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Ramos vira vilão pela 1ª vez em três trabalhos

Reconhecido por interpretar mocinhos, o ator agora vive um antagonista e agita os fãs nas redes sociais.

Ramos vira vilão pela 1ª vez em três trabalhos

Ator baiano radicado no Rio de Janeiro desde a adolescência, Lázaro Ramos construiu, ao longo de quase três décadas de carreira, uma das trajetórias mais relevantes do audiovisual brasileiro. Aos 47 anos, ele vive uma fase inédita: depois de anos ocupado com papéis solares — heróis, românticos e figuras carismáticas —, o ator se permite agora mergulhar em personagens moralmente ambíguos, abusivos e até francamente antagonistas, abrindo uma frente de discussão sobre masculinidade tóxica tanto na televisão quanto no cinema. A guinada aparece em três frentes simultâneas: a novela A Nobreza do Amor, na Globo; o longa Antártida, em cartaz nos cinemas; e o filme Feito Pipa, que estreia em 5 de novembro e foi selecionado para representar o Brasil na corrida pelo Oscar 2027.

Por que Lázaro Ramos recusou papéis com arma no início da carreira

No fim dos anos 1990 e começo dos 2000, quando Ramos dava os primeiros passos em produções de TV e cinema, o audiovisual brasileiro oferecia um repertório estreito de papéis para atores negros. Diante desse cenário, ele tomou uma decisão de método: recusar cenas em que teria de empunhar arma de fogo, justamente para não reforçar o estereótipo que associa o homem negro à violência.

"Queria provar que eu poderia ocupar o lugar do protagonista heroico, romântico, cômico", disse o ator em entrevista à revista VEJA, conforme reproduziu o portal Abril.com.br. A escolha também era estratégica. "Muitas vezes eu era o único negro no ambiente, então, estrategicamente, tinha que ocupar o lugar mais necessário", completou.

Essa lógica ajudou a pavimentar personagens como o Foguinho de Cobras & Lagartos (2006), referência de carisma e leveza na teledramaturgia da Globo. Anos depois, com a carreira consolidada e o cenário audiovisual mais plural — embora longe do ideal —, o ator sente que pode se arriscar em outras direções sem o risco de cristalizar uma imagem unidimensional do homem negro na ficção.

Vicente, em "Antártida": o marido abusivo no fim do mundo

Em Antártida (Brasil, 2026), Ramos interpreta Vicente, marido da cientista vivida por Leandra Leal. O longa, dirigido por Flávia Castro, se passa em uma estação de pesquisa no continente gelado que dá título ao filme. A trama gira em torno da cientista Inês (Marina Ruy Barbosa), vítima de violência sexual que não consegue identificar o agressor — o que torna todos os homens da base suspeitos, incluindo Vicente, descrito como alguém que "não é flor que se cheire".

O personagem encarna um casamento tóxico e violento, funcionando como espelho de uma discussão que extrapola a ficção: a da violência de gênero em relações que parecem, à primeira vista, equilibradas. O próprio isolamento extremo da Antártida amplifica a sensação de claustro e desproteção vivida pela personagem de Leandra Leal.

Jendal, em "A Nobreza do Amor": o primeiro vilão na dramaturgia

Na televisão, o ator vive Jendal na atual novela das 6 da Globo, A Nobreza do Amor. Trata-se do primeiro vilão assumido de sua trajetória na dramaturgia — um tirânico com quem o público já aprendeu a desconfiar desde as primeiras aparições. O horário das 18h é historicamente associado a tramas mais leves, mas a presença de um antagonista mais ácido acompanha uma tendência da faixa em explorar conflitos sociais contemporâneos.

A coincidência de dois trabalhos com tons sombrios no mesmo período não foi planejada, segundo o próprio ator. Ele descreve a transição como um desdobramento natural da maturidade artística e física, e não uma virada calculada em busca do rótulo de vilão.

Feito Pipa: o pai homofóbico que pode levar o Brasil ao Oscar

Se há um trabalho em que a nova fase de Lázaro Ramos atinge o ponto mais alto, é Feito Pipa. O longa foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027 — o que significa que o título passou por uma seleção interna conduzida pelo comitê da Academia Brasileira de Cinema, em processo distinto das fases seguintes, conduzidas diretamente pela Academia norte-americana.

