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São Tomé e Príncipe: fraca afluência e 2 bloqueios nas urnas

Apatia dos eleitores e falhas no processo eleitoral ameaçam credibilidade do pleito

São Tomé e Príncipe: fraca afluência e 2 bloqueios nas urnas

Eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe começam com fraca afluência e dois bloqueios no sul da capital

As primeiras duas horas de votação nas eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe foram marcadas por baixa presença de eleitores nas seções e por dois bloqueios que impediram a instalação de mesas de coleta em pontos ao sul da capital, informou neste domingo o presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Jeudiger do Nascimento. Segundo o portal Observador.pt, o balanço inicial do pleito aponta para um início lento, embora os mesários tenham conseguido abrir a maioria das seções no horário previsto.

Onde o voto foi impedido de começar?

Em entrevista coletiva concedida nas primeiras horas do dia, Jeudiger do Nascimento confirmou que em dois locais as urnas sequer puderam ser instaladas. O primeiro é o Ilhéu das Rolas, pequena ilha turística famosa por ser cortada pela Linha do Equador, e o segundo é a Praia de Messias Alves, na zona sul da capital são-tomense. De acordo com o presidente da CEN, nesses pontos "não permitiram a entrada das urnas", sem que, até o momento da fala, tivesse sido detalhada a identidade dos bloqueadores ou os motivos exatos da obstrução.

O caso da Praia de Messias Alves chamou a atenção porque se trata de uma área urbana e facilmente acessível, diferentemente do Ilhéu das Rolas, cujo acesso depende obrigatoriamente de embarcação. A interrupção do processo eleitoral nesses dois pontos levantou dúvidas sobre a logística de segurança e transporte conduzida pela CEN e pelas autoridades policiais locais.

Por que a afluência está abaixo do esperado?

Além dos bloqueios, o mais preocupante para a comissão eleitoral foi a fraca afluência verificada nas seções que funcionaram normalmente. "Em quase todos os locais as urnas abriram a horas", relatou Jeudiger do Nascimento, reconhecendo que o comparecimento dos eleitores ficou aquém do desejado nas duas primeiras horas.

O presidente da CEN atribuiu o movimento fraco a uma possível desmobilização do eleitorado e fez um apelo público para que a população se deslocasse às seções. "Se as pessoas estão com raiva, este é o momento de expressar essa raiva fazendo uma opção. Não podemos adiar o destino do país e não votar não significa que as coisas fiquem resolvidas. Agora o povo é o juiz", afirmou, conforme registrado pelo Observador.pt.

Em quais locais as seções abriram com atraso?

Apesar de a maioria das mesas ter iniciado os trabalhos conforme o cronograma, o responsável pela CEN admitiu que houve substituição de mesários em algumas assembleias de voto, em razão da falta de comparecimento ou do atraso dos membros originalmente designados. A troca de última hora costuma ser um fator que retarda a abertura das seções em qualquer processo eleitoral, sobretudo em países com logística limitada como São Tomé e Príncipe, arquipélago de cerca de 220 mil habitantes dividido por seis distritos eleitorais na ilha de São Tomé e pela Região Autónoma do Príncipe.

Em outras localidades, relatou o presidente da CEN, a votação ainda não havia começado não por causa de bloqueio, mas porque os eleitores estavam concentrados ao redor das seções sem, de fato, exercer o direito ao voto. Jeudiger do Nascimento demonstrou confiança de que a situação seria normalizada ao longo do dia.

Como está distribuído o eleitorado são-tomense no exterior?

As eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe mobilizam um total de 358 assembleias de voto, conforme dados da própria CEN. A maior parte, 287 seções, funciona no arquipélago. As demais estão espalhadas pela diáspora africana e europeia, com destaque especial para Portugal, que concentra 32 assembleias, e mais 14 seções distribuídas por quatro países africanos.

O peso de Portugal no colégio eleitoral da diáspora reflete a forte migração são-tomense para o país, fenômeno que se intensificou após a independência, em 1975, e se acelerou em períodos de instabilidade política. Para as autoridades eleitorais, garantir o voto no exterior é estratégico: a comunidade emigrada costuma ter forte participação e influencia o resultado final em disputas apertadas, como tem sido habitual no arquipélago.

