Messi oficializa aposentadoria da seleção argentina e encerra era histórica com a Albiceleste
O argentino Lionel Messi, de 38 anos, confirmou nesta segunda-feira a aposentadoria da seleção da Argentina. O anúncio foi feito por meio de uma carta publicada nas redes sociais do camisa 10, encerrando uma trajetória de mais de duas décadas vestindo a Albiceleste. A decisão, segundo o próprio jogador, foi tomada após um mês de reflexão iniciado depois do vice-campeonato diante da Espanha.
"Depois de todo esse tempo desde a final, e depois de pensar muito sobre isso, quero dizer a todos que estou me aposentando da seleção nacional. Foi uma decisão que doeu e ainda dói profundamente, mas entendo que este é o momento certo", declarou o craque do Inter Miami, da Major League Soccer (MLS). A informação foi originalmente divulgada pelo portal Terra.com.br.
Quais são os números de Messi pela seleção argentina?
Aposentado, Messi deixa a Albiceleste com um dos maiores históricos individuais já registrados por qualquer jogador sul-americano. Segundo dados compilados pela própria confederação argentina e replicados pelo Terra, o camisa 10 soma:
- 207 partidas disputadas com a camisa principal;
- 125 gols marcados;
- 65 assistências distribuídas;
- Participação em seis Copas do Mundo (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026).
Com essas marcas, Messi se isola ainda mais como o maior artilheiro histórico da Argentina, ultrapassando de longe os números de qualquer outro jogador do país. Ele também figura entre os maiores assistentes e jogadores com mais partidas pela seleção de toda a América do Sul.
Por que Messi decidiu parar neste momento?
O ponto de virada, de acordo com o próprio atleta, foi a recente derrota na final disputada contra a Espanha. A perda gerou um período de reflexão de cerca de um mês, no qual o camisa 10 reavaliou não apenas o rendimento físico, mas também o peso emocional de continuar carregando a responsabilidade de uma seleção inteira nas costas.
"Não resta muito tempo, e capítulos diferentes estão chegando ao fim. Este é um que me dói muito. Eu amo, amei e sempre vou amar fazer parte da seleção nacional. Dei tudo o que tinha, e não tenho mais nada a dar", escreveu o craque, em trecho da carta publicado nas redes sociais.
A frase "não tenho mais nada a dar" sintetiza a leitura do jogador sobre o próprio momento da carreira. Mesmo mantendo nível técnico elevado no Inter Miami, Messi reconhece que a exigência de representar uma seleção campeã do mundo em 2022 já não cabe em sua rotina atual, marcada pelo calendário da MLS, viagens constantes e a contagem regressiva para o fim definitivo da carreira nos clubes.
O que Messi disse na carta de despedida?
No texto divulgado aos fãs, o camisa 10 fez questão de reforçar o vínculo afetivo com o torcedor argentino e rebater de forma indireta qualquer leitura de que estaria abandonando o grupo em meio a um ciclo forte.
"Juro que sempre dei tudo, não só nesses últimos anos quando vencemos tudo, mas antes disso também. Sempre lutei e dei tudo por esta camisa, para trazer felicidade a vocês e fazer vocês se sentirem orgulhosos de ser argentinos através do futebol."
O craque também aproveitou para abrir espaço para a próxima geração. Ao reconhecer a chegada de "grandes jovens jogadores surgindo que merecem estar aqui", Messi praticamente apontou o caminho para a renovação do elenco comandado pelo técnico Lionel Scaloni, que já convivia com a sombra da saída do seu maior líder.
Quais títulos Messi conquistou com a Argentina?
A era Messi na Albiceleste termina com um retrospecto de conquistas inéditas para o país, encerrando um jejum de quase três décadas sem títulos importantes no futebol adulto:
- Copa do Mundo do Catar (2022) – o título mais cobiçado, conquistado sobre a França na final decidida nos pênaltis;
- Copa América (2021) – primeiro título da era Scaloni, obtido no Maracanã contra o Brasil;
- Copa América (2024) – segundo título continental, reforçando o domínio sul-americano;
- Finalíssima (2022) – confronto entre os campeões da Copa América e da Eurocopa, vencido contra a Itália;
- Medalha de ouro olímpica (Pequim-2008) – único troféu que faltava ao atacante em categorias de base.
