O lateral-esquerdo Renan Lodi quebrou o silêncio sobre um dos capítulos mais mal explicados de sua passagem pela Seleção Brasileira. Em entrevista recente, o jogador do Atlético-MG afirmou que a história de sua ausência em uma convocação de janeiro de 2022, atribuída na época a um suposto esquema vacinal incompleto contra a Covid-19, foi narrada pelo então técnico Tite de forma diferente do que realmente aconteceu. Segundo Lodi, ele não se recusou a tomar a vacina — apenas aguardava o intervalo entre as doses.
O que de fato aconteceu em janeiro de 2022
A polêmica remonta à convocação da Seleção para os primeiros jogos das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo do Catar. Renan Lodi vivia boa fase no Atlético de Madrid, da Espanha, e era presença frequente nas listas de Tite. Foi cortado, porém, em um momento delicado: a pandemia de Covid-19 ainda impunha restrições severas a viagens internacionais, e o protocolo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) exigia esquema vacinal completo de todos os membros da delegação.
Na coletiva em que anunciou a ausência do jogador, Tite explicou publicamente que Lodi não havia completado a vacinação. A declaração ganhou repercussão imediata na imprensa esportiva e nas redes sociais, gerando críticas ao atleta e um debate mais amplo sobre a postura de jogadores diante das campanhas de imunização. De acordo com o portal Terra.com.br, foi justamente essa versão pública que Lodi agora contesta.
A versão contada por Renan Lodi
Em suas declarações mais recentes, o lateral foi direto: afirmou que já havia recebido a primeira dose do imunizante e que apenas aguardava o prazo de aproximadamente uma semana para tomar a segunda aplicação. Dentro do protocolo vigente à época, ele não teria ainda o "esquema completo" exigido pela CBF — mas não por decisão pessoal.
"Naquela ocasião, o treinador da época falou coisas que não devia. Eu já tinha tomado, estava esperando o prazo de uma semana para tomar a segunda dose. Ele optou por falar tudo aquilo, mas isso é passado. As pessoas acabaram escutando o que ele falou, mas não sabiam da minha versão. Por isso, estou falando agora", afirmou Lodi.
A fala revela um desconforto que durou três anos até vir à tona. Lodi sustenta que, naquele momento, preferiu não rebater publicamente para não criar um ambiente de confrontação com a comissão técnica, ainda que a narrativa pública tenha prejudicado sua imagem. A omissão, segundo ele, acabou permitindo que apenas um lado da história fosse conhecido pelo torcedor brasileiro.
Por que a vacinação virou critério da CBF
Para entender a dimensão do episódio, é importante considerar o contexto sanitário do início de 2022. O Brasil vivia o auge da variante Ômicron, com recordes diários de casos, e seleções de vários países adotaram protocolos rígidos para preservar elencos e evitar surtos durante as datas FIFA. A CBF, alinhada às recomendações da Anvisa e do Ministério da Saúde, condicionou a convocação à apresentação do certificado de vacinação completo.
Esse cenário criou uma tensão recorrente entre clubes europeus e entidades sul-americanas: muitos jogadores atuavam em países com calendários próprios de aplicação e intervalos entre doses que nem sempre coincidiam com as janelas internacionais. Foi justamente nesse tipo de descompasso que Lodi se encaixou, segundo sua própria narrativa.
As consequências esportivas: fora da Copa do Catar
Mesmo depois de retomar a vacinação completa e voltar a ser relacionado em outras convocações, Lodi não recuperou a confiança total de Tite a tempo da decisão mais importante do ciclo. Em setembro de 2022, quando o técnico entregou a lista final dos 26 jogadores que disputariam a Copa do Mundo do Catar, o nome de Renan Lodi ficou de fora.
Para a posição de lateral-esquerdo, Tite convocou Alex Sandro, então na Juventus, e Alex Telles, que viria a ser titular do Sevilla. A escolha refletiu tanto a questão técnica quanto, possivelmente, o desgaste do episódio anterior. Na Copa do Catar, o Brasil caiu nas quartas de final para a Croácia nos pênaltis, encerrando o ciclo de Tite no comando da Seleção — ele deixou o cargo em dezembro daquele ano.
