Economia

Tarcísio rebate Haddad e mostra R$ 27 bi de superávit em SP

Saldo positivo robusto das contas estaduais contraria argumentos da equipe econômica federal.

Tarcísio rebate Haddad e mostra R$ 27 bi de superávit em SP

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nesta quarta-feira (26) as críticas feitas pelo adversário Fernando Haddad (PT), que havia dito, em sabatina à revista VEJA na véspera, que precisaria fazer um "pente-fino" em contratos e contas estaduais caso vença a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em 2026. Em entrevista à mesma publicação, o governador classificou o diagnóstico do petista como "absolutamente falso" e partiu para o ataque: "Muito me admira a pessoa que quebrou o Brasil falar de fiscal". A troca de declarações, registrada pelo portal Abril.com.br, antecipou o tom da corrida eleitoral no maior colégio eleitoral do país e jogou luz sobre um dos temas mais sensíveis para o eleitor paulista: a saúde das contas públicas do Estado.

O que Haddad disse que motivou a reação de Tarcísio?

Na entrevista concedida um dia antes, Haddad afirmou que não teria condições de iniciar uma eventual gestão sem revisar contratos e despesas. Para o petista, a medida seria necessária para abrir espaço no orçamento e recuperar a capacidade de investimento de São Paulo. Ele citou explicitamente três pontos que justificariam o pente-fino:

  • A situação fiscal do Estado;
  • O quadro de concessões e privatizações;
  • A prestação de serviços públicos à população.

Haddad, que foi ministro da Fazenda entre janeiro de 2023 e o início de 2024, no primeiro ano do governo Lula, tem usado sua experiência na área econômica como trunfo na pré-campanha. A fala, no entanto, foi lida pela equipe de Tarcísio como uma admissão de que o atual governo deixaria um Estado sem caixa — tese que o governador nega com veemência.

Quais números Tarcísio apresentou para defender sua gestão?

Para rebater Haddad, o governador recorreu principalmente aos resultados primários — indicador que mede a diferença entre receitas e despesas, sem contar o pagamento de juros da dívida. Segundo os números apresentados por Tarcísio na sabatina, São Paulo registrou:

  • Superávit de R$ 5,5 bilhões em 2023;
  • Superávit de R$ 12,9 bilhões em 2024;
  • Superávit de R$ 8,5 bilhões em 2025.

Somados, os três exercícios somam cerca de R$ 27 bilhões de resultado primário positivo. O governador comparou o desempenho com o do governo federal no mesmo intervalo, que, de acordo com seus próprios cálculos, teria acumulado R$ 335 bilhões de déficit.

Em outra frente, Tarcísio sustentou que a disponibilidade de caixa livre do Estado se manteve praticamente estável ao longo de sua gestão, mesmo com a expansão dos investimentos. Pelos números citados na entrevista, São Paulo teria encerrado 2022 com R$ 23 bilhões em caixa livre e chegado a 2025 com R$ 22 bilhões — uma variação de cerca de 4% em quatro anos, enquanto os aportes com recursos do tesouro somaram R$ 110 bilhões no período.

"Por A mais B, por onde você olhar, a gente vai ver que o Estado de São Paulo é um Estado sadio do ponto de vista fiscal, diferente do que aconteceu na União", afirmou o governador.

Quais outros indicadores fiscais o governador destaca?

Durante a sabatina, Tarcísio enumerou uma série de indicadores que, segundo ele, melhoraram sob sua administração. Entre os principais pontos listados estão:

  1. Redução das despesas com pessoal em relação à receita corrente líquida;
  2. Queda do endividamento estadual;
  3. Ampliação da capacidade de investimento sem comprometer a liquidez;
  4. Manutenção da poupança de caixa livre ao longo do mandato.

O governador também voltou a defender o conjunto de reformas implementado desde 2023 como forma de preparar o Estado para enfrentar um eventual período de recessão no próximo ciclo federal — sinalizando preocupação com o cenário macroeconômico que será herdado pelo sucessor de Lula.

Que reformas Tarcísio atribui ao seu governo?

