Apostas esportivas dispararam 16,5% durante a Copa do Mundo, diz Pagsmile
As apostas esportivas registraram um salto expressivo durante a Copa do Mundo, passando de 1,7 milhão de transações no mês anterior para 2,09 milhões no período do torneio — um aumento de 16,5% em volume de apostas. Os números foram divulgados pela Pagsmile, empresa de tecnologia que fornece infraestrutura de pagamentos para cerca de 40 sites de apostas em vários países da América Latina, conforme reportagem do portal Abril.com.br.
O volume financeiro acompanhou o ritmo: foram movimentados 38,4 milhões de dólares durante a Copa, 36% acima dos 28,11 milhões do mês anterior. O dado reforça uma tendência já esperada por especialistas do setor: grandes torneios de futebol funcionam como um gatilho de consumo para o mercado de betting, especialmente em países onde a modalidade é regulamentada — ou está em processo de regulamentação — como é o caso do Brasil.
Como os números se distribuíram entre os países
O levantamento da Pagsmile coloca o Brasil na liderança isolada do ranking regional durante o torneio. Veja a divisão por país:
- Brasil: 879 mil transações, equivalente a 41,36% do total.
- México: 604 mil transações (28,40%).
- Chile: 545 mil transações (25,63%).
- Colômbia: aproximadamente 66 mil transações (3,12%).
Em outras palavras, os quatro países juntos responderam por praticamente a totalidade das operações processadas pela empresa no recorte da Copa. A fatia brasileira — quase 42% — confirma a posição do país como o maior mercado de apostas esportivas da América Latina em volume de usuários, embora ainda não necessariamente em faturamento médio por apostador.
Por que a Copa do Mundo turbina as apostas?
O calendário do futebol é, por si só, o principal motor do setor. Uma Copa do Mundo reúne jogos diários durante cerca de um mês, com seleções nacionais, estádios lotados e forte apelo emocional — fatores que aumentam o engajamento de apostadores casuais, que normalmente não apostam no restante do ano.
Mas não é só o calendário que explica o salto. Outros fatores contribuíram para o crescimento registrado pela Pagsmile:
- Hábito consolidado entre torcedores: mesmo com a ausência da Seleção Brasileira nas fases mais avançadas da última edição, o volume de apostas permaneceu elevado, mostrando que parte do público já aposta independentemente da fase da Seleção.
- Aprofundamento da regulação brasileira: debates recentes sobre tributação, publicidade e mecanismos de proteção ao consumidor mantiveram o tema em evidência e atraíram novos jogadores para plataformas legalizadas.
- Promoções agressivas das casas: bônus de boas-vindas, apostas grátis e odds turbinadas em jogos da Copa são estratégias comuns para captar usuários durante grandes eventos.
- Facilidade de pagamento: a entrada do Pix como meio de pagamento em diversas plataformas reduziu a fricção para depósitos e saques, fator determinante em um mercado historicamente afetado por problemas de liquidez.
O contexto da regulação das apostas no Brasil
Desde 2018, com a aprovação da Lei 13.756, as apostas esportivas de quota fixa — conhecidas popularmente como "bets" — passaram a ter um marco legal no país. A legislação definiu que apenas pessoas jurídicas autorizadas poderiam explorar o serviço e estabeleceu uma série de exigências, como limites de identificação dos apostadores e regras de publicidade.
Mais recentemente, o Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), avançou no processo de regulamentação, com a publicação de portarias tratando de certificação de plataformas, regras de jogo responsável e cronograma de adequação das empresas que já operam no mercado. A expectativa é que, à medida que a regulação se consolida, o número de operadores regularizados aumente — e que a arrecadação tributária cresça junto.
Vale destacar, ainda, que a regulamentação das apostas online no Brasil tem sido apontada por entidades do setor financeiro e por órgãos de controle como peça-chave para combater práticas irregulares, lavagem de dinheiro e apostas por parte de adolescentes. A formalização do mercado também tende a oferecer maior transparência sobre odds, resultados e fluxo financeiro.
Brasil na liderança: o que os dados revelam sobre o apostador nacional
O fato de o Brasil responder por 41,36% das transações apuradas pela Pagsmile durante a Copa é um indicador relevante. Embora o universo analisado (40 sites) não represente a totalidade do mercado, serve como amostra para entender o comportamento regional.
