Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e figura central na criação do partido Missão — homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025 —, é candidato à Presidência da República na corrida eleitoral deste ano com um programa de governo apresentado como um "basta" no que o grupo considera erros acumulados pela política recente. Estreante em disputas nacionais, ele aposta em um documento chamado "Livro Amarelo" para consolidar a via eleitoral de uma geração que cresceu em protestos de rua e em mobilizações nas redes sociais.
Quem é Renan Santos e de onde ele vem
Renan Santos é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ganhou projeção nacional a partir de 2014 em mobilizações contra a corrupção e contra o governo do PT, ainda que o movimento tenha se diversificado ideologicamente nos anos seguintes. Antes de se lançar como candidato a presidente, ele atuou como uma das principais vozes do MBL em debates públicos, com forte presença em canais digitais e em espaços da mídia conservadora e liberal.
Segundo o portal Globo, Santos disputa pela primeira vez uma eleição nacional, concorrendo ao Palácio do Planalto com a promessa de "dar um basta em tudo o que deu errado" e de construir um país onde "o esforço deve ser recompensado". A retórica combina duas marcas registradas do liberalismo à brasileira: a defesa de responsabilidade fiscal e a valorização do empreendedorismo individual.
O que é o partido Missão e por que ele foi criado
A Missão é fruto direto da tentativa do MBL de transformar influência de rua em representação partidária. Após anos atuando como movimento suprapartidário, membros do grupo buscaram no registro de uma legenda a possibilidade de disputar eleições com identidade própria e de acessar mecanismos que só partidos têm — como tempo de rádio e TV, fundo partidário e estrutura de federações.
De acordo com a reportagem da Globo, Renan Santos ajudou a estruturar a legenda, que teve o registro homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025. A novidade tem peso simbólico e prático: do lado simbólico, marca a entrada oficial no sistema eleitoral de uma geração de ativistas vindos das redes sociais; do lado prático, dá ao grupo as ferramentas mínimas para uma campanha presidencial.
O Livro Amarelo: ideologia e plano de governo em um único documento
O programa de Renan Santos se materializa no chamado "Livro Amarelo", peça central da campanha. O material funciona simultaneamente como documento de identidade ideológica da legenda e como plano de governo oficial registrado na Justiça Eleitoral. Isso significa que, em caso de vitória, as metas descritas no caderno servem de referência para cobrança de compromissos.
A estratégia de unificar manifesto e plano em um único documento não é inédita no cenário brasileiro — legendas como o Novo e o Partido Liberal (PL) já adotaram cadernos equivalentes em campanhas anteriores —, mas reflete a tentativa de apresentar ao eleitor um diagnóstico e uma receita em formato único, de leitura mais acessível.
Como o plano está organizado: 14 pilares em três blocos
O Livro Amarelo estrutura suas propostas em 14 pilares, divididos em três grandes blocos temáticos, conforme descrito na cobertura da Globo:
- Estado Novo: bloco dedicado a mudanças estruturais no funcionamento do Estado brasileiro;
- Reformas de base: conjunto de ajustes considerados pelo partido como pré-requisitos para o desenvolvimento;
- País do futuro: bloco com propostas de longo prazo voltadas a inserir o Brasil em uma nova etapa econômica e tecnológica.
A partir desses pilares, o programa define cinco metas a serem perseguidas até 2030. A fixação de um horizonte temporal não é casual: em um país onde planos de governo costumam ser genéricos, estabelecer prazo e entregáveis é uma forma de tornar a promessa auditável pelo eleitor e pela imprensa ao longo do mandato.
Quais áreas o programa de Renan Santos abrange?
Os 14 pilares atravessam áreas que vão do equilíbrio das contas públicas à inserção internacional do Brasil. Entre os temas listados no texto de referência estão:
- Ajuste fiscal;
- Segurança pública;
- Economia;
- Infraestrutura;
- Saúde;
- Cultura;
- Educação;
- Agricultura;
- Tecnologia;
- Política externa.
A escolha das áreas revela dois eixos de atuação. De um lado, questões clássicas de gestão pública — contas equilibradas, segurança, infraestrutura —, que aparecem em praticamente todos os planos de governo. De outro, agendas que ganharam centralidade no debate recente, como tecnologia e política externa, frequentemente associadas à defesa de uma postura mais assertiva do Brasil no comércio internacional. Cultura e educação entram como áreas de disputa simbólica, comuns a projetos de cunho conservador e liberal.
O contexto da entrada do MBL nas urnas
A candidatura de Santos ocorre em um cenário de fragmentação partidária e de intensa disputa por espaço no centro e na direita do espectro político. Após o protagonismo das manifestações de 2015 e 2016, o MBL enfrentou cisões internas e perdeu parte da relevância de rua, redirecionando energia para a construção de uma legenda própria. A Missão representa esse reposicionamento institucional.
Para o eleitor brasileiro, o impacto concreto dessa trajetória é a oferta de mais uma opção na cédula, com identidade liberal declarada e origem no ativismo digital. A multiplicação de partidos também altera a dinâmica do debate, ampliando o número de vozes em sabatinas, debates e na propaganda obrigatória no rádio e na TV.
O que ainda precisa ser esclarecido sobre a candidatura
Embora o portal Globo já tenha divulgado os contornos gerais do programa, alguns pontos centrais seguem sem detalhamento suficiente para avaliação pelo eleitor. Entre eles estão a ordem de prioridade das propostas, o custo estimado de cada uma e a forma de financiamento das medidas defendidas no Livro Amarelo. A ausência de números não é incomum nessa fase da campanha, mas tende a ser cobrada à medida que o calendário eleitoral avança e os debates ficam mais densos.
Também está em aberto a estratégia de alianças da Missão para as disputas em outros cargos — governador, senador e deputado —, fator decisivo para quem quer se apresentar como alternativa viável à Presidência. O desempenho nas pesquisas e o tempo de TV serão termômetros relevantes nas próximas etapas da corrida.
Perguntas frequentes
Quem é Renan Santos?
Renan Santos é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e um dos criadores do partido Missão, legenda pela qual disputa pela primeira vez uma eleição à Presidência da República.
O que é o partido Missão?
É a legenda criada por membros e aliados do MBL para levar o movimento à disputa eleitoral. O registro foi homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025.
O que é o Livro Amarelo?
É o documento que reúne as bases ideológicas do partido Missão e funciona como plano de governo de Renan Santos. Organiza 14 pilares em três blocos e fixa cinco metas para 2030.
Quais áreas o plano de governo abrange?
Ajuste fiscal, segurança pública, economia, infraestrutura, saúde, cultura, educação, agricultura, tecnologia e política externa.
Renan Santos já disputou alguma eleição antes?
Não. Segundo o portal Globo, esta é a primeira campanha nacional de Renan Santos.
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