O Signal, um dos aplicativos de mensagens mais respeitados quando o assunto é privacidade e criptografia de ponta a ponta, está derrubando mais uma barreira técnica importante: o suporte completo para dispositivos vinculados. A versão 8.20 do Signal para Android já permite ao usuário conectar um segundo celular Android ou um tablet Android à mesma conta. Para os usuários de iPhone, a novidade chega na versão 8.22 do iOS, com a possibilidade de vincular outro iPhone à conta — ampliando o suporte que já existia para iPads. A informação foi divulgada pelo portal Manualdousuario.net, que destacou o movimento como mais um passo do projeto para reduzir a dependência do número de telefone como “âncora” única do aplicativo.
O que muda com a atualização do Signal
Durante anos, o Signal funcionou essencialmente como um espelho do celular principal: o aplicativo em um segundo dispositivo era, na prática, uma extensão limitada do telefone que continha a conta. Para usar o Signal no tablet, por exemplo, era necessário manter o celular ligado e conectado à internet. O novo modelo de dispositivos vinculados inverte essa lógica.
Agora, cada aparelho passa a operar como um cliente independente, com seu próprio banco de dados local de conversas. A sincronização acontece por meio de criptografia, sem que o servidor do Signal tenha acesso ao conteúdo das mensagens — uma característica central do aplicativo desde sua fundação.
Android 8.20: tablets e celulares como pares
Com a versão 8.20, lançada recentemente para Android, o usuário pode:
- Vincular um segundo smartphone Android à mesma conta Signal, útil para quem usa um aparelho pessoal e outro corporativo, por exemplo.
- Vincular um tablet Android, recurso muito solicitado por quem usa o mensageiro para trabalho ou estudo e queria deixar a tela maior à disposição.
- Gerenciar os dispositivos conectados em uma lista dedicada dentro do próprio aplicativo, com opções para renomear, desconectar e revisar sessões ativas.
iOS 8.22: iPhones passam a ser vinculados
No ecossistema da Apple, o Signal já permitia vincular iPads há algum tempo. A versão 8.22 estende o mesmo recurso aos iPhones, o que significa que um usuário pode, por exemplo, manter um iPhone pessoal e um iPhone de trabalho rodando o Signal de forma independente, sem precisar manter um dos dois como “servidor” do outro.
Por que o suporte a múltiplos dispositivos importa
A chegada dessa funcionalidade coloca o Signal mais próximo do que já oferecem concorrentes como WhatsApp e Telegram, que há anos permitem usar a mesma conta em vários aparelhos sem a necessidade de manter o celular principal online.
Para o usuário comum, a diferença é prática: tablets e notebooks deixam de ser dependentes do telefone. Para quem usa o Signal em contextos profissionais — jornalistas, advogados, pesquisadores, equipes de segurança da informação —, a novidade reduz pontos únicos de falha e facilita fluxos de trabalho em múltiplas telas.
Há também um ganho simbólico. Ao dissociar gradualmente a conta do número de telefone, o Signal reforça seu posicionamento como aplicativo de mensagens privacy-first, tendência cada vez mais relevante em um cenário de crescentes debates sobre vigilância digital, vazamento de metadados e regulação de plataformas.
Como vincular um novo dispositivo ao Signal
O processo continua simples e segue o padrão já conhecido pelos usuários do aplicativo:
- Abra o Signal no aparelho principal (o que contém o número de telefone).
- Acesse Configurações > Dispositivos vinculados.
- Toque em “Vincular novo dispositivo”.
- No novo aparelho (tablet, segundo celular, iPad ou iPhone), abra o Signal e escolha a opção “Vincular como novo dispositivo”.
- Escaneie o QR Code exibido na tela do aparelho principal com a câmera do novo dispositivo.
- Escolha um nome para identificar o novo dispositivo e confirme.
A partir daí, as conversas, grupos e contatos passam a ser sincronizados de forma criptografada. Cada dispositivo vinculado mantém sua cópia local e se comunica com os demais por meio de mecanismos desenhados para preservar a privacidade.