O que está em jogo nestas eleições presidenciais?

São Tomé e Príncipe adota o regime semipresidencial desde 1990. O presidente da República é eleito pelo voto direto para um mandato de cinco anos, com possibilidade de uma única reeleição, em sistema de maioria absoluta com segundo turno entre os dois mais votados caso ninguém ultrapasse 50% na primeira volta. O chefe de Estado compartilha a condução do país com um primeiro-ministro indicado pela força parlamentar majoritária.

As eleições ocorrem em um contexto de fragilidade econômica crônica, com a população enfrentando o custo elevado de produtos importados, a dependência de ajudas externas e a vulnerabilidade climática típica de um pequeno Estado insular. Para os analistas ouvidos frequentemente pela imprensa internacional, o pleito presidencial é visto como termômetro da estabilidade política e da confiança da população nas instituições democráticas — daí a preocupação da CEN com a baixa afluência registrada nas primeiras horas.

Qual a importância deste pleito para o Brasil e a comunidade lusófona?

São Tomé e Príncipe é um dos países fundadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e mantém com o Brasil relações diplomáticas ininterruptas desde 1975. Para o público brasileiro, acompanhar o processo eleitoral são-tomense interessa por três razões principais:

  • Cooperação bilateral: o Brasil é um dos parceiros históricos do arquipélago em áreas como saúde, formação de quadros técnicos e cooperação militar, com a presença da missão de cooperação da Defesa.
  • Cidadania e mobilidade: brasileiros e são-tomenses compartilham o espaço da CPLP, com acordos que facilitam vistos e reconhecem títulos acadêmicos.
  • Interesse editorial: a pequena dimensão geográfica do país costuma produzir disputas políticas acirradas, frequentemente cobertas como exemplo de democracia insular por veículos lusófonos.

Próximos passos da apuração em São Tomé e Príncipe

Com as seções ainda abertas, a expectativa é de que o comparecimento melhore nas horas seguintes, à medida que os deslocamentos para o interior das ilhas se completem e os eventuais bloqueios sejam resolvidos pelas forças de segurança. A CEN não havia divulgado, no momento do balanço inicial, balanço oficial de votantes nem estimativa de participação para o restante do dia.

A apuração em São Tomé e Príncipe costuma ser relativamente rápida devido ao pequeno universo de seções, mas a contabilização dos votos da diáspora — especialmente as 32 assembleias em Portugal — tradicionalmente exige mais tempo, o que pode adiar a divulgação de um resultado preliminar consolidado. Em caso de segundo turno, o calendário prevê nova votação entre os dois candidatos mais votados nas semanas seguintes.


Perguntas frequentes

Quantas seções de votação funcionam nestas eleições em São Tomé e Príncipe?

São 358 assembleias de voto: 287 no arquipélago (seis distritos em São Tomé mais a Região Autónoma do Príncipe), 32 em Portugal e outras 14 distribuídas por quatro países africanos, conforme a Comissão Eleitoral Nacional.

Quais locais registraram bloqueio no início da votação?

Dois pontos: o Ilhéu das Rolas e a Praia de Messias Alves, segundo o presidente da CEN, Jeudiger do Nascimento.

O que a CEN atribui à fraca afluência nas primeiras horas?

A comissão não detalhou um motivo único, mas o presidente da CEN citou uma possível desmobilização dos eleitores e pediu que a população se manifestasse pelo voto em vez de se ausentar das seções.

Como funciona o sistema presidencial em São Tomé e Príncipe?

O presidente é eleito por voto direto para mandato de cinco anos, com direito a uma única reeleição. Se nenhum candidato atingir maioria absoluta no primeiro turno, há segundo turno entre os dois mais votados.

Quando devem ser conhecidos os resultados?

A CEN não havia divulgado, até o fechamento do balanço inicial, previsão de horário para o resultado preliminar. A apuração tende a ser rápida no arquipélago, mas os votos da diáspora, sobretudo os 32 de Portugal, costumam exigir prazo adicional.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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