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Michelle estreia no rádio sem citar Flávio e fala em missão

Ex-primeira-dama retorna à mídia em projeto conservador e reforça protagonismo feminino na direita nacional.

Michelle estreia no rádio sem citar Flávio e fala em missão

Michelle Bolsonaro estreia no rádio sem citar Flávio e chama candidatura ao Senado de "missão" do ex-presidente

Michelle Bolsonaro (PL) estreou nesta sexta-feira (28) sua propaganda eleitoral no rádio com um discurso centrado na relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro e em sua trajetória pessoal. A peça, com cerca de dois minutos, foi ao ar no horário gratuito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e abriu a corrida da ex-primeira-dama ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo o portal Diariodocentrodomundo.com.br, em toda a inserção Michelle não citou o nome do enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentado pela legenda como candidato à Presidência da República.

"Essa [candidatura ao Senado] foi a missão que o meu marido me confiou. Eu estarei ali ajudando em todas as pautas que são caras ao meu coração", afirmou Michelle, transformando a disputa parlamentar em um prolongamento direto do mandato exercido pelo marido no Planalto entre 2019 e 2022. A omissão de Flávio acontece justamente no momento em que a campanha presidencial tenta ampliar a participação de Michelle no palanque nacional, recorrendo a ela como uma das principais vozes de mobilização do eleitorado conservador.

Por que a ausência de Flávio importa para a disputa

Ao não mencionar o enteado na peça de estreia, Michelle evita se vincular nominalmente à corrida pelo Executivo em um momento de indefinições sobre a sucessão no campo da direita. Flávio é apontado pelo partido como o nome do PL para a Presidência, mas sua pré-candidatura convive com a tentativa do ex-presidente Bolsonaro de manter influência direta sobre o eleitorado.

Para analistas ouvidos em coberturas anteriores, a estratégia da família Bolsonaro costuma funcionar em duas camadas: Flávio representa a frente institucional e jurídica da legenda, enquanto Michelle opera como articuladora simbólica, especialmente entre mulheres, famílias conservadoras e o segmento evangelical. Apresentar a candidatura ao Senado como "missão" do marido reforça a narrativa de continuidade e transfere a Flávio a tarefa de se apresentar como sucessor sem que isso precise ser dito em cada inserção.

Origens em Ceilândia e a história contada pela candidata

Na propaganda, Michelle resgatou trechos da própria história de vida. Relembrou ter crescido em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal marcada historicamente por população de baixa renda e forte identidade comunitária. Contou que os pais se separaram quando ela tinha cerca de quatro anos e que o pai trabalhou como motorista de ônibus. O conjunto forma um roteiro típico de campanhas populares: infância difícil, superação e vocação para políticas sociais.

Ao apresentar esse perfil, Michelle mira um público específico: mães atípicas, pessoas com deficiência e integrantes do terceiro setor. São pautas que dialogam com o trabalho que ela desenvolveu à frente do programa Pátria Voluntária e com a agenda da então Secretaria Especial de Direitos Humanos, durante o governo do marido.

O trecho em Libras e o compromisso com a comunidade surda

Um dos pontos mais marcantes da peça de rádio foi a recuperação de áudio do discurso em Libras feito por Michelle na posse de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019. Naquela ocasião, ela prometeu à comunidade surda que os direitos do grupo seriam respeitados e que as pessoas com deficiência deixariam a "invisibilidade". A escolha não é casual: a pauta da inclusão é uma das marcas registradas da ex-primeira-dama e tende a ser explorada com mais intensidade nas inserções em televisão, nas quais a imagem tem peso maior.

O resgate também funciona como resposta às críticas de parte do movimento de pessoas com deficiência, que nos últimos anos apontou supostos retrocessos em políticas do governo Bolsonaro. Rever o gesto simbólico de 2019 serve, na prática, como âncora de credibilidade para o eleitor que se identifica com a causa.

Como será a propaganda na televisão

Segundo interlocutores da campanha ouvidos pelo Diariodocentrodomundo.com.br, a versão televisiva da peça desta sexta-feira aposta no ritmo do piseiro, gênero musical popular em estados do Norte e Nordeste, embalado por um jingle com os versos: "Forte lutadora, Michelle Bolsonaro, nossa senadora". A escolha musical tem objetivo eleitoral evidente: aproximar a candidata do eleitor nordestino, historicamente refratário ao bolsonarismo, e disputar audiência com peças de outros partidos que também apostam no forró e no piseiro.

As inserções serão distribuídas ao longo do horário gratuito, com variações para rádio e TV, e devem ganhar versões regionais nas próximas semanas, conforme o calendário do TSE.

Bia Kicis no mesmo bloco: o "programa Michelle e Bia"

No mesmo intervalo de rádio, o PL exibiu a propaganda da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que também disputa uma das duas cadeiras em jogo para o Senado pelo Distrito Federal. A peça foi veiculada sob a marca "programa Michelle e Bia", reforçando a dobradinha entre as duas candidatas da legenda na mesma chapa informal.

Na gravação, Kicis destacou a formação em direito, os 24 anos de atuação como procuradora do Distrito Federal, a votação obtida em 2022 e a experiência à frente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, um dos colegiados mais estratégicos do Congresso. A inclusão da parlamentar no mesmo bloco mira o eleitor que busca um perfil técnico-jurídico para o Senado, em contraposição ao discurso mais emocional e identitário de Michelle.

O que está em jogo no Senado pelo Distrito Federal

O Distrito Federal elege, a cada ciclo, dois senadores. Em 2026, as duas cadeiras em disputa foram ocupadas por parlamentares que assumiram mandato mais recentemente e que, em tese, poderiam tentar a reeleição ou abrir espaço para novos nomes. A entrada de Michelle transforma a corrida local em uma das mais disputadas do país, porque concentra holofotes nacionais em um colégio eleitoral historicamente fiel ao bolsonarismo — Bolsonaro venceu no DF com folga nas últimas eleições.

Para o eleitor do DF, a presença da ex-primeira-dama nas urnas significa uma campanha com intensidade atípica, maior volume de propaganda gratuita e possível vinda frequente de ministros e lideranças nacionais em atividades de palanque.

Perguntas frequentes

Por que Michelle disse que a candidatura é uma "missão" de Bolsonaro?
A construção faz parte da estratégia de campanha de vincular diretamente a imagem da ex-primeira-dama ao legado do ex-presidente, apresentando a disputa ao Senado como uma extensão do projeto político da família.

Michelle é candidata a quê exatamente?
Michelle é candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal, na chapa do PL, conforme divulgado na estreia da propaganda no rádio.

Por que Flávio Bolsonaro não foi citado na peça?
A peça priorizou o vínculo com Jair Bolsonaro e a história pessoal de Michelle. A ausência de Flávio é interpretada como opção estratégica para evitar vincular nominalmente a corrida ao Senado ao palanque presidencial neste momento da campanha.

Quem é a outra candidata do PL ao Senado pelo DF?
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que apareceu no mesmo bloco da propaganda com a marca "programa Michelle e Bia".

Qual é o ritmo do jingle usado na propaganda de TV?
Piseiro, com os versos "Forte lutadora, Michelle Bolsonaro, nossa senha...dora", conforme antecipado pela campanha.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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