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Simone Tebet troca MS por SP e entra na corrida ao Senado

Ex-candidata à Presidência quer fortalecer presença política no maior colégio eleitoral do país.

Simone Tebet troca MS por SP e entra na corrida ao Senado

Quem é Simone Tebet e por que ela quer o Senado por São Paulo

A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB) trocou o Mato Grosso do Sul por São Paulo e entrou de vez na corrida por uma das duas cadeiras que o maior colégio eleitoral do país vai eleger para o Senado Federal em 2026. Segundo o portal Abril.com.br, a movimentação inclui filiação ao PSB, mudança de domicílio eleitoral e construção de uma agenda que tenta se descolar da polarização nacional que marcou as últimas disputas presidenciais.

Tebet tem um currículo político raro no cenário brasileiro: foi prefeita de Três Lagoas (MS), deputada estadual e senadora por Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, além de ter sido a candidata do MDB à Presidência da República em 2022, quando terminou em terceiro lugar com pouco mais de 4% dos votos válidos. A trajetória no Congresso, com passagens por relatorias de relevância nacional, fez dela uma das vozes mais conhecidas da chamada "terceira via" no período pré-eleição.

De vice de chapa a ministra de Lula

O apoio declarado à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022 foi decisivo para a vitória do campo progressista e abriu caminho para que Tebet assumisse o Ministério do Planejamento e Orçamento em janeiro de 2023. Na pasta, ganhou protagonismo na condução do novo arcabouço fiscal e na articulação do Orçamento Geral da União. Tebet permaneceu no comando da equipe econômica até o fim de março deste ano, quando pediu exoneração para se dedicar à disputa eleitoral em São Paulo.

Por que São Paulo? O peso político do maior colégio eleitoral do país

São Paulo tem cerca de 34 milhões de eleitores aptos a votar, o que corresponde a aproximadamente um em cada quatro votantes do Brasil. Quem conquista uma cadeira no Senado pelo estado ganha visibilidade midiática proporcional ao tamanho do eleitorado, além de se posicionar como ator relevante nas grandes negociações nacionais, já que o Senado Federal é a Casa Revisora do Congresso e tem papel-chave na aprovação de matérias como Orçamento, indicados a tribunais superiores e medidas provisórias.

A mudança de domicílio eleitoral de Tebet não é apenas formal: ela simboliza uma mudança de eixo da carreira. Antes ligada à política regional do Centro-Oeste, a ex-ministra aposta em uma plataforma que dialogue tanto com a capital e a Grande São Paulo quanto com o interior — justamente onde o agronegócio é um dos motores da economia e onde Tebet tem raízes e conexões políticas herdadas da atuação no Mato Grosso do Sul.

O que muda com a filiação ao PSB

Com a saída do MDB e a entrada no PSB, partido de tradição histórica no campo progressista e atualmente integrado à base de apoio ao governo Lula, Tebet se reposiciona para 2026. A legenda dá a ela uma plataforma nacional e uma estrutura partidária que o MDB já não oferecia com a mesma intensidade, além de abrir espaço para alianças com partidos como PSD, PDT, PSOL e outros atores que têm se aproximado da centro-esquerda. Para o eleitor, isso significa que a candidatura virá com o rótulo de apoio ao governo federal, mas com um discurso que busca escapar da polarização entre petistas e bolsonaristas.

Agenda de Tebet para São Paulo: o que está em jogo

Em entrevista ao Radar da Veja, Tebet detalhou as pautas prioritárias da pré-campanha, que se dividem em dois grandes eixos geográficos e temáticos:

  • Capital e Região Metropolitana: mobilidade urbana (transporte público sobre trilhos, ônibus e integração tarifária), segurança pública, habitação popular e saúde. São áreas em que a capital paulista convive com gargalos crônicos e nas quais o governo estadual e a Prefeitura de São Paulo têm sido cobrados por soluções mais rápidas.
  • Interior paulista: pautas voltadas ao agronegócio, à infraestrutura logística (ferrovias e rodovias), à segurança hídrica e ao desenvolvimento regional. A pauta conecta-se à origem sul-mato-grossense da candidata e à tradição de sua família no setor produtivo rural.

Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto na corrida pelo Senado, Tebet demonstra cautela com a dianteira inicial. Em entrevistas recentes, ela tem repetido que "pesquisa a três meses da eleição é fotografia, não retrato", evitando previsões e reforçando a estratégia de buscar apoios partidários e aproximação com prefeitos e deputados estaduais como forma de construir palanques regionais.

Críticas a Tarcísio de Freitas: o que a ex-ministra questiona em SP

Um dos pontos altos da entrevista ao Radar foi a avaliação de Tebet sobre a administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do qual ela é adversária direta na corrida. Tebet tem apontado para o que considera gargalos na gestão estadual, especialmente em áreas como segurança pública e infraestrutura.

Para contextualizar o leitor que não acompanha o noticiário paulista cotidianamente: Tarcísio assumiu o governo de São Paulo em janeiro de 2023 após derrotar Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições de 2022, em uma campanha considerada simbólica da força do bolsonarismo fora de seu reduto histórico. Desde então, seu governo tem sido associado a um perfil mais liberal na economia e a uma agenda de segurança mais ostensiva, com críticas da oposição a investimentos considerados insuficientes em políticas sociais.

Tebet argumenta que, apesar dos índices fiscais positivos do estado — São Paulo é o maior coletor de ICMS do país e mantém um dos regimes de recuperação fiscal mais robustos do Brasil —, a sensação de insegurança segue entre as principais queixas dos paulistas nas pesquisas qualitativas, ao lado de problemas históricos de mobilidade e habitação. A leitura da ex-ministra é que a eficiência macrofiscal não se traduziu, até aqui, em melhorias concretas na vida do trabalhador paulista.

O que está em jogo politicamente

Disputar o Senado por São Paulo coloca Tebet no centro de uma das disputas mais acompanhadas de 2026. Uma vitória consolidaria seu nome como uma das principais figuras da centro-esquerda moderada, ampliando seu espaço em possíveis composições para 2030. Uma derrota, por outro lado, poderia recolocá-la em uma posição mais periférica no xadrez nacional.

Fim da polarização? Como Tebet tenta ocupar esse espaço

Um dos eixos mais marcantes da pré-campanha é o discurso de Tebet dirigido ao chamado "eleitor cansado da polarização". O argumento é simples: depois de três ciclos eleitorais marcados pelo confronto direto entre Lula e Bolsonaro (2022, e a influência disso em 2024 e nas eleições municipais), há uma parcela expressiva do eleitorado que busca alternativas que não exijam a escolha entre os dois polos.

Tebet aposta em três pontos para se diferenciar nesse campo:

  1. Perfil técnico: o fato de ter comandado uma pasta econômica no primeiro escalão federal lhe dá autoridade para falar de orçamento, déficit público e responsabilidade fiscal sem parecer mera peça de marketing.
  2. Origem regional: a criação no interior do Mato Grosso do Sul e a vivência política no Centro-Oeste reforçam a ideia de uma representante do "Brasil que produz", contrapondo-se à imagem polarizada entre petismo e bolsonarismo.
  3. Experiência legislativa: a atuação no Senado por oito anos legitima o discurso de quem conhece a Casa de dentro e pretende fazer dela instrumento de articulação, não apenas de confronto.

A estratégia, porém, não é isenta de riscos. Críticos argumentam que o espaço da "terceira via" se mostrou frágil nas últimas eleições e que a polarização tende a se reconfigurar, não a desaparecer. Para Tebet, a chave será manter a coerência entre a base aliada a Lula no governo federal e o tom de moderação que marcou seu discurso na campanha de 2022.

Próximos passos da pré-campanha

Até a convenção partidária que oficializará os candidatos, ainda há um calendário apertado pela frente. Tebet pretende intensificar agendas no interior paulista, com foco em cidades médias e polos agroindustriais como Ribeirão Preto, Campinas, Presidente Prudente e São José do Rio Preto. A expectativa é que os primeiros programas de governo setoriais sejam divulgados ao longo do segundo semestre, detalhando propostas em segurança, infraestrutura e desenvolvimento regional.

Outra frente de trabalho é a costura de alianças com partidos que ainda não anunciaram pré-candidatos próprios ao Senado em São Paulo — entre eles, PSD, PDT, Podemos e Cidadania. Quanto mais ampla for a coligação, maior será o tempo de rádio e TV e o fundo eleitoral proporcional disponível para a campanha.

Perguntas frequentes

Simone Tebet é candidata ao Senado por São Paulo?

Sim. Tebet se filiou ao PSB e transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo com o objetivo declarado de disputar uma das cadeiras do Senado pelo estado em 2026. A candidatura ainda depende de confirmação em convenção partidária.

Qual partido de Simone Tebet?

Tebet deixou o MDB em 2025 e se filiou ao PSB, partido da base aliada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como foi a campanha de Tebet à Presidência em 2022?

Ela foi a candidata do MDB à Presidência da República em 2022, terminou em terceiro lugar com pouco mais de 4% dos votos válidos e, no segundo turno, declarou apoio a Lula.

O que Tebet disse sobre o governo Tarcísio?

Segundo o portal Abril.com.br, Tebet tem questionado a eficiência da administração estadual em áreas como segurança pública e infraestrutura, argumentando que a boa performance fiscal não se refletiu em melhorias concretas para a população paulista.

Quando Tebet deixou o Ministério do Planejamento?

A exoneração do comando do Ministério do Planejamento e Orçamento foi publicada no fim de março deste ano, com Tebet deixando a pasta para se dedicar à disputa eleitoral em São Paulo.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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