Alguns pontos que ajudam a dimensionar o achado:
- Base de fãs de futebol: o Brasil tem uma das maiores torcidas proporcionalmente engajadas do mundo, com o futebol presente na rotina cultural de praticamente todas as regiões do país.
- Penetração de smartphones: com mais de 180 milhões de smartphones em uso, o país oferece a infraestrutura digital ideal para apostas via aplicativos e sites responsivos.
- Cultura de "bolão": a tradição dos bolões entre amigos se digitalizou, puxando novos públicos para plataformas formais.
- Proteção ao consumidor ainda incipiente: embora a regulação avance, especialistas alertam que mecanismos efetivos de autocontrole, como limites de gasto e pausa de conta, ainda não estão plenamente difundidos entre todos os usuários.
O México aparece na segunda posição, com 28,40% das transações, sustentado por uma regulamentação federal já consolidada e por uma forte cultura de apostas esportivas. O Chile, com 25,63%, também se destaca, enquanto a Colômbia, com 3,12%, tem um mercado mais maduro em termos legais, mas menor em volume de usuários na amostra da Pagsmile.
Impacto real para o consumidor brasileiro
Para quem acompanha o tema, o dado mais importante não é o percentual de crescimento, e sim o que ele significa na prática. A massificação das apostas traz benefícios — como maior concorrência entre plataformas, melhores odds e mais opções de mercados —, mas também riscos concretos:
- Endividamento: pesquisas setoriais indicam que parte significativa dos apostadores regulares declara gastar mais do que pode, especialmente em eventos de grande exposição midiática.
- Publicidade intensa: propagandas de apostas em transmissões esportivas, com celebridades e influenciadores, ampliam o alcance para públicos jovens, incluindo adolescentes.
- Necessidade de informação: antes de apostar, é fundamental entender o que é uma odd, como funciona o rollover de bônus, quais são as regras de saque e quais plataformas possuem licença para operar no Brasil.
Autoridades e entidades de saúde mental recomendam, de forma recorrente, que apostadores tratem a atividade como forma de entretenimento, e não como fonte de renda. Em caso de sinais de dependência, programas como o Jogadores Anônimos e linhas de apoio mantidas por órgãos públicos oferecem suporte gratuito.
Próximos passos do mercado
Com a regulamentação em curso, a expectativa do mercado é de que 2025 e 2026 sejam anos de consolidação, com:
- Definição das regras tributárias definitivas para casas de apostas;
- Certificação obrigatória das plataformas que operam no país;
- Crescimento de patrocínios esportivos, já comuns em grandes clubes brasileiros;
- Aumento da fiscalização contra sites irregulares e bets sem licença.
A Copa do Mundo, portanto, não criou uma tendência — ela escancarou uma que já estava em curso. Os números da Pagsmile, conforme divulgado pelo portal Abril.com.br, servem como mais um retrato de um mercado que cresce rapidamente e que precisa, na mesma velocidade, de regras claras, fiscalização ativa e educação do consumidor.
Perguntas frequentes
Quanto cresceram as apostas durante a Copa do Mundo?
As apostas esportivas registraram 2,09 milhões de transações durante a Copa, um aumento de 16,5% em relação ao mês anterior, quando foram contabilizadas 1,7 milhão de apostas. O volume financeiro também subiu: de 28,11 milhões para 38,4 milhões de dólares, alta de 36%.
Qual país liderou o volume de apostas na América Latina?
O Brasil ficou em primeiro lugar, com 879 mil transações (41,36% do total), seguido por México (28,40%), Chile (25,63%) e Colômbia (3,12%), segundo dados da Pagsmile.
As apostas esportivas são legalizadas no Brasil?
Sim. As apostas de quota fixa são regulamentadas pela Lei 13.756/2018 e estão em fase final de implementação de regras pelo Ministério da Fazenda. Apenas plataformas devidamente autorizadas podem operar legalmente no país.
Por que a Copa do Mundo aumenta o número de apostas?
O torneio reúne jogos diários, torcida emocional e grande exposição midiática, fatores que atraem tanto apostadores regulares quanto público novo. Promoções, bônus e transmissões ao vivo também favorecem o aumento do volume.
Como evitar problemas com apostas esportivas?
Especialistas recomendam definir um limite de gasto antes de apostar, evitar tentar recuperar perdas, não fazer apostas com dinheiro de despesas essenciais e buscar ajuda especializada caso a atividade comprometa a rotina financeira ou emocional.
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