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Long March 7A explode 85s após decolar e destrói satélite

China registra fracasso orbital e abre investigação para apurar causas; comunidade espacial teme sequência de reveses.

Long March 7A explode 85s após decolar e destrói satélite

Foguete chinês Long March 7A explode 85 segundos após decolagem e destrói satélite de comunicações

Um foguete Long March 7A explodiu nesta segunda-feira (10) cerca de 85 segundos após decolar do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul da China. O veículo transportava o satélite de comunicações ChinaSat-4B e foi completamente destruído ainda em baixa altitude, antes de atingir velocidade orbital. A missão foi oficialmente declarada fracassada pela agência estatal chinesa Xinhua, conforme reportagem divulgada pela Reuters e reproduzida pelo portal Olhardigital.com.br.

O que aconteceu durante o lançamento

A decolagem ocorreu às 20h02 no horário de Pequim (9h02 em Brasília). Imagens registradas por espectadores próximos ao espaçoporto e publicadas em redes sociais mostram o foguete sendo consumido por uma explosão poucos segundos depois de subir. Segundo o astrônomo Jonathan McDowell, do Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian, os vídeos indicam que o veículo foi destruído em baixa altitude e baixa velocidade, o que descarta a chegada tanto do satélite quanto de destroços à órbita terrestre.

Em comunicado oficial, a Xinhua informou que uma anomalia durante o voo provocou a falha da missão e que as causas estão sob análise. Até o momento, nenhum relatório técnico detalhado sobre o que provocou a explosão foi divulgado pelas autoridades chinesas.

Qual era a carga levada pelo foguete

O satélite perdido era o ChinaSat-4B, também identificado como Zhongxing-4B, pertencente à frota chinesa de satélites geoestacionários de comunicações. Um relatório da China National Radio, posteriormente retirado de uma página hospedada pelo Baidu, confirmou a identidade da carga e classificou o lançador como uma versão modificada do Long March 7.

O ChinaSat-4B integra a mesma série do ChinaSat-4A, lançado em 2024, cuja função oficial declarada pela China é oferecer serviços de:

  • Transmissão de voz
  • Dados
  • Rádio
  • Televisão

Esses satélites são operados pela China Satellite Communications Co. (China Satcom), estatal que responde por parte relevante da infraestrutura de telecomunicações via satélite do país asiático.

O que é o Long March 7A

O Long March 7A é um lançador de médio porte da família Long March, derivado do Long March 7 — foguete de nova geração usado pela China para reabastecer a estação espacial Tiangong. A versão "A" foi adaptada para missões em órbita geoestacionária, o que a torna estratégica para lançamentos de satélites de comunicações e de observação que precisam operar a cerca de 36 mil quilômetros de altitude.

O veículo é fabricado pela China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT) e costuma ser avaliado como uma evolução do trabalho iniciado com o Long March 7, cujo primeiro voo ocorreu em 2016. A versão 7A, especificamente, estreou em março de 2020, também a partir do centro de Wenchang.

Uma sequência de sucessos interrompida

Antes do acidente desta segunda-feira, o Long March 7A vinha acumulando uma sequência ininterrupta de lançamentos bem-sucedidos desde sua primeira missão. A explosão representa um golpe simbólico para o programa espacial chinês, sobretudo em um momento em que Pequim acelera o ritmo de missões para ampliar sua constelação de satélites de comunicações e dar suporte a ambições em órbita geoestacionária.

Embora falhas em voos espaciais não sejam incomuns — agências e fabricantes como NASA, SpaceX, Arianespace e Roscosmos também registram perdas periódicas —, o acidente chama a atenção por ter interrompido um ciclo de confiabilidade justamente em um modelo que vinha sendo apontado como promissor dentro da frota chinesa.

O que pode ter dado errado?

Como nenhuma investigação oficial foi concluída, as causas seguem como especulação técnica. Especialistas apontam, porém, alguns cenários plausíveis para explosões em fase inicial de voo:

  1. Falha no propulsor — especialmente em motores do primeiro estágio, que operam sob altíssima pressão e temperatura.
  2. Problema no sistema de controle de atitude — comprometendo a trajetória e gerando esforço estrutural excessivo.
  3. Falha em sistemas elétricos ou de telemetria — levando à perda de comandos essenciais logo após a decolagem.
  4. Falha na separação entre estágios — embora isso normalmente ocorra após 85 segundos, alguns incidentes prematuros já foram registrados em outros lançadores.

Jonathan McDowell, ouvido pela Reuters, afirmou que os vídeos analisados sugerem que o foguete nunca passou da fase inicial de subida, o que reforça a hipótese de falha logo no primeiro estágio ou em sistemas imediatamente posteriores à ignição.

O que isso significa para o Brasil e para o setor espacial

Apesar de o satélite perdido não atender diretamente o mercado brasileiro, o episódio tem impacto indireto relevante. A China vem ampliando a oferta de serviços de banda larga via satélite para regiões tropicais e de difícil cobertura, incluindo a América Latina, por meio de operadores como a própria China Satcom e parceiros comerciais.

Além disso, empresas e agências espaciais ocidentais monitoram cada falha da indústria chinesa de perto, pois ela pode influenciar:

  • Janelas de lançamento compartilhadas em espaçoportos internacionais;
  • Cotação de seguros espaciais — prêmio pago para cobrir perdas de satélites e veículos;
  • Concorrência global em comunicações geoestacionárias, onde players como SpaceX (Starlink), SES, Intelsat e a própria China Satcom disputam contratos.

Para o leitor brasileiro, o episódio serve de lembrete sobre a complexidade técnica envolvida em cada missão orbital: mesmo países com programas espaciais consolidados e décadas de experiência enfrentam fracassos. A corrida espacial contemporânea, marcada por lançamentos cada vez mais frequentes, convive com uma taxa de falha que, embora menor do que nas décadas de 1960 e 1970, continua presente.

Próximos passos da investigação

A expectativa é que a China Academy of Launch Vehicle Technology (CALT) e a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) publiquem, nas próximas semanas, um relatório preliminar sobre as causas da falha. Investigações desse tipo costumam levar meses até uma conclusão definitiva, mas normalmente há comunicados iniciais com hipóteses prioritárias.

Enquanto isso, o programa Long March 7A deve passar por uma pausa técnica até que a segurança do veículo seja reavaliada — procedimento padrão após falhas em qualquer família de foguetes no mundo. Outros lançamentos previstos a partir de Wenchang podem ser reagendados caso compartilhem peças, fornecedores ou estágios com o modelo acidentado.

Perguntas frequentes

Quando o foguete chinês explodiu?
Na segunda-feira, dia 10, por volta das 9h02 (horário de Brasília), cerca de 85 segundos após a decolagem do Centro de Lançamento de Wenchang, em Hainan.

O que era o satélite ChinaSat-4B?
Era um satélite geoestacionário de comunicações da operadora estatal China Satcom, da mesma série do ChinaSat-4A (lançado em 2024), destinado a serviços de voz, dados, rádio e televisão.

Algum destroço chegou a ficar em órbita?
Não. Segundo o astrônomo Jonathan McDowell, a explosão ocorreu em baixa altitude e baixa velocidade, o que impede que fragmentos atinjam órbita terrestre.

A China já comunicou a causa da explosão?
Ainda não. A agência Xinhua informou apenas que houve "anomalia durante o voo" e que a causa está sob investigação.

O acidente afeta lançamentos espaciais no Brasil?
Não diretamente. O impacto é indireto, por meio do mercado global de seguros espaciais, da concorrência em comunicações via satélite e de possíveis ajustes em cronogramas internacionais de lançamentos.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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