Segurança e privacidade: o que continua igual
Mesmo com a expansão do suporte a múltiplos aparelhos, o Signal mantém os princípios que o diferenciam:
- Criptografia de ponta a ponta em mensagens, chamadas de voz e vídeo, utilizando o Signal Protocol, referência no setor.
- Coleta mínima de metadados, limitada ao necessário para o funcionamento do serviço.
- Sem anúncios e sem rastreamento publicitário — o projeto é mantido pela Signal Foundation, organização sem fins lucrativos financiada por doações.
- Desconhecimento da empresa sobre o conteúdo das mensagens, uma vez que as chaves de criptografia ficam apenas nos dispositivos dos usuários.
Vale destacar que vincular um novo dispositivo exige acesso físico ao aparelho principal no momento do pareamento, o que funciona como uma camada adicional de proteção contra acessos não autorizados.
O contexto da corrida por mensagens criptografadas
A expansão dos dispositivos vinculados acontece em um momento de forte pressão regulatória sobre aplicativos de mensagens em diferentes países. Discussões sobre criptografia, backdoors e escaneamento de conteúdo têm mobilizado governos, gigantes da tecnologia e entidades de defesa de direitos digitais em todo o mundo.
Para o Signal, oferecer paridade funcional com rivais como WhatsApp e Telegram é também uma questão de competitividade. Por mais que a comunidade técnica reconheça a robustez do aplicativo, a exigência dos usuários por uma experiência multiplataforma fluida vinha sendo apontada há anos como um dos principais entraves à migração de quem desejava abandonar soluções menos comprometidas com a privacidade.
No Brasil, país que figura entre os maiores mercados globais de mensageria instantânea, o tema ganha contornos próprios. O Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) criaram uma base legal favorável a aplicativos que tratam dados pessoais com rigor — terreno em que o Signal se apresenta como uma das alternativas mais consistentes.
O que o usuário brasileiro precisa saber
Na prática, a atualização beneficia principalmente três perfis de usuários no país:
- Quem usa Android e precisa de mobilidade extra: tablets e segundos celulares passam a funcionar de verdade como clientes independentes.
- Usuários de iPhone que mantêm dois aparelhos, pessoal e profissional, e querem conversar pelo Signal em ambos sem gambiarras.
- Profissionais que dependem do mensageiro em mais de uma tela, como equipes de comunicação, pesquisadores e defensores de direitos humanos.
A recomendação, como em qualquer atualização de aplicativo, é manter o Signal sempre na versão mais recente disponível nas lojas oficiais — Google Play Store para Android e App Store para iOS — e revisar periodicamente a lista de dispositivos vinculados para desativar sessões que não estejam mais em uso.
Perguntas frequentes
Preciso manter o celular principal ligado para usar o Signal vinculado?
Não. Com o novo modelo, cada dispositivo vinculado opera de forma independente. O aparelho principal não precisa estar conectado à internet para que os demais continuem enviando e recebendo mensagens.
A vinculação consome mais bateria ou dados móveis?
O impacto tende a ser semelhante ao uso de qualquer cliente de mensageria ativo em segundo plano. O Signal utiliza mecanismos de sincronização otimizados, mas dispositivos vinculados permanentemente podem apresentar consumo levemente superior ao de um aplicativo aberto em apenas um aparelho.
Mensagens e arquivos ficam sincronizados entre os dispositivos?
Sim. O histórico de conversas, grupos, contatos e mídias é replicado entre os aparelhos vinculados por meio de criptografia. Mensagens apagadas em um dos dispositivos tendem a ser refletidas nos demais, conforme a política de configuração escolhida.
Posso vincular mais de um tablet ou celular?
Sim. O Signal permite vincular múltiplos dispositivos à mesma conta, com gestão individual em uma lista dedicada nas configurações do aplicativo.
O Signal é gratuito?
Sim. O aplicativo é gratuito e não exibe anúncios. Seu desenvolvimento é mantido pela Signal Foundation, organização sem fins lucrativos que se sustenta por doações de usuários e parceiros.
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