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Maria Homem diz que Nolan reescreveu o herói em A Odisseia

ante do elenco revela que diretor transformou Odisseu em figura mais humana e contemporânea.

Maria Homem diz que Nolan reescreveu o herói em A Odisseia

Psicanalista Maria Homem diz que Nolan "reescreveu um herói contemporâneo" em "A Odisseia"

A psicanalista e escritora Maria Homem afirmou, nesta quarta-feira (5), durante participação no Rio Innovation Week, que Christopher Nolan "reescreveu um herói contemporâneo por excelência" ao levar Odisseu para as telas em "A Odisseia", adaptação cinematográfica do clássico poema de Homero. Em entrevista ao jornal Estadão, a psicanalista sustentou que o protagonista do filme encarna um olhar crítico sobre a guerra que dialoga com questionamentos filosóficos já presentes na literatura grega clássica há cerca de três mil anos.

O herói que questiona a guerra em vez de glorificá-la

Para Maria Homem, o diferencial da leitura de Nolan está em transformar Odisseu em um herói capaz de duvidar da lógica bélica. A psicanalista resumiu o sentimento do protagonista com uma frase atribuída ao personagem: "A guerra não faz sentido; é destruição pura, ela é injusta, ela dá muito trabalho, ela é um custo altíssimo. Ela é o paradigma da força e não o paradigma da palavra."

A fala sintetiza o que Maria Homem chamou de "reescrita" do arquétipo heroico. Em vez de um guerreiro movido pela glória, o Odisseu de Nolan seria um líder que reconhece a violência como fracasso da razão, e não como demonstração de coragem. Segundo a psicanalista, esse movimento é o que torna o personagem "contemporâneo por excelência" — não por estar ambientado na atualidade, mas por carregar um dilema ético que se repete em diferentes épocas.

Por que Maria Homem recorreu a Eurípedes e Ésquilo

A argumentação de Maria Homem ganhou densidade ao ancorar o filme na tradição filosófica grega. Ela lembrou que a cultura helênica já problematizava o heroísmo de guerra em diferentes gêneros literários:

  • As Troianas, de Eurípedes, expõe as consequências humanas da vitória militar, deslocando o foco dos vencedores para as mulheres e crianças derrotadas.
  • Orestéia, trilogia de Ésquilo escrita no século 5 a.C., questiona diretamente o modelo de heroísmo viril do poema de Homero, datado do século 8 a.C.

Ao comparar a Antiguidade com o presente, Maria Homem afirmou: "Três mil anos depois, no estágio em que estamos, dizemos: 'Não, eu posso ter a culpa porque eu posso achar uma outra maneira mental, lógica, filosófica de resolver os conflitos e as disputas por recursos, por território, por espaço, por reconhecimento'." A fala indica que, na visão da psicanalista, a civilização atual finalmente incorporou o que os trágicos gregos já intuíam: que o conflito pode ser tratado por outros meios além da guerra.

Quem é Maria Homem

Maria Homem é psicanalista, escritora e uma das vozes mais influentes do pensamento psicanalítico brasileiro. Autora de livros como "A Psicanálise e o Cinema" e "Prosa de Obsessão", ela mantém coluna regular sobre cultura e psicanálise em veículos de grande circulação. Sua participação no Rio Innovation Week — evento que reúne inovação, tecnologia e cultura no Rio de Janeiro — reforça a interseção entre arte clássica, narrativa contemporânea e pensamento crítico.

Bilheteria: três semanas e mais de R$ 4,6 bilhões

Segundo o portal Terra.com.br, que reproduziu a entrevista, "A Odisseia" já havia arrecadado, em três semanas em cartaz, o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões em conversão cambial, com base em números de bilheteria divulgados na fonte como US$ 911 milhões (a publicação original apresenta a cifra em "bilhões", mas a equivalência em reais indica tratar-se de milhões de dólares, o que está em sintonia com o porte típico de uma superprodução de Nolan). O longa-metragem adapta o poema homérico e é estrelado por Matt Damon no papel central.

Mesmo considerando o desempenho expressivo, o que se destaca na fala de Maria Homem não é o aspecto comercial, mas a leitura simbólica do filme. Nolan, que já abordou a guerra em obras como "Dunkirk" (2017) e a construção da bomba atômica em "Oppenheimer" (2023), parece consolidar aqui um discurso crítico sobre o uso da força como instrumento de poder.

Por que essa leitura importa para o público brasileiro

O interesse da fala de Maria Homem vai além do público cinéfilo. A leitura proposta dialoga diretamente com debates atuais no Brasil e no mundo:

  • Diplomacia e resolução de conflitos: em meio a guerras em curso na Europa e no Oriente Médio, a mensagem de que existem alternativas não-violentas para disputas por território e recursos encontra ressonância imediata.
  • Educação e cultura clássica: ao conectar o filme aos textos de Eurípedes e Ésquilo, a psicanalista mostra que a Grécia Antiga não era apenas um repertório de heroicidade, mas também uma fonte crítica sobre a guerra.
  • Papel da arte: a fala reforça que blockbusters podem funcionar como veículos de reflexão filosófica, e não apenas entretenimento.

Para o leitor brasileiro, entender o filme por essa chave é escapar da leitura superficial de "mais uma adaptação de épico grego" e enxergar o longa como uma intervenção no debate contemporâneo sobre como sociedades resolvem (ou falham em resolver) seus conflitos.

O que esperar do filme segundo a psicanalista

Embora a entrevista divulgada não detalhe cenas específicas, a tese central de Maria Homem aponta para um Odisseu humanizado, marcado pela dúvida ética e pela recusa da lógica da força. É a antítese do herói unidimensional que só age pela espada. Segundo a psicanalista, esse novo perfil é o que torna o personagem "o herói contemporâneo por excelência": alguém que reconhece a guerra como custo, e não como valor.

A repercussão da fala no Rio Innovation Week, aliada ao bom desempenho de bilheteria, sugere que o tema deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas, seja em críticas cinematográficas, seja em debates acadêmicos sobre o impacto cultural de "A Odisseia".

Perguntas frequentes

O que Maria Homem disse sobre "A Odisseia" de Christopher Nolan?

A psicanalista afirmou que Nolan "reescreveu um herói contemporâneo por excelência", apresentando Odisseu como um personagem que questiona a guerra e a vê como "paradigma da força", em contraste com o "paradigma da palavra".

Onde e quando a entrevista foi concedida?

A entrevista foi concedida ao jornal Estadão durante o Rio Innovation Week, nesta quarta-feira (5).

Quais textos gregos Maria Homem citou?

A psicanalista mencionou "As Troianas", de Eurípedes, e "Orestéia", de Ésquilo, como exemplos de que os gregos já questionavam o heroísmo de guerra cerca de mil anos depois de Homero.

Quanto "A Odisseia" já arrecadou em bilheteria?

Conforme o portal Terra.com.br, o filme arrecadou, em três semanas, o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões, com base em números de bilheteria reportados na fonte original.

Quem interpreta Odisseu no filme de Nolan?

Matt Damon estrela "A Odisseia" no papel principal, em produção de grande porte distribuída pela Universal Pictures.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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