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Os Sertões vira filme gravado em Canudos por Miguel Gomes

Cinematógrafo português adapta obra-prima de Euclides da Cunha em superprodução para o cinema

Os Sertões vira filme gravado em Canudos por Miguel Gomes

A obra-prima literária Os Sertões, de Euclides da Cunha, está sendo adaptada para o cinema em um longa-metragem intitulado Selvajaria, com filmagens em Canudos, no norte da Bahia. A direção é do cineasta português Miguel Gomes, vencedor do Grand Prix de melhor direção no Festival de Cannes de 2024 pelo filme Grand Tour. A produção é uma coprodução internacional entre Portugal, Brasil, França, Itália e Holanda, com distribuição nacional da Vitrine Filmes.

Quem está por trás da adaptação e o que se sabe até agora

Segundo o portal Abril.com.br, Selvajaria já está em fase de produção em Canudos, município localizado no semiárido baiano. A escolha do local não é casual: é justamente na antiga vila de Belo Monte — atual distrito de Canudos — que se desenrolou, entre 1896 e 1897, o conflito armado que inspirou Euclides da Cunha a escrever a obra original.

Miguel Gomes, conhecido por filmes como Tabu (2012) e Aquele Querido Mês de Agosto (2008), assume a direção e enxerga no projeto uma oportunidade rara. Em comunicado à imprensa, afirmou: "Os Sertões é crucial para a reflexão sobre a identidade brasileira, mas o conflito entre sertanejos e soldados republicanos é também representativo de todo o gênero humano."

O diretor completou: "Reitero também meu compromisso de me manter fiel a Canudos e à sua população. Ao final do processo, a ideia é ter um filme sobre literatura, o retrato de uma comunidade e um modesto tratado sobre o comportamento humano."

Quem está no elenco de Selvajaria?

Um dos aspectos mais notáveis da produção é a escalação. Grace Passô é a única atriz profissional do elenco, no papel de narradora. O restante do elenco será formado por moradores da própria região de Canudos, em um movimento que aproxima a obra de seu território original e dá protagonismo às vozes locais.

Grace Passô estreou na direção de longas-metragens em 2025 com Nosso Segredo, que integra a lista de pré-selecionados para representar o Brasil no Oscar 2027. Sua participação como narradora confere ao projeto uma ligação direta com a nova geração do cinema brasileiro.

Por que Os Sertões continua tão atual?

Publicado em 1902, Os Sertões é amplamente considerado o primeiro livro-reportagem da literatura brasileira. Euclides da Cunha viajou até Canudos como repórter do jornal O Estado de S. Paulo para cobrir a guerra travada entre sertanejos liderados pelo beato Antônio Conselheiro e o Exército da jovem República brasileira.

A obra mistura jornalismo, ensaio, sociologia, geografia e poesia para descrever não apenas a batalha, mas as contradições de um país que tentava se modernizar enquanto marginalizava grande parte de sua população. Termos cunhados ou popularizados por Euclides — como "sertanejo", "fanático", "matuto" e a própria expressão "Os Sertões" — permanecem vivos no vocabulário e no imaginário nacional.

Mais de 120 anos depois de seu lançamento, o livro segue obrigatório em vestibulares, escolas e concursos, e é constantemente revisitado por escritores, historiadores e cineastas que enxergam na narrativa de Canudos um espelho das desigualdades e tensões sociais do Brasil contemporâneo.

Quais foram as adaptações anteriores de Os Sertões para o audiovisual?

Esta não é a primeira vez que a obra de Euclides da Cunha ganha versão em tela. Em 2010, foi lançada a coletânea Os Sertões: Os Filmes, um conjunto em DVD com cinco longas-metragens dirigidos por cineastas diferentes, cada um responsável por uma parte do livro.

A iniciativa foi baseada na adaptação teatral assinada por José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, no Teatro Oficina, entre 2002 e 2007. A montagem, que mobilizou centenas de atores ao longo dos anos, é considerada um dos marcos da história do teatro brasileiro e influenciou diretamente a versão audiovisual posterior.