De onde veio e onde está Renan Lodi
Revelado pelo Athletico Paranaense, Lodi ganhou projeção nacional justamente sob o comando de Tite, com quem foi campeão da Copa América de 2019. A boa fase no Furacão o levou ao Atlético de Madrid em 2019, onde permaneceu por quatro temporadas e conquistou títulos relevantes do futebol espanhol. Após passagens por Nottingham Forest, da Inglaterra, e Olympique de Marselha, da França, o jogador de 28 anos retornou ao futebol brasileiro em 2024 para vestir a camisa do Atlético-MG.
No clube mineiro, Lodi tem reencontrado regularidade e protagonismo, fatores que reacenderam a expectativa de uma nova chance na Seleção. Em suas declarações, ele deixou claro que o desejo de defender o Brasil novamente segue vivo — e que pretende usar o bom momento no Galo como vitrine.
O cenário atual da lateral-esquerda da Seleção
O ciclo atual da Seleção, agora sob o comando do técnico Dorival Júnior, é o que abre caminho para uma eventual retomada de Lodi. O setor, no entanto, ganhou novos concorrentes nos últimos anos, o que aumenta o desafio do jogador do Atlético-MG:
- Guilherme Arana — titular absoluto no esquema de Dorival Júnior, vem sendo presença constante nas convocações e é considerado a primeira opção da posição;
- Carlos Augusto — em alta na Inter de Milão, ampliou seu leque de atuação e ganhou espaço nas listas recentes;
- Caio Henrique — do Monaco, é outro nome observado pela comissão técnica;
- Abner Vinícius — jovem revelação do Athletico-PR, é visto como projeto de futuro.
A disputa, portanto, é muito mais concorrida do que em 2022, quando Alex Sandro e Alex Telles eram praticamente os nomes automáticos. Para voltar a vestir a amarelinha, Lodi precisará não apenas manter o nível no Atlético-MG, mas também convencer a comissão técnica de que cabe no projeto. A concorrência com Guilherme Arana, sobretudo, é considerada por analistas esportivos como o maior obstáculo.
O que esperar de agora em diante
A entrevista em que Lodi esclareceu o episódio funciona como um divisor de águas simbólico: ele tira de circulação uma narrativa que o acompanhava há três anos e reposiciona sua imagem pública. Mas, no futebol, palavras só ganham peso quando acompanhadas de desempenho dentro de campo. O Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e eventuais decisões do Atlético-MG em mata-matas serão os palcos reais para o jogador provar que merece uma nova chance.
Para o torcedor brasileiro, o caso também serve de alerta sobre como versões únicas de episódios contados à imprensa nem sempre refletem a complexidade dos fatos. Em tempos de informação rápida e fragmentada, a história de Lodi lembra que, por trás de manchetes, há contextos, prazos sanitários e versões que só vêm à tona quando alguém decide contar.
Perguntas frequentes
Por que Renan Lodi ficou fora da convocação da Seleção em janeiro de 2022?
Segundo a versão oficial da época, o então técnico Tite afirmou que Lodi não havia completado o esquema de vacinação contra a Covid-19 exigido pela CBF para integrar a delegação. O jogador, porém, diz que já tinha tomado a primeira dose e aguardava apenas o intervalo para a segunda aplicação.
Renan Lodi foi à Copa do Mundo de 2022?
Não. Embora tenha sido convocado em outros momentos após janeiro de 2022, o lateral não foi incluído na lista final de 26 jogadores entregues por Tite para a Copa do Catar. Os escolhidos para a posição foram Alex Sandro e Alex Telles.
Em que clube Renan Lodi joga atualmente?
O lateral-esquerdo defende o Atlético-MG, onde chegou em 2024 após passagens por Athletico-PR, Atlético de Madrid, Nottingham Forest e Olympique de Marselha.
Quem é o atual técnico da Seleção Brasileira?
O comando da Seleção Brasileira está sob responsabilidade de Dorival Júnior, nomeado em 2024 para iniciar um novo ciclo rumo à Copa do Mundo de 2026.
Há chance de Renan Lodi voltar à Seleção Brasileira?
A possibilidade existe, mas depende de combinação de fatores: manutenção do bom rendimento no Atlético-MG, lesões dos concorrentes diretos e convocação da comissão técnica. A concorrência atual na lateral-esquerda, com Guilherme Arana consolidado como titular, é considerada alta.
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