No filme, Ramos interpreta um pai homofóbico que não aceita o filho queer Gugu, vivido por Yuri Gomes. A criança foi criada com liberdade para ser quem é pela avó Dilma, personagem de Teca Pereira. A estrutura familiar — mãe, pai e avó em campos opostos — coloca em cena a disputa de gerações e valores que ainda atravessa famílias brasileiras.

A interpretação rendeu a Ramos o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado deste ano, um dos principais reconhecimentos do cinema nacional. O longa chega aos cinemas em 5 de novembro, distribuído em circuito comercial.

O que motiva a escolha de personagens "imperfeitos"

Em entrevista à qual o portal Abril.com.br teve acesso, Ramos resumiu a filosofia de trabalho que orientou essa guinada: "Tento construir personagens que provoquem reflexão". Na vida pessoal, ele é pai de João Vicente, 15 anos, e Maria Antônia, 11, frutos do casamento de duas décadas com a atriz Taís Araújo — o que, segundo o próprio, alimenta o interesse por figuras que lidam com paternidade, mesmo quando de forma distorcida.

Para o ator, o efeito desses papéis depende menos da condenação moral e mais da identificação perturbadora que eles provocam. A proposta é fazer o público reprovar as atitudes em tela e, ao mesmo tempo, reconhecer os mesmos conflitos no cotidiano — em conversas de família, em grupos de amigos, em relações de poder que se naturalizam.

Leitura de contexto: o audiovisual brasileiro e os debates sobre masculinidade

A chegada simultânea de três trabalhos do ator voltados a figuras problemáticas coincide com um debate mais amplo no audiovisual brasileiro sobre representatividade e papéis masculinos. Nos últimos anos, produções nacionais — de séries em streaming a longas vencedores de festival — passaram a retratar de forma mais explícita a violência doméstica, o patriarcado e a homofobia estrutural, em resposta a estatísticas que continuam alarmantes: segundo levantamentos públicos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a violência contra a mulher responde por parte significativa dos assassinatos de pessoas do sexo feminino no país.

Ao encarnar vilões com camadas, em vez de caricaturas, Lázaro Ramos se inscreve numa linhagem que vai do cinema novo à produção contemporânea: a de atores que recusam o maniqueísmo para devolver complexidade ao público. A diferença, no caso dele, é que essa complexidade chegou tarde — e chegou justamente quando ele deixou de ter algo a perder em termos de imagem.

O que esperar de Lázaro Ramos nos próximos meses

  • Antártida: em cartaz nos cinemas, com distribuição em circuito nacional.
  • A Nobreza do Amor: em exibição na faixa das 18h da TV Globo, com capítulos diários até o desfecho previsto da novela.
  • Feito Pipa: estreia nos cinemas em 5 de novembro; a campanha pelo Oscar 2027 se desenrola nos meses seguintes, com etapas de divulgação internacional e possíveis exibições em festivais estrangeiros.
  • Festival de Gramado: a vitória como melhor ator coadjuvante já coloca o nome do ator entre os cotados para outras premiações do circuito nacional.

Perguntas frequentes

Qual é o novo filme de Lázaro Ramos nos cinemas?
O ator está em duas produções em circulação: Antártida, que estreou em 2026 e segue em cartaz, e Feito Pipa, que chega aos cinemas em 5 de novembro.

Lázaro Ramos faz algum vilão na TV atualmente?
Sim. Ele interpreta Jendal, um tirânico em A Nobreza do Amor, novela das 6 da Globo — o primeiro vilão de sua carreira na dramaturgia.

O que é "Feito Pipa" e por que o filme está na corrida do Oscar?
É um longa brasileiro sobre as relações entre um pai homofóbico, o filho queer e a avó que cria o menino com liberdade. Foi o escolhido pelo comitê brasileiro para representar o país na disputa pelo Oscar 2027 e venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado.

Por que Lázaro Ramos recusava papéis com arma no início da carreira?
Para não reforçar estereótipos que associam o homem negro à violência, além de buscar ocupar papéis de protagonismo heroico, romântico ou cômico em um cenário com pouca diversidade, como explicou o próprio ator em entrevista ao portal Abril.com.br.

Quantos anos tem Lázaro Ramos e quantos filhos tem com Taís Araújo?
O ator tem 47 anos e é pai de João Vicente, 15 anos, e Maria Antônia, 11 anos, do casamento de duas décadas com a atriz Taís Araújo.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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