Quem produz e distribui o filme?

A produção de Selvajaria reúne duas produtoras com trajetórias distintas, mas complementares:

  • Bubbles Project: produtora portuguesa responsável por Malu (2024), longa de Pedro Pinho que tem circulado por festivais internacionais.
  • Matizar Filmes: produtora brasileira que começou sua trajetória em documentários, com destaque para Jogo de Cena (2007), do renomado cineasta Eduardo Coutinho. Migrou para a ficção com Órfãos do Eldorado (2015), adaptação do romance de Milton Hatoum dirigida por Guilherme Coelho.

A distribuição em território brasileiro fica a cargo da Vitrine Filmes, distribuidora independente com presença em festivais e no circuito comercial. A coprodução entre cinco países — Portugal, Brasil, França, Itália e Holanda — indica o caráter internacional do projeto, que conta com apoio financeiro e logístico de instituições europeias, fundamentais para a viabilização de longas-metragens autorais na atualidade.

Qual é o contexto do cinema autoral brasileiro em 2025?

O anúncio de Selvajaria chega em um momento de renovação do cinema nacional. O próprio protagonismo de Grace Passô, que disputa uma vaga na corrida do Oscar com Nosso Segredo, é parte de um movimento maior: cineastas brasileiros e luso-brasileiros têm ocupado espaços em festivais como Cannes, Berlim, Veneza e Roterdã, com obras que dialogam entre identidade local e circulação global.

A escolha de Miguel Gomes para dirigir uma obra tão simbólica da literatura brasileira também reflete a internacionalização da cultura portuguesa e o estreitamento das coproduções entre países lusófonos. Gomes, que divide seu tempo entre Lisboa e outras capitais europeias, já demonstrou interesse em narrativas de fronteira e deslocamento em filmes como Tabu e Grand Tour, o que torna a empreitada em Canudos coerente com sua filmografia.

Para Canudos, município de cerca de 30 mil habitantes, receber a produção de um filme desse porte representa também uma oportunidade econômica e simbólica, com possível impacto no turismo cultural e na valorização da memória local.

Quando o filme deve chegar ao público?

Até o fechamento desta matéria, ainda não havia data oficial de estreia nem informações sobre a participação em festivais de cinema. Considerando o cronograma habitual de longas-metragens autorais — filmagem, pós-produção, finalização e exibição em festivais antes do circuito comercial —, é provável que Selvajaria leve pelo menos dois anos até chegar às salas brasileiras.

O GCBS NEWS acompanha as próximas etapas da produção e atualizará esta reportagem assim que houver novidades sobre trailer, data de lançamento e circuito de festivais.

Perguntas frequentes sobre Selvajaria e a adaptação de Os Sertões

O que é Selvajaria?

É o título provisório do longa-metragem que adapta Os Sertões, de Euclides da Cunha, para o cinema. A produção é rodada em Canudos, na Bahia, com direção do cineasta português Miguel Gomes.

Quem é o diretor Miguel Gomes?

Miguel Gomes é um dos cineastas portugueses mais reconhecidos da atualidade. Entre seus principais filmes estão Aquele Querido Mês de Agosto (2008), Tabu (2012) e Grand Tour (2024), pelo qual venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

Qual é a história de Os Sertões?

A obra retrata a Guerra de Canudos (1896-1897), conflito entre sertanejos liderados pelo beato Antônio Conselheiro e o Exército da jovem República brasileira. Escrito por Euclides da Cunha após viagem como repórter, é considerado o primeiro livro-reportagem do Brasil.

Já existiam outras adaptações cinematográficas de Os Sertões?

Sim. Em 2010, foi lançada a coletânea Os Sertões: Os Filmes, com cinco longas dirigidos por cineastas diferentes, baseada na adaptação teatral assinada por Zé Celso no Teatro Oficina entre 2002 e 2007.

Quem distribui o filme no Brasil?

A distribuição nacional é da Vitrine Filmes, distribuidora independente conhecida por trabalhar com filmes autorais brasileiros e internacionais.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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