7/6), o Irã lançou ataques a mísseis contra o norte de Israel depois de ataques israelenses contra o sul de Beirute, no Líbano. Com as declarações inflamadas do lado israelense e a escalada do conflito, a delegação iraniana atravessa o torneio em meio a um contexto internacional altamente volátil — inclusive no que diz respeito ao trânsito de pessoas e documentação para entrar no país anfitrião.
Por que a Copa do Mundo de 2026 se tornou um desafio maior para o Irã?
Quando o Irã se classificou em 25 de março de 2025, a atenção foi para o desempenho esportivo e o marco histórico. Mais de um ano depois, a perspectiva mudou: a seleção não apenas encara rivais em campo, mas precisa administrar um ambiente externo que impacta diretamente o deslocamento, a hospedagem e a circulação de atletas e comissão técnica.
De acordo com a apuração mencionada pelo portal que divulgou o material da BBC, o time deve atuar em território dos Estados Unidos, país com relações hostis com Teerã por mais de quatro décadas. Desde eventos como a crise dos reféns na embaixada americana em Teerã, em 1979, os dois países não mantêm relações diplomáticas formais. Nesse cenário, o futebol tende a ser um dos poucos pontos de contato direto — mas sem eliminar barreiras práticas.
O que aconteceu com os vistos do Irã para os EUA?
O processo de vistos foi descrito como uma das “tramas” centrais até a proximidade do torneio. Segundo o material de referência, o Irã foi uma das primeiras seleções a garantir vaga na Copa. Mesmo assim, a aprovação dos vistos americanos para os jogadores ocorreu apenas na sexta-feira (5/6).
O problema não foi restrito ao elenco. Segundo a mesma apuração, vários integrantes da comissão técnica tiveram os vistos negados — incluindo o presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj. A consequência prática é clara: ao menos parte da equipe que deveria acompanhar o time pode ficar fora, ou precisar ser substituída conforme a regra de presença e o que for permitido pela operação local.
O Departamento de Estado dos EUA, conforme relatado na referência, informou à BBC que os vistos necessários para o Irã competir na Copa do Mundo — incluindo jogadores e a equipe de apoio essencial — foram emitidos. Ao mesmo tempo, o órgão afirmou que não permitiria “abusar desse sistema” com o objetivo de infiltrar pessoas vinculadas a terrorismo nos EUA sob falsos pretextos.
Além disso, o material cita que o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, disse que a seleção foi notificada das condições dos vistos: os jogadores devem entrar e sair do território americano no mesmo dia de suas partidas.
O que essa exigência muda na rotina do time?
Sem entrar em detalhes operacionais não confirmados, a exigência de entrada e saída no mesmo dia impacta diretamente:
- programação de treinos, já que o time precisa ajustar atividades antes e depois dos jogos em cronograma rígido;
- recuperação física, pois deslocamento e descanso ficam mais condicionados ao dia de partida;
- gestão do staff, já que eventuais ausências de membros da comissão por causa de vistos alteram o planejamento;
- acomodação, com mais foco em “corredor de jogo” do que em uma permanência longa em um único local.
Para o torcedor brasileiro, isso também muda a forma de acompanhar o dia a dia do time: menos “estadia” pode significar menor exposição a entrevistas e eventos fora do perímetro do jogo.
O Irã mudou o centro de treinamento para onde?
Outra medida descrita na referência foi a realocação do centro de treinamento. Segundo o material, o Irã transferiu a base para a Copa do Mundo nos EUA para Tijuana, no México, com aprovação da FIFA.
Inicialmente, o plano era ficar baseado em Tucson, no Arizona. A mudança ocorreu “em meio à guerra” e diante da incerteza logística, especialmente ligada ao contexto diplomático e ao processo de vistos.
Esse tipo de ajuste, em torneios internacionais, costuma ser feito quando fatores como segurança, regras migratórias, custos e disponibilidade de hotéis e campos de treino se tornam mais complexos do que o previsto. No caso do Irã, a referência deixa claro que não se trata apenas de conveniência: é uma resposta a um ambiente externo instável.
Onde serão os jogos do Irã na fase de grupos?
De acordo com o texto de referência, os três jogos do Irã na fase de grupos serão disputados nos Estados Unidos:
- contra a Nova Zelândia em Los Angeles;
- contra a Bélgica em Los Angeles;
- contra o Egito em Seattle.
