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Mercado de smartphones cai 10% e só Samsung e Apple crescem

Concorrentes chineses recuam além da média global; aposta no segmento premium explica desempenho das líderes.

Mercado de smartphones cai 10% e só Samsung e Apple crescem

O mercado de smartphones da América Latina viveu no segundo trimestre de 2026 a sua maior retração anual desde o fim de 2023, com queda de 10% no volume de aparelhos enviados às lojas em comparação com o mesmo período de 2025. Mesmo nesse cenário adverso, duas fabricantes conseguiram surfar na contramão da crise: Samsung e Apple, únicas entre as marcas líderes a registrar crescimento nas remessas, segundo dados da Counterpoint Research divulgados pelo portal Olhardigital.com.br.

A performance das duas gigantes contrasta com o resultado negativo de concorrentes como Motorola, HONOR e Xiaomi, que não resistiram à combinação de alta nos custos de componentes, crise global de memória e enfraquecimento da demanda. O resultado expõe uma realidade cada vez mais clara no setor: em tempos de aperto, consumidores latino-americanos — incluindo o público brasileiro — tendem a se concentrar em marcas que oferecem percepção de valor mais robusta e ecossistema maduro.

O que aconteceu no mercado de smartphones da América Latina no 2º trimestre de 2026?

De acordo com o relatório da Counterpoint Research, o segundo trimestre de 2026 foi marcado por uma queda de 10% nas remessas de smartphones para a América Latina em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Trata-se da maior retração anual registrada na região desde o terceiro trimestre de 2023, quando a recessão econômica do período pós-pandemia, somada a estoques elevados nas redes varejistas, já havia provocado uma redução de dois dígitos nos envios de aparelhos.

Para dimensionar o peso do resultado, vale lembrar que a América Latina é um dos maiores mercados de smartphones do mundo. Países como Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile concentram centenas de milhões de consumidores ativos, e qualquer oscilação relevante no volume de remessas costuma servir como termômetro para tendências globais do setor.

Por que Samsung e Apple cresceram enquanto o mercado caiu?

O dado mais curioso do levantamento é que Samsung e Apple foram as únicas fabricantes entre as principais a registrar expansão em meio à retração generalizada. A Samsung liderou com alta de 6% nas remessas, seguida pela Apple, que avançou 5% no período. Os números chamam atenção porque rivais diretas, como Motorola, HONOR e Xiaomi, amargaram desempenho inferior ao do mercado como um todo.

Entre os fatores que ajudam a explicar essa resistência das duas marcas, estão:

  • Força de marca e percepção de valor: Mesmo em cenário de preços mais altos, o consumidor tende a enxergar em iPhones e Galaxy um custo-benefício de longo prazo, com maior durabilidade e suporte prolongado de atualizações.
  • Ecossistema integrado: A integração entre smartphone, relógio inteligente, fones e notebooks funciona como um incentivo adicional para quem já está dentro do universo Apple ou Samsung.
  • Política de preços seletiva: As fabricantes concentraram lançamentos em faixas premium e intermediário-premium, onde o consumidor mostra maior disposição para absorver reajustes.
  • Canais de distribuição maduros: As duas marcas mantêm operações consolidadas com varejistas, operadoras e lojas próprias em toda a região.

O que derrubou o mercado? A crise de memória e o aumento dos SoCs

Segundo a analista Tina Lu, da Counterpoint Research, a retração do mercado latino-americano está diretamente ligada a dois fatores estruturais: a crise global de memória e a alta nos preços dos sistemas em chip (SoCs), os processadores que equipam os smartphones.

"O mercado de smartphones da América Latina enfrentou um segundo trimestre desafiador em 2026. As crises de memória pioraram e o preço de SoC subiu ao longo do trimestre", explicou a analista.

Os chips de memória RAM e armazenamento NAND são componentes essenciais para a fabricação de qualquer smartphone. Quando o preço desses insumos sobe de forma expressiva, como vem ocorrendo desde o fim de 2025, o custo final de cada aparelho aumenta — e a margem das fabricantes se comprime. O mesmo acontece com os SoCs, que dependem de processos avançados de fabricação em fábricas como as da TSMC e da Samsung Foundry, com capacidade limitada diante da demanda de inteligência artificial, automotivo e servidores.

