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Tadalafila pode dar doping? Cardiologista explica após série

Série recente reacende debate sobre uso de substância comum e seus efeitos em exames antidoping de atletas.

Tadalafila pode dar doping? Cardiologista explica após série

A nova série "Jogada de Risco", lançada no Globoplay em 2024, tem movimentado as redes sociais ao abordar temas considerados tabus no universo do futebol brasileiro — entre eles, o uso de medicamentos para disfunção erétil e a tentativa de fraudar exames antidoping. Logo no primeiro episódio, o personagem Luan, vivido por Juan Paiva, recebe uma pílula de uma personagem interpretada por Bruna Griphao e, em seguida, busca ajuda para manipular um teste antidoping. A substância em questão é a Tadalafila, e a dúvida que ficou no ar é a seguinte: esse remédio pode mesmo ser flagrado em um exame?

De acordo com reportagem do portal Terra, que ouviu o cardiologista Gustavo Duque, do Hospital Samaritano Barra (Rede Américas), a resposta é não. A Tadalafila não consta na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês), o que significa que sua presença isolada em amostras de urina ou sangue não configura violação.

O que a cena de "Jogada de Risco" mostrou

A produção dirigida por Amora Mautner e José Henrique Fonseca acompanha os bastidores de um clube de futebol e não economiza em polêmica. O episódio de estreia traz Luan, jogador do elenco, em um quarto com a personagem Daniele (Bruna Griphao), que coloca a pílula em sua boca. No dia seguinte, ele procura o personagem Geraldo (Breno Ferreira) para tentar driblar o controle antidoping. Do outro lado, o empresário Maurício (Cauã Reymond) — dono do clube — reage com tensão ao risco de perder o atleta por causa do remédio.

A série foi além ao incluir nudez frontal, referências a consumo de substâncias e festas extravagantes, o que gerou intensos debates nas redes sociais sobre os limites entre ficção e realidade no futebol.

O que é a Tadalafila e para que serve?

A Tadalafila é o princípio ativo de medicamentos amplamente conhecidos no Brasil — o mais famoso deles é o Cialis, fabricado pela Eli Lilly — mas também comercializado por diversos laboratórios em versões genéricas e de marca, como o Tadala. O remédio pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), a mesma do Sildenafila (Viagra) e da Vardenafila (Levitra).

Suas indicações terapêuticas aprovadas pela Anvisa incluem:

  • Disfunção erétil: facilita o fluxo sanguíneo para o pênis durante a estimulação sexual.
  • Hiperplasia prostática benigna (HPB): alivia sintomas urinários causados pelo aumento da próstata.
  • Hipertensão arterial pulmonar: ajuda a relaxar os vasos sanguíneos dos pulmões, reduzindo a pressão.

A prescrição é feita mediante receita médica, e o uso recreativo ou sem indicação clínica não é recomendado por especialistas. Como qualquer medicamento, a Tadalafila pode provocar efeitos colaterais — dor de cabeça, congestão nasal, dor muscular, indisposição gástrica e, em casos raros, alterações cardiovasculares.

A Tadalafila pode dar doping? O que diz a WADA

Segundo o médico Gustavo Duque, ouvido pelo portal Terra, a Tadalafila não aparece na lista atualizada da WADA. "A lista anual de substâncias proibidas da WADA abrange esteroides anabolizantes, hormônios peptídicos, fatores de crescimento, β-agonistas, moduladores hormonais e metabólicos, estimulantes, narcóticos, glicocorticoides e β-bloqueadores — mas não inibidores da fosfodiesterase tipo 5 como a Tadalafila", afirmou o cardiologista.

Isso significa que, do ponto de vista regulatório internacional, um atleta pode usar Tadalafila sem ser punido por doping. O mesmo vale para Sildenafila e Vardenafila, que compartilham o mesmo mecanismo de ação e tampouco figuram na relação de proibidos.

A lista da WADA é revisada e publicada anualmente, com entrada em vigor sempre no dia 1º de janeiro. Alterações passam por um processo de consulta com governos, federações esportivas e laboratórios credenciados antes de serem oficializadas.

Substâncias que estão proibidas e confundem os atletas

Apesar de a Tadalafila não ser proibida, alguns medicamentos de uso comum podem gerar resultados analíticos adversos ou flagrar diretamente no antidoping. Entre eles estão:

  • Esteroides anabolizantes (como nandrolona e estanozolol), bastante associados ao fisiculturismo e a casos históricos no futebol.
  • Estimulantes presentes em descongestionantes nasais usados para sinusite e gripe.
  • Hormônio do crescimento (GH) e peptídeos relacionados.
  • Glicocorticoides administrados por via injetável em concentrações específicas.
  • Moduladores hormonais e metabólicos, como certos ajustantes de emagrecimento e antidiabéticos.