Em entrevista recente, Messi já havia admitido considerar a aposentadoria da seleção após a Copa de 2026. O anúncio, no entanto, chegou antes do previsto, indicando que o desgaste emocional pesou mais do que a questão física.
Qual o impacto para a seleção argentina daqui em diante?
A saída de Messi abre uma lacuna enorme, mas não exatamente inesperada. A comissão técnica já vinha preparando a transição, dando minutagem e protagonismo a nomes como Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e o jovem Claudio Echeverri. A grande questão passa a ser a identidade do time: sem o camisa 10, a Argentina deixa de ter um organizador ofensivo fixo e precisa redesenhar o esquema tático.
No curto prazo, Scaloni ganha um problema e uma oportunidade ao mesmo tempo. Problema porque perde seu principal diferencial técnico e simbólico. Oportunidade porque a aposentadoria formal permite começar um novo ciclo mirando a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, e a próxima Copa América, em 2028.
Como a aposentadoria de Messi se compara à de outros craques sul-americanos?
Poucos jogadores sul-americanos encerraram a carreira pela seleção no auge, em meio a títulos e com total domínio da decisão. O caso mais próximo é o do uruguaio Diego Forlán, que deixou a Celeste após a Copa de 2014, e o do brasileiro Ronaldo, que se despediu da Seleção em 2011 após a eliminação na Copa América. Nenhum deles, porém, encerrou a trajetória com o mesmo nível de protagonismo coletivo conquistado por Messi, que deixa a Albiceleste como capitão de uma equipe tricampeã.
A leitura que especialistas em futebol sul-americano fazem é de que a aposentadoria selada nesta segunda-feira é mais simbólica do que técnica. Ela marca, na prática, o fim de uma era iniciada em 2005, quando um jovem Messi de 18 anos estreou pela Argentina em um amistoso contra a Hungria.
O que muda para a torcida brasileira com a saída de Messi?
Para o torcedor brasileiro, a aposentadoria tem um impacto direto: encerra o principal capítulo de uma rivalidade que marcou as últimas duas décadas. Os confrontos entre Brasil e Argentina com Messi em campo — destaque para a final da Copa América de 2021, vencida pelos argentinos — entram para o retrospecto histórico. A partir de agora, os duelos entre as seleções perdem um astro que protagonizou lances decisivos e declarações polêmicas em clássicos sul-americanos.
A tendência é que as próximas partidas entre as seleções tenham um novo protagonismo, com jogadores como Vini Jr., Rodrygo e Endrick de um lado, e Julián Álvarez, Lautaro Martínez e Mac Allister do outro.
Próximos passos da carreira de Messi
Mesmo aposentado da seleção, Messi seguirá em atividade no Inter Miami, onde tem contrato vigente. A tendência é que o argentino use a temporada 2025 da MLS como preparação para a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, competição que o clube norte-americano disputará em junho nos Estados Unidos. O craque também já manifestou publicamente o desejo de disputar a Copa do Mundo de 2026, hipótese que a aposentadoria desta segunda-feira não descarta automaticamente, mas que ficou mais distante.
Perguntas frequentes
Por que Messi se aposentou da seleção argentina?
O jogador afirmou que tomou a decisão após cerca de um mês de reflexão iniciado depois da derrota na final contra a Espanha. Ele citou desgaste emocional e a vontade de abrir espaço para uma nova geração de atletas argentinos.
Quantos gols Messi marcou pela Argentina?
De acordo com os dados divulgados na nota oficial e replicados pelo Terra, são 125 gols em 207 partidas, número que o mantém como o maior artilheiro histórico da seleção argentina.
Quais títulos Messi conquistou com a camisa da Argentina?
Messi deixou a Albiceleste campeão da Copa do Mundo de 2022, da Copa América de 2021 e 2024, da Finalíssima de 2022 e da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
Messi vai jogar a Copa do Mundo de 2026?
Com a aposentadoria anunciada nesta segunda-feira, a presença do camisa 10 na Copa de 2026 fica muito improvável. O próprio jogador, no entanto, não descartou publicamente uma mudança de planos no futuro.
Quem deve assumir o protagonismo da Argentina sem Messi?
Nomes como Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e o jovem Claudio Echeverri surgem como os principais candidatos a assumir a referência técnica e emocional do time nas próximas temporadas.
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