Para entender por que esse movimento atinge a América Latina com tanta força, é preciso considerar que a região é majoritariamente dependente de smartphones importados ou montados localmente com componentes estrangeiros. Sem produção doméstica de semicondutores, os fabricantes locais não têm como blindar seus custos.

Por que, então, o consumidor não sentiu os preços nas lojas?

Apesar da alta nos custos de componentes, o repasse ao consumidor final foi apenas parcial. A explicação está na valorização de diversas moedas latino-americanas frente ao dólar ao longo do trimestre, o que amenizou parte do aumento dos preços de importação.

No caso específico do Brasil, o real viveu períodos de relativa estabilidade e até apreciação pontual em 2026, o que ajudou gigantes como Apple e Samsung a segurarem reajustes mais agressivos nas tabelas brasileiras. Fabricantes menores, por outro lado, trabalham com margens mais apertadas e foram obrigadas a repassar mais rapidamente o aumento dos componentes, perdendo competitividade nas faixas de entrada e intermediária.

Como isso afeta o consumidor brasileiro na prática?

Para quem está pensando em trocar de celular no Brasil, o momento exige atenção a alguns pontos práticos:

  • Aparelhos de entrada e intermediários podem subir mais: Fabricantes como Xiaomi e Motorola têm menos gordura para absorver custos e tendem a reajustar preços com mais frequência.
  • Modelos premium seguem como aposta mais segura: Galaxy S e iPhones mantêm maior previsibilidade de preço e desvalorização mais controlada.
  • Promoções e cashback voltam a pesar: Em cenário de preços altos, descontos agressivos em datas como Black Friday e Dia das Mães podem representar economia real de centenas de reais.
  • Aparelhos antigos tendem a durar mais: Fabricantes têm ampliado o suporte de atualizações — Samsung promete até sete anos em parte da linha Galaxy, e Apple oferece atualizações por período similar para o iPhone. Isso reduz a pressão por troca.

Qual é a comparação com a crise de 2023?

A retração de 10% registrada no segundo trimestre de 2026 só não é pior do que a observada no terceiro trimestre de 2023. Naquele momento, a combinação de recessão econômica no período pós-pandemia, inflação alta em diversos países da região e estoques inchados nas redes varejistas provocou uma queda de dois dígitos nas remessas — cenário parecido com o atual, mas com causas distintas.

Em 2023, o problema era principalmente de demanda fraca e excesso de oferta. Em 2026, o quadro se inverte: a demanda continua resistente em algumas faixas, mas a oferta é comprimida por conta do lado da produção, com componentes mais caros e mais escassos.

O que esperar nos próximos trimestres?

Analistas do setor ouvidos em relatórios globais projetam que a crise de memória pode começar a dar sinais de acomodação a partir do quarto trimestre de 2026, com a entrada de nova capacidade fabril. Até lá, porém, é provável que o mercado latino-americano siga pressionado, com fabricantes menores buscando reorganizar portfólios e gigantes como Apple e Samsung mantendo a dianteira.

Para o consumidor brasileiro, a leitura mais pragmática é simples: pesquisar bastante antes de comprar, comparar não apenas preços, mas políticas de atualização e garantia, e avaliar se a troca realmente vale a pena diante da duração cada vez maior dos aparelhos modernos.

Perguntas frequentes

O mercado de smartphones na América Latina está em queda?
Sim. No segundo trimestre de 2026, as remessas de celulares para a região caíram 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Counterpoint Research.

Por que Samsung e Apple cresceram mesmo com o mercado em retração?
As duas marcas se beneficiaram da força de suas marcas, do ecossistema de produtos complementares e da capacidade de absorver parte do aumento dos custos de componentes, repassando menos ao consumidor final do que concorrentes como Motorola, HONOR e Xiaomi.

O que está provocando a crise no setor de smartphones?
A alta nos preços das memórias RAM e NAND, somada ao encarecimento dos processadores (SoCs), tem comprimido margens e forçado as fabricantes a repassarem parte desses custos aos consumidores.

Quando o mercado deve se recuperar?
Não há confirmação oficial sobre uma data precisa de recuperação, mas analistas projetam que a acomodação da crise de memória pode começar a aparecer nos indicadores a partir do final de 2026.

Vale a pena comprar celular agora no Brasil?
A decisão depende do modelo e da urgência do consumidor. Como os preços tendem a variar bastante entre marcas e faixas, pesquisar, comparar políticas de atualização e aguardar promoções estratégicas continuam sendo as melhores estratégias.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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