Para o leitor no Brasil, a implicação mais prática é a seguinte: horários, transmissão e deslocamentos serão muito dependentes das partidas em cidades diferentes. A base em Tijuana tende a funcionar como um “ponto de logística” para encurtar as viagens no dia de jogo, já que o material menciona a regra de entrada e saída no mesmo dia.
Como o histórico Irã x EUA influencia a pressão sobre o time?
As relações entre Irã e EUA são marcadas por hostilidade há mais de quatro décadas, com interrupção do diálogo diplomático formal. Ainda assim, o futebol muitas vezes criou “passagens” simbólicas entre os dois lados.
O caso mais lembrado na referência é a Copa do Mundo de 1998, na França, quando o Irã venceu os Estados Unidos por 2 a 1. O jogo ganhou o apelido de “Mãe de Todos os Jogos” por causa do peso político que a partida carregava.
Segundo a apuração, antes do início do confronto, os jogadores iranianos ofereceram rosas brancas aos adversários americanos como gesto de paz — um gesto visto por muitos como transcendente ao conflito.
Mais tarde, na Copa do Mundo de 2022, no Catar, as equipes se encontraram novamente e os EUA venceram por 1 a 0. A referência também aponta que um novo encontro em 2026 — inclusive em fase eliminatória, dada a ampliação do torneio para 48 seleções — elevaria ainda mais o interesse, pela carga simbólica diante da guerra em curso.
O futebol ainda une o Irã? Ou a divisão voltou?
Além do campo, a referência destaca uma mudança no padrão de apoio popular. Tradicionalmente, a seleção iraniana era vista como uma das poucas instituições capazes de reunir torcida acima de divisões sociais e políticas. Em Copas anteriores, o time atraiu apoio amplo.
O cenário, porém, se alterou antes da Copa do Mundo de 2022, quando protestos se espalharam no Irã após a morte de Mahsa Amini sob custódia policial, seguida de repressão a manifestantes. Nesse contexto, a seleção virou centro de um debate: parte do público esperava que atletas expressassem solidariedade aos protestos; outra parte defendia que o futebol deveria permanecer fora da política.
De acordo com a referência, seis meses antes da Copa de 2026, o Irã teria passado por uma repressão relevante contra protestos anti-regime, segundo grupos de direitos humanos. Em um ambiente assim, o consenso nacional que ajudava a “blindar” a seleção do debate público pode ter enfraquecido.
O que isso significa para o desempenho esportivo?
A referência sugere que o desafio do Irã em 2026 não é apenas esportivo: é também de coesão simbólica. Em campo, o time busca um resultado que nunca conseguiu alcançar: avançar além da fase de grupos. Até hoje, apesar de ter se classificado para sete Copas do Mundo, o Irã não havia superado essa etapa.
Com a ampliação do torneio, a chance de chegar às oitavas de final aumenta — e, para a equipe, isso pode ser interpretado como um objetivo mais realista do que em edições anteriores.
Qual é o cenário do Irã agora: qual o próximo passo?
Com vistos e logística ainda mais condicionados do que o comum, a preparação passa por três frentes:
- Conformar a comissão técnica ao que foi efetivamente autorizado a entrar nos EUA;
- Organizar a rotina de treinos e deslocamentos considerando a base em Tijuana e a regra de entrada/saída no mesmo dia;
- Responder ao clima político com foco no desempenho, mesmo em meio a uma sociedade com apoio mais dividido do que em outros ciclos.
Ao torcedor brasileiro, isso oferece uma leitura: assistir ao Irã na Copa de 2026 vai além do placar. Há um “segundo jogo” acontecendo nas margens do torneio — o jogo do trânsito, dos vistos e do sentido político atribuído à seleção.
Perguntas frequentes
O Irã vai mesmo jogar em cidades dos EUA durante a Copa?
Sim. Segundo a referência, os jogos da fase de grupos do Irã serão em Los Angeles (contra Nova Zelândia e Bélgica) e Seattle (contra o Egito).
Quando os vistos para os jogadores iranianos foram aprovados?
De acordo com o texto de referência, a aprovação dos vistos americanos para os jogadores ocorreu na sexta-feira (5/6).
Os vistos foram negados para a comissão técnica?
Segundo a referência, sim: houve negação para membros da comissão técnica, incluindo o presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj.
Onde o Irã vai treinar durante a Copa?
O material afirma que a FIFA aprovou a mudança para Tijuana, no México, após o plano inicial de base em Tucson, no Arizona.
Existe alguma condição para a entrada e saída dos jogadores nos EUA?
Conforme relatado, o Irã foi notificado de que os jogadores devem entrar e sair dos EUA no mesmo dia das partidas.
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