Questionado sobre como pretendeu blindar São Paulo de turbulências externas, o governador citou cinco frentes de mudanças estruturais iniciadas em seu mandato:

  • Reforma administrativa, com reorganização de cargos e carreiras;
  • Revisão de despesas em áreas como contratos de aluguel, consultoria e fornecimento;
  • Extinção e fusão de entidades estatais, com redução do número de órgãos da administração indireta;
  • Gestão da dívida ativa, com cobrança mais agressiva de créditos devidos ao Estado;
  • Renegociação da dívida com a União, buscando melhores condições de pagamento junto ao governo federal.

O conjunto, na avaliação de Tarcísio, teria permitido ao Estado gastar melhor, investir mais e ainda assim fechar os anos com poupança de caixa. A narrativa é central para o discurso de campanha, porque tenta desarmar a principal promessa de Haddad — a de que será preciso "arrumar a casa" antes de tocar a máquina pública.

Qual o impacto da troca de farpas para o eleitor?

A disputa extrapola o debate pessoal e mexe em um tema que afeta diretamente o cotidiano do contribuinte paulista: a capacidade do Estado de investir em saúde, educação, segurança e infraestrutura. Superávit primário e caixa livre são indicadores técnicos, mas servem de termômetro para saber se o governo conseguirá honrar compromissos sem elevar tributos ou atrasar pagamentos.

Como São Paulo responde por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o resultado fiscal paulista também tem repercussão nacional. O desempenho das contas estaduais costuma ser usado por investidores, agências de risco e pelo Tesouro Nacional como referência para calibrar expectativas sobre o desempenho da economia brasileira.

Para o eleitor, a sequência de declarações deve se traduzir, nos próximos meses, em comparações cada vez mais detalhadas entre os programas de governo, em debates televisionados e na publicação de relatórios técnicos de candidatos e partidos. É provável que os dois lados convoquem economistas e consultorias independentes para auditar os números apresentados — cenário típico de pleitos em que o tema central é a gestão das contas públicas.

Quem está na corrida pelo governo de São Paulo em 2026?

Até o momento, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad são os nomes mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio dos Bandeirantes. Tarcísio busca a reeleição após quatro anos à frente do Estado, enquanto Haddad tenta retornar ao Executivo paulista — ele já foi prefeito da capital (2013–2016) e, mais recentemente, disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024. A definição das convenções partidárias e dos nomes finais deve ocorrer ao longo de 2025 e no primeiro semestre de 2026, com a janela partidária prevista para fevereiro de 2026 e as convenções entre julho e agosto do mesmo ano.


Perguntas frequentes

O que é o "pente-fino" que Haddad mencionou?

É uma expressão usada para descrever uma revisão detalhada de contratos, despesas e processos administrativos. Haddad afirmou que, se eleito, faria esse pente-fino logo no início do governo para reorganizar as finanças e liberar espaço para investimentos.

O que é resultado primário?

É o indicador que mede a diferença entre as receitas e as despesas do governo, descontando o pagamento de juros da dívida. Quando positivo (superávit), indica que o Estado conseguiu poupar; quando negativo (déficit), mostra que precisou se endividar para cobrir gastos.

Fernando Haddad foi mesmo ministro da Fazenda?

Sim. Haddad comandou o Ministério da Fazenda entre janeiro de 2023 e o início de 2024, no primeiro ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele deixou o cargo para se candidatar à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Qual a data das eleições para governador em São Paulo?

O primeiro turno está previsto para outubro de 2026, conforme o calendário eleitoral definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, haverá segundo turno em novembro do mesmo ano.

Os números apresentados por Tarcísio foram auditados?

Os dados de resultado primário, caixa livre e investimentos são informações públicas, divulgadas periodicamente pela Secretaria da Fazenda de São Paulo e pela Secretaria do Tesouro Nacional. Até a publicação desta reportagem, não havia contestação oficial por parte de órgãos independentes sobre os valores apresentados pelo governador.

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Yuri Augusto
Escrito por
Yuri Augusto

Yuri Augusto Jornalista e entusiasta de inovação digital, Yuri acompanha de perto as principais movimentações do mercado, economia e tecnologia. Com foco em traduzir informações complexas em análises acessíveis, é o responsável por trazer os conteúdos mais relevantes e em primeira mão para os leitores do GCBS News.

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