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Russos sacam 2,4 trilhões de rublos por medo de confisco

Corrida aos bancos expõe pânico da população com sanções e congelamento das contas

Russos sacam 2,4 trilhões de rublos por medo de confisco

A população russa retirou um volume recorde de dinheiro dos bancos em agosto, alimentada pelo medo crescente de que o governo de Vladimir Putin possa confiscar depósitos para bancar a continuidade da guerra contra a Ucrânia. Os saques ocorrem em meio a um rombo orçamentário, ao esgotamento das reservas internacionais e ao quinto ano consecutivo de conflito, segundo reportagem do portal Terra.com.br, que cita dados do Banco Central da Rússia e reportagem do jornal americano The Washington Post.

Quanto dinheiro está saindo dos bancos russos?

Os números impressionam. Apenas na primeira quinzena de agosto, os russos sacaram 286,4 bilhões de rublos (cerca de R$ 17,6 bilhões na cotação da época). Em julho, o volume já havia sido robusto: 643 bilhões de rublos deixaram as contas bancárias.

Somando tudo o que foi convertido de depósitos para dinheiro em espécie desde o início do ano, o Banco Central da Rússia registra 2,4 trilhões de rublos (aproximadamente R$ 147,5 bilhões) em retiradas — um patamar sem precedentes em períodos recentes.

  • Janeiro a agosto de 2025: 2,4 trilhões de rublos convertidos em espécie.
  • Julho de 2025: 643 bilhões de rublos sacados.
  • 1ª quinzena de agosto de 2025: 286,4 bilhões de rublos sacados.

Quais bancos estão perdendo mais depósitos?

O movimento de retirada atinge tanto instituições estatais quanto privadas, mas o setor privado tem sentido o golpe com mais intensidade. O banco privado mais afetado em valores absolutos é o Alfa-Bank, que perdeu 179,4 bilhões de rublos em depósitos de clientes de varejo — o equivalente a 5,6% do total depositado na instituição.

O Sovcombank, terceiro maior banco privado do país, viu 8,1% de sua base de clientes de varejo evaporarem, o que representa 81,7 bilhões de rublos a menos em caixa.

Já o Sberbank, o maior banco estatal da Rússia, também sente a pressão. Segundo o executivo Taras Skvortsov, o volume de saques acumulado em 2025 pode chegar a quase dobrar o total retirado no primeiro ano da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022, quando os russos sacaram cerca de 2 trilhões de rublos em meio a uma onda anterior de temor de confisco.

Por que os russos estão tirando dinheiro do banco agora?

Embora o Kremlin não tenha anunciado nenhuma medida de confisco de depósitos, a desconfiança da população é alimentada por uma combinação de fatores.

O primeiro é econômico. A guerra na Ucrânia já consome o quinto ano consecutivo de gastos bélicos, drenando o orçamento federal e acelerando o uso das reservas internacionais. O segundo é psicológico: a percepção de risco é amplificada pela proximidade dos ataques na própria Rússia.

Como resumiu um ex-funcionário do Ministério das Finanças, em declaração anônima ao The Washington Post reproduzida pelo Terra.com.br: "Os drones estão voando. Está pegando fogo. O nervosismo está aumentando. E talvez a sabedoria popular das pessoas esteja se manifestando, levando-as a perceber que precisam guardar dinheiro debaixo do travesseiro, e não em algum lugar nos bancos, de onde talvez nunca seja devolvido".

O que é confisco bancário e por que gera tanto receio?

Confisco bancário ocorre quando o Estado obriga金融機関 a transferir depósitos de correntistas para o caixa público, geralmente para cobrir gastos emergenciais. O mecanismo foi usado em crises passadas, inclusive na própria Rússia, e em países como Argentina, Chipre e Grécia em diferentes momentos das últimas décadas. A simples memória histórica basta para gerar corrida bancária.

2022 funciona como termômetro: o que aconteceu na primeira onda de saques?

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em larga escala, em fevereiro de 2022, os russos também correram para sacar dinheiro vivo. Naquele momento, o receio era de que sanções internacionais congelassem ativos e de que o sistema financeiro entrasse em colapso. Saíram dos bancos cerca de 2 trilhões de rublos em pouco mais de um ano.

O padrão de agora é semelhante, mas com um ingrediente a mais: a guerra não tem data para acabar, o orçamento público segue sob pressão e as reservas antes usadas como amortecedor vêm diminuindo. Isso explica por que a retirada de 2025 pode, projeta o Sberbank, superar com folga o ciclo anterior.

Qual a ligação entre guerra, orçamento e confiança no sistema?

Quanto mais longa a guerra, maior a fatura. Para financiar operações militares, salários de soldados, reposição de equipamentos e produção de defesa, o governo russo precisa de receita. Em paralelo, despesas com defesa ampliam o déficit e diminuem a folga do Tesouro.

Quando a população percebe esses sinais, o instinto é preservar liquidez: em vez de deixar o dinheiro render no banco, prefere ter cédulas em casa, em moeda estrangeira ou em outros ativos percebidos como refúgio. Esse comportamento, multiplicado por milhões, enfraquece os bancos, que ficam com menos funding para conceder crédito — e o efeito pode se espalhar pela economia real.

Esse movimento pode causar uma crise bancária na Rússia?

Especialistas ouvidos em diferentes ciclos de estresse russo lembram que saques de até 10% da base de depositantes costumam ser administráveis por bancos com colchão de liquidez adequado. No entanto, quando a corrida se acelera e ganha manchete, a percepção de risco se autorrealiza: quem ainda não sacou corre para sacar antes de uma eventual restrição de saques.

Por ora, o Banco Central da Rússia não reportou medidas emergenciais, e o rublo segue flutuando dentro da banda administrada. O risco, apontam analistas, é que o governo se sinta tentado a impor algum tipo de controle de capitais — e é justamente essa possibilidade que alimenta a corrida atual.

Como o brasileiro pode ser impactado por isso?

Embora a Rússia não seja um parceiro comercial central para o Brasil, a instabilidade financeira russa produz efeitos colaterais relevantes:

  • Preço de fertilizantes: a Rússia é uma das maiores produtoras mundiais de potássio, ureia e nitrogenados. Qualquer desorganização no sistema bancário e logístico russo pressiona a oferta global e encarece insumos agrícolas, com reflexo direto no custo de produção no campo brasileiro.
  • Preço de petróleo e gás: Moscou é exportador-chave de hidrocarbonetos. Movimentos bruscos na economia russa costumam se refletir em volatilidade das commodities energéticas, alterando o preço da gasolina e do diesel no Brasil.
  • Câmbio e risco global: crises localizadas em economias emergentes tendem a elevar a aversão ao risco, o que pode fortalecer o dólar frente ao real e pressionar ativos brasileiros.
  • Sanções e rotas comerciais: novas medidas restritivas contra Moscou podem redesenhar cadeias de suprimento, abrindo ou fechando portas para exportadores brasileiros.

O que observar a partir de agora

Os próximos indicadores a acompanhar são a divulgação dos dados de saques de setembro pelo Banco Central da Rússia, a evolução do déficit orçamentário russo, eventuais declarações oficiais sobre o sistema financeiro e o tom das medidas do Kremlin para o orçamento de 2026. Caso a corrida se intensifique, o governo terá de escolher entre acessar mais reservas, elevar impostos ou — o que a população teme — tocar depósitos.

Perguntas frequentes

Por que os russos estão sacando dinheiro dos bancos?

Principalmente por medo de que o governo de Vladimir Putin possa confiscar depósitos para financiar a guerra contra a Ucrânia, em um contexto de orçamento sob pressão e reservas sendo consumidas.

Quanto foi sacado dos bancos russos em 2025?

Segundo o Banco Central da Rússia, cerca de 2,4 trilhões de rublos (aproximadamente R$ 147,5 bilhões) foram convertidos de depósitos para dinheiro em espécie desde o início do ano, com 643 bilhões de rublos em julho e 286,4 bilhões na primeira quinzena de agosto.

Quais bancos russos estão mais afetados?

O Alfa-Bank perdeu 179,4 bilhões de rublos (5,6% da base de varejo), o Sovcombank teve 8,1% de saída e o Sberbank, maior banco estatal, projeta saques quase duas vezes maiores do que em 2022.

Existe risco de confisco de depósitos na Rússia?

Não há anúncio oficial de confisco, mas a memória de crises anteriores e a necessidade de financiar a guerra mantêm o temor vivo entre a população, que prefere sacar preventivamente.

Como a crise bancária na Rússia pode afetar o Brasil?

Indiretamente, por meio do preço de fertilizantes e commodities energéticas, da volatilidade cambial e de mudanças em rotas comerciais provocadas por novas sanções internacionais.

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Yuri Augusto
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Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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