A recomendação clássica de médicos do esporte é que o atleta consulte um profissional antes de tomar qualquer substância — inclusive medicamentos livres de receita — porque princípios ativos aparentemente inofensivos podem ser proibidos dentro ou fora de competição.

Por que atletas, ainda assim, podem se interessar pela Tadalafila?

Embora não melhore o desempenho esportivo em sentido estrito, a Tadalafila é alvo de curiosidade em alguns nichos do esporte. Entre os motivos discutidos por especialistas estão:

  • Efeito vasodilatador: a substância aumenta o fluxo sanguíneo, o que, em teoria, poderia auxiliar na oxigenação muscular durante atividades de alta intensidade. Contudo, estudos não demonstraram ganho significativo de performance em atletas saudáveis.
  • Pressão psicológica da vida sexual: muitos jogadores usam o medicamento de forma recreativa, como mostra a ficção, sem que isso tenha relação com rendimento esportivo.
  • Tratamento de efeitos colaterais de outras substâncias: a Tadalafila pode ser prescrita a homens que usam antidepressivos ou antiandrógenos e apresentam disfunção erétil como reação.

Como não há benefício comprovado para o desempenho e a substância é liberada pela WADA, o uso recreativo ou terapêutico raramente chega a ser discutido em tribunais desportivos — a não ser que o atleta esteja usando um derivado manipulado que contenha impurezas proibidas.

Como funcionam os exames antidoping no futebol brasileiro

No Brasil, a entidade responsável pela aplicação das regras antidopagem é a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), vinculada ao Ministério do Esporte. A ABCD atua em conjunto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e segue o Código Mundial Antidopagem, do qual o país é signatário.

Os testes podem ser feitos dentro de competição — após partidas do Campeonato Brasileiro, por exemplo — ou fora de competição, com coletas surpresa em treinos e concentrações. As amostras são enviadas ao Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), no Rio de Janeiro, credenciado pela WADA.

Quando uma substância proibida é detectada, o atleta passa por um processo disciplinar conduzido pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) ou pela própria CBF, com direito à defesa. Punições podem variar de advertência a suspensão de até quatro anos, dependendo da gravidade, da reincidência e da intencionalidade.

A repercussão de "Jogada de Risco" e o debate sobre ficção e realidade

Ao retratar de forma explícita temas como uso recreativo de medicamentos, festas e pressão da indústria do futebol, "Jogada de Risco" dividiu opiniões. Parte do público elogiou a coragem da produção em discutir assuntos que normalmente ficam nos bastidores; outra parte questionou se a abordagem romantiza ou estigmatiza comportamentos.

O interesse crescente da audiência por esse tipo de narrativa coincide com uma série de casos reais de doping que marcaram o futebol brasileiro nas últimas décadas — entre eles, o do meia argentino-colombiano Juan Carlos Ramírez, suspenso em 2023 pelo STJD após testar positivo para boldenona, e o histórico doping de Fernando, ex-atacante do Flamengo, em 2013, que resultou em dois anos de afastamento.

Para o espectador, a série funciona como um espelho exagerado de um universo em que médicos, jogadores e dirigentes precisam lidar com pressões quase ficcionais — ainda que, no mundo real, as consequências jurídicas e desportivas de uma fraude antidoping sejam muito concretas.

Perguntas frequentes

Tadalafila é proibida no antidoping?

Não. Segundo o cardiologista Gustavo Duque, do Hospital Samaritano Barra, a Tadalafila não integra a lista anual de substâncias proibidas da WADA, embora a relação seja atualizada a cada ano.

Quais substâncias para disfunção erétil podem dar problema no antidoping?

Nenhuma das três principais — Tadalafila, Sildenafila e Vardenafila — aparece na lista da WADA. O risco ocorre se o medicamento estiver contaminado com outra substância proibida ou se for usado junto a compostos não declarados.

O atleta pode tomar Tadalafila durante uma competição oficial?

Pode, do ponto de vista antidopagem. No entanto, é fundamental que o uso seja prescrito por um médico e declarado, se necessário, em formulários de controle. A automedicação nunca é recomendada.

Quem fiscaliza o antidoping no futebol brasileiro?

A fiscalização é feita pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), em parceria com a CBF, e as amostras são analisadas pelo Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), credenciado pela WADA.

"Jogada de Risco" é baseada em fatos reais?

A série é uma obra de ficção, mas dialoga com situações rotineiramente reportadas no futebol profissional, como pressão por resultados, exposição da vida pessoal dos atletas e procedimentos antidoping.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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