Ator Raymundo de Souza perde R$ 19 mil em golpe do falso técnico de computador
Aos 74 anos, o ator Raymundo de Souza foi vítima de um golpe cibernético que resultou no saque de R$ 19 mil de suas contas bancárias. O artista, que tem passagens por novelas da Record, contratou uma empresa de suporte técnico para configurar o antivírus de um notebook recém-adquirido e acabou atendido por um criminoso que se passou por funcionário da plataforma. Segundo o portal Metropoles.com, o caso foi detalhado pelo programa Balanço Geral e reacende o alerta sobre fraudes digitais que miram, principalmente, pessoas com mais de 60 anos.
Como o golpe aconteceu
De acordo com o relato da vítima, tudo começou com uma ligação de um homem que se identificou como funcionário da prestadora de serviços. A empresa, conforme noticiou o Metropoles.com, promete oferecer assistência tecnológica e cursos voltados ao público idoso — justamente o perfil de Raymundo, que encontrou dificuldades para lidar com o novo equipamento.
Durante o atendimento, o golpista solicitou que o ator realizasse uma videochamada e compartilhasse a tela do notebook. Em seguida, orientou que Raymundo abrisse o aplicativo do banco, sob a justificativa de verificar se havia alguma cobrança indevida na conta. Ao digitar a senha bancária, o artista percebeu, segundos depois, que o saldo havia sido completamente esvaziado.
O criminoso não se limitou ao saldo disponível: segundo a reportagem original, ele também realizou pedidos de empréstimos em nome de Raymundo de Souza, ampliando o prejuízo financeiro da vítima.
Quem é Raymundo de Souza
Raymundo de Souza é um ator brasileiro com carreira consolidada na televisão, com participações em produções da Record. Aos 74 anos, ele se encaixa no perfil que estatísticas de segurança digital apontam como o mais vulnerável a golpes do tipo suporte técnico: pessoas idosas que, muitas vezes, não tiveram contato precoce com tecnologia e dependem de terceiros para configurar dispositivos, instalar softwares de proteção ou resolver problemas simples em computadores e celulares.
Por que idosos são o alvo principal desse tipo de fraude
O caso de Raymundo não é isolado. O golpe do falso técnico de informática é uma modalidade de fraude conhecida internacionalmente como "tech support scam", e o Brasil aparece entre os países mais afetados da América Latina. Criminosos utilizam técnicas de engenharia social para conquistar a confiança da vítima — em geral, ligações proativas, e-mails falsos que imitam empresas conhecidas ou até anúncios patrocinados em mecanismos de busca.
Entre os fatores que tornam pessoas com mais de 60 anos mais suscetíveis estão:
- Menor familiaridade com termos técnicos, o que dificulta a identificação de pedidos suspeitos, como o compartilhamento de tela ou o fornecimento de senhas.
- Maior confiança em supostas "autoridades", como atendentes que se identificam como funcionários de grandes empresas.
- Padrão bancário consolidado, com contas antigas, limites de crédito elevados e acesso a múltiplos produtos financeiros — o que facilita a contratação de empréstimos em nome da vítima.
- Menor exposição a campanhas de letramento digital, uma vez que a maioria dos materiais de conscientização é voltada ao público jovem e adulto.
Ainda segundo a reportagem do Metropoles.com, a empresa que supostamente prestaria o suporte se apresenta como uma instituição que promete justamente auxiliar esse público, oferecendo cursos de tecnologia para pessoas acima dos 60 anos — o que torna a abordagem ainda mais convincente.
Como funciona o golpe do falso técnico passo a passo
Embora existam variações, esse tipo de fraude costuma seguir um roteiro bem definido. Entender cada etapa é fundamental para reconhecer tentativas:
- Abordagem inicial: o golpista entra em contato por telefone, e-mail, mensagem de WhatsApp ou até por meio de pop-ups no navegador, alegando que o computador da vítima está infectado ou precisa de atualização.
- Ganho de confiança: o criminoso se apresenta como funcionário de uma empresa conhecida — Microsoft, provedores de internet, bancos ou, como no caso de Raymundo, plataformas de suporte ao idoso.
- Pedido de acesso remoto: é solicitado o compartilhamento de tela ou a instalação de programas de acesso remoto, como AnyDesk e TeamViewer. A partir daí, o golpista passa a ver tudo o que a vítima faz no computador.
- Direcionamento ao aplicativo bancário: sob o pretexto de "verificar cobranças indevidas" ou "cancelar assinaturas", a vítima é levada a abrir o banco e digitar senhas.
- Ação criminosa: com as credenciais em mãos, o golpista realiza transferências, pagamentos via Pix e, em muitos casos, solicita empréstimos em nome da vítima.
Quanto tempo a vítima tem para reagir?
Um ponto crucial nesse tipo de golpe é a velocidade. Assim que as senhas são digitadas, o criminoso costuma agir em segundos. Por isso, quanto mais rápido a vítima ou um familiar procurar o banco e registrar o boletim de ocorrência, maiores são as chances de bloquear operações, suspender contratos de crédito e até recuperar valores.
O Banco Central e as instituições financeiras mantêm equipes de análise de fraudes que conseguem, em alguns casos, identificar transações suspeitas antes mesmo de serem concluídas. No entanto, a principal defesa continua sendo a prevenção: nunca compartilhar tela com desconhecidos e nunca digitar senhas bancárias durante ligações não solicitadas.
O que fazer se cair em um golpe como esse
Se você ou alguém próximo passou por uma situação semelhante à de Raymundo de Souza, siga estes passos imediatamente:
- Entre em contato com o banco o mais rápido possível. Solicite o bloqueio de contas, cartões e senhas. Quanto antes o banco for notificado, maiores as chances de interromper operações fraudulentas.
- Registre um Boletim de Ocorrência. A denúncia pode ser feita online, em muitos estados, pelo site da Polícia Civil. Esse documento é essencial para contestação de empréstimos e movimentações não autorizadas.
- Reúna provas: salve gravações, capturas de tela, números de telefone usados pelos golpistas e históricos de conversa.
- Solicite a portabilidade de crédito: caso empréstimos tenham sido contratados em seu nome, o banco pode ser notificado para cancelar a operação por fraude.
- Procure orientação jurídica: entidades como o Procon, a Defensoria Pública e o Instituto Brasileiro de Direito do Consumidor (Idec) podem orientar sobre a responsabilização do banco e da suposta empresa de suporte.
Como se proteger de golpes de suporte técnico
Algumas recomendações práticas podem reduzir drasticamente o risco de cair em fraudes desse tipo:
- Nunca aceite ligações não solicitadas que ofereçam suporte técnico. Empresas legítimas não ligam para clientes sem motivo.
- Não compartilhe a tela do computador com desconhecidos e não instale programas de acesso remoto por orientação de terceiros.
- Nunca digite senhas bancárias enquanto estiver em chamada com alguém que você não conhece pessoalmente.
- Em caso de dúvida, desligue a ligação e procure os canais oficiais da empresa — site, aplicativo ou telefone listado na nota fiscal.
- Peça ajuda a familiares ou amigos de confiança antes de contratar qualquer serviço de suporte, especialmente se o atendimento foi iniciado por iniciativa do suposto técnico.
- Mantenha antivírus e sistema operacional atualizados, mas faça as atualizações diretamente pelo próprio dispositivo, jamais seguindo orientações externas.
Perguntas frequentes
O que é o golpe do falso técnico de computador?
É uma fraude em que um criminoso se passa por funcionário de uma empresa de suporte técnico para obter acesso remoto ao computador da vítima e, a partir daí, roubar dados bancários e realizar transações financeiras.
Como identificar uma ligação falsa de suporte técnico?
Empresas legítimas de tecnologia, bancos e provedores de internet não costumam ligar proativamente oferecendo suporte. Desconfie de ligações não solicitadas, pedidos de instalação de programas de acesso remoto ou solicitações de senhas bancárias.
O banco é responsável por devolver o dinheiro em caso de golpe?
Em diversos casos, sim. O Código de Defesa do Consumidor e decisões judiciais recentes responsabilizam instituições financeiras por falhas de segurança que permitam transações fraudulentas. Cada caso, porém, é avaliado individualmente.
O que fazer se um empréstimo foi feito no meu nome sem autorização?
Registre um boletim de ocorrência imediatamente, notifique o banco por escrito e solicite o cancelamento da operação. Caso o banco se recupe a cancelar, é possível recorrer ao Procon, à Defensoria Pública ou ao Poder Judiciário.
Pessoas idosas podem ter limite especial de proteção em golpes digitais?
Sim. Diversos bancos já adotam camadas extras de segurança para clientes com mais de 60 anos, como confirmação presencial para transações acima de determinados valores e monitoramento ativo de movimentações